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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

Onde Ficou o Brasil?

 

Há muitos, muitos anos atrás, o programa de televisão mais visto em Portugal era a telenovela brasileira da Rede Globo que passava por volta das oito e meia da noite. Actualmente, já são poucos os que vêem as telenovelas brasileiras pois as portuguesas tornaram-se as grandes dominantes dos shares e das audiências.

Nesses tempos longínquos, os pais queixavam-se de que os filhos utilizavam cada vez mais expressões e vocábulos brasileiros. Perpassava pelos mais adultos um receio mal definido de que o português se abrasileirava.

Havia uma telenovela em que dois amigos, um dos quais transava com a mãe do outro, se tratavam por "bicho". - Oh bicho! Você está a fim de tomar um chopp com a galera? - Não posso bicho, sua mãe me convidou para um drink.

Havia uma telenovela em que uma personagem de nome Eloá, que vivia aterrorizada pela presença do demónio, chamava "filhotes" aos seus filhos. Nessa altura, em que as famílias portuguesas iam passando de remediadas a classe média à medida que viam os concursos do Carlos Cruz, abriam contas no BCP e compravam casas de férias horrorosas no ainda belo Algarve - nessa altura era chic entre as mães referirem-se aos seus filhos como "filhotes".

Com o predomínio das telenovelas portuguesas, foram-se os filhotes e as transas, foram-se os caras e os drinks. Acho até que já ninguém curte.

As importações linguísticas brasileiras secaram; Portugal ficou menos cosmopolita. É pena.

Como estranha e lamentável compensação, um acordo ortográfico que nem acordo nem vontade nossos recebeu e que de forma tão torpe descaracteriza a escrita do português de Portugal impõe-se-nos agora como facto consumado. Não é nada legal.

RTP, RTP Porto e RTPN

 O Grupo RTP deverá ser reestruturado de maneira a obter-se a uma forte contenção
de custos operacionais já em 2012 criando, assim, condições tanto para a redução
significativa do esforço financeiro dos contribuintes quanto para o processo de
privatização. Este incluirá a privatização de um dos canais públicos a ser concretizada
oportunamente e em modelo a definir face às condições de mercado. O outro canal,
assim como o acervo de memória, a RTP Internacional e a RTP África serão
essencialmente orientados para assegurar o serviço público.
(M. Falcão, Lugares Comuns)

 

 

 

 

Um amigo meu, jornalista da RTP, poucos dias depois das eleições legislativas, convidou-me para almoçar. Durante o repasto, defendeu que a privatização da RTP era um erro e que, segundo ele, facilmente se consegue diminuir 100 milhões ao passivo anual da RTP sem mexer na qualidade do produto e sem sangue. Até posso acreditar, ele conhece bem melhor a RTP do que eu. Porém, a minha questão não é essa.

 

Ou seja, continuo a ter muitas dúvidas que valha a pena ter uma RTP1, uma Antena 1 e uma Antena 3 no sector público de comunicação. Sobretudo quando olho para os actuais produtos (programações) e respectivos custos/benefícios. Depois, outro problema: a RTP Porto. Não consigo perceber duas coisas muito simples: segundo um estudo, se a memória não me falha, do tempo de Almerindo Marques, produzir na RTP Porto era bem mais barato que produzir através de Lisboa, sem perdas de qualidade. Se olharmos com a devida atenção para algumas das principais caras da informação da RTP e dos canais privados verificamos que boa parte deles e delas tiveram na RTP Porto a sua grande escola. Contudo, nos últimos tempos, a RTP Porto foi abandonada. Que programas continuam a ser produzidos pela RTP Porto? Ora verifiquem, se faz favor. Mesmo sem se assistir a uma redução dos seus quadros e custos.

 

Depois, vejam o que aconteceu, recentemente, à RTPN. Uma vez mais, a RTP Porto foi, perdoem a expressão, decapitada e tudo passou a ser gerido por e via RTP Lisboa. Se assim é, pergunto: para que serve a RTP Porto?

 

Francamente, não consigo compreender e custa-me aceitar não só este desbaratar de dinheiros públicos como esta estratégia de desvalorização da RTP Porto. Existe, pelo menos assim parece, uma vontade forte de matar a RTP Porto, algo que não se percebe. Obviamente, o Porto Canal e os seus investidores, sobretudo aqueles que a partir do próximo dia 1 de Julho tomarão conta deste canal, agradecem a oferta. Se querem acabar com a RTP Porto, pelo menos tenham a coragem de o fazer a sério e assumindo as consequências. Agora, decapitar a empresa mas continuar a somar custos e custos sem qualquer benefício para todos aqueles que o pagam, é um abuso, um crime.

 

Pelo que se percebe do programa de Governo, a privatização da RTP não é para já. Não o sendo, façam o favor de colocar ordem na casa e se é para (e bem) conter fortemente os custos operacionais, falem com quem sabe, ouçam todas as partes e tentem, sff, verificar o que deve ser feito para reduzir os custos. Segundo o tal estudo já feito, um caminho óbvio é aumentar a produção via RTP Porto (por ser mais barato). Defender a RTP Porto e a RTPN no Porto não é bairrismo nem "regionalismos serôdios", é justificado por fazer o mesmo diminuindo os custos. É gestão, boas práticas de gestão.

 

Falo por mim. O meu bairrismo faz-me defender o Porto Canal (que é privado) e o JN (privado). E todos os projectos privados nascidos na minha região. Outra coisa, bem diferente, são projectos públicos. Esses posso até defender mas por motivos diferentes - o uso de dinheiros públicos obriga a outro tipo de cuidados e obrigações. Por ser dinheiro de todos e não "de alguns"...

 


A Norte, algo de novo:

As recentes notícias sobre a comunicação social no Norte permitem antever um conjunto interessante de mudanças.

 

O Porto Canal vive momentos de entusiasmo com a perspectiva de novos investidores e consolidação do projecto. Por sua vez, o Jornal de Notícias procura retomar o ponto de partida, algures perdido no último terço dos anos noventa, cujos bons exemplos são o recente caderno “Cidades” e a aquisição de Marcelo Rebelo de Sousa para o seu painel de comentadores. O semanário Grande Porto procura manter o projecto e, quem sabe, encontrar novos parceiros. E a RTP-N?

 

A RTP-N nasceu do fim prematuro e nunca bem explicado da NTV – numa altura em que esta crescia, foram-lhe “cortadas as pernas”, porquê? – dando lugar a um espaço da RTP na cabo com o acrescento de um “n” envergonhado pois nunca assumido, inicialmente, do seu real significado: era “n” de Norte? De Notícias? De Nada? Ficou N de Notícias. Essencialmente, transformaram a RTP-Porto num concorrente da SIC Notícias.

 

Nos últimos anos a “N” melhorou imenso e jornalistas como o Daniel Catalão, Carlos Daniel, Hugo Gilberto, João Adelino Faria, entre muitos outros e em especial, a equipa de jovens jornalistas que apresentam os diferentes blocos de notícias, marcaram a diferença pela positiva. Acresce um conjunto de programas que se afirmaram no panorama televisivo da cabo – um bom exemplo veio do “A Liga dos últimos”. Em suma, a RTP-N está no bom caminho.

 

Porém, diz-me a experiência, que quando assim é, quando as coisas começam a resultar a Norte, surge uma decisão superior, vinda das profundas do inferno, que decide acabar com os projectos e deitar tudo a perder. Uma espécie de castigo divino. Por isso já estou a temer pelo futuro da “N”. Está a ficar demasiado boa para agradar a certas almas.

 

Pode ser que desta vez me engane…

 

 

A notícia do dia:

 

 

 

 

Numa altura em que o Sporting procura uma nova liderança e se multiplicam as promessas de milhões nada como olhar para um exemplo sem igual de gestão desportiva: o F.C. Porto e Jorge Nuno Pinto da Costa.

 

Ao longo das últimas décadas, ao contrário dos seus adversários, a estabilidade directiva e de filosofia de gestão desportiva do F.C. Porto, pela mão de Jorge Nuno Pinto da Costa, permitiu ao clube atingir a liderança nacional e afirmar-se internacionalmente. Poucas marcas em Portugal podem, hoje, gabar-se de tal.

 

A notícia de hoje, no Diário Económico, da compra do Porto Canal pelo F.C. Porto e pelo Luís Paixão Martins é mais um passo firme numa estratégia de gestão exemplar. Quando a MEO lançou a Benfica TV (e queria, igualmente, uma Sporting TV e uma F.C. Porto TV), o SLB preferiu um canal mono, ou seja, para os adeptos e, entre estes, os mais ferrenhos dos ferrenhos. É uma estratégia possível mas redutora.

 

O F.C. Porto preferiu seguir outro caminho. Esperar e na melhor oportunidade juntar o melhor de dois mundos: ter um espaço próprio televisivo mas como “acrescento” de audiência a um espaço mais generalista e vocacionado para uma região, a sua região. O Porto (clube) é mais do que a sua região? É. Mas estas são as suas raízes. O Barcelona é mais do que a Catalunha? É. Mas essas são as suas raízes e por isso a sua relação especial com a CTV3.

 

Ao escolher adquirir o Porto Canal mantendo a sua linha regional o FCP escolheu o caminho certo. Em vez de criar um canal de raiz dedicado aos ultras, aproveita o que já existe acrescentando-lhe conteúdos (transmissões das modalidades amadoras, p.e.) potenciadores de audiência. Ao preferir esta estratégia, Jorge Nuno Pinto da Costa demonstra estar, uma vez mais, à frente do seu tempo.

Domínio Público

Este Domingo o Albergue está representado num debate televisivo sobre a "rentrée política" dos principais partidos. Moderado pela Rosa Carvalho, o debate conta com este vosso escriba (fraquito) com o Pedro Nunes do Blasfémias, o António Vieira Lopes do blog Cafeínicos e com o Advogado e Escritor Luís Miguel Novais.

 

Domingo, 12 de Setembro, pelas 19h no Porto Canal, programa Domínio Público.

"inde ver"

Amanhã, 19h., no Porto Canal, o je acompanhado pelo Pedro Nunes (Blasfémias), o António Lopes e o Miguel Novais vamos discutir os seguintes temas: A Crise, Sócrates, a crise, Sócrates, Presidenciais, Sócrates, bloco central, crise, Passos Coelho, Sócrates e a crise. Não necessariamente por esta ordem.

 

A moderação é da magnífica Rosa Carvalho. Apareçam por lá e preparem as minis...

O 'dono da bola' apregoa deontologia

Leio na imprensa desta manhã que Emídio Rangel depôs ontem na Comissão de Ética da Assembleia da República, onde pretendeu dar lições de deontologia jornalística. Disparou - vejam lá a actualidade deste depoimento - contra O Independente, fundado em 1988 por Paulo Portas e Miguel Esteves Cardoso, que a seu ver constituiu "uma escola sinistra" de jornalismo. De regresso ao presente, arremeteu contra a TVI e O Sol por serem exemplos de "atropelos deontológicos".

Não sei o que pensam disto os deputados que o escutaram. Eu, que me prezo de ter boa memória, lembro-me de um programa de "informação" chamado Os Donos da Bola, exibido pela SIC dirigida por Emídio Rangel na década de 90, que foi uma das páginas mais negras do jornalismo português, onde todas as semanas se violavam as mais elementares regras do código deontológico da profissão. É o cúmulo da desfaçatez que o principal responsável por esse lamentável programa pretenda agora dar lições de moral aos seus colegas que se atrevem a criticar o primeiro-ministro. Emídio Rangel, que tem ultrapassado todos os limites como porta-voz oficioso de José Sócrates, perdeu mais uma excelente ocasião para ficar calado.