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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

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"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

Um Exemplo para Portugal

Islândia: ex-primeiro-ministro julgado por negligência

 

O tribunal deverá hoje confirmar a acusação de negligência grave contra Geeir Haarde que era primeiro-ministro da Islândia quando o sistema financeiro entrou em colapso.

 

No Expresso, aqui. Ler também "Dishonorable Discharge": É o que merecem Sócrates e os socialistas. Não é só perderem as eleições por uma grande margem: Sócrates e os socialistas merecem mais do que isso: merecem castigo.

 

O Pecado Original de Pedro Passos Coelho

O pecado original de Pedro Passos Coelho foi, há coisa de meses atrás, ter ameçado que José Sócrates teria de se demitir se decidisse recorrer à ajuda financeira externa. Se Sócrates o tivesse feito, teria tomado a decisão correcta. Se Portugal tivesse recebido a ajuda mais cedo, não teria contraído novas dívidas a taxas da ordem dos dez por cento (em quase todas as maturidades!).

 

A diferença entre essas taxas e aquelas que teriam sido oferecidas a Portugal pela tróica nessa altura são os milhares de milhões de euros de puro desperdício que os contribuintes portugueses terão de pagar por causa da casmurrice de José Sócrates. Esses milhares de milhões de euros são bem superiores ao custo reputacional de que falava Passos Coelho no caso do país pedir ajuda.

 

É verdade que o que levou Sócrates a não recorrer mais cedo à ajuda externa não foi a pressão imposta por Passos Coelho. Também é verdade que Passos Coelho estava certíssimo ao afirmar que a necessidade de ajuda externa era a prova definitiva da incompetência do governo socialista (ele não usou estas palavras mas a ideia foi essa). Mas foi um erro dar a Sócrates os incentivos errados: segundo Passos Coelho, Sócrates deveria demitir-se mal tomasse a decisão correcta e necessária.

 

Talvez que se os primeiros três PECs, aprovados com a anuência do PSD, tivessem sido integralmente cumpridos nunca se tornaria necessário o auxílio internacional. Mas já era claro, nos finais de 2010, que os PECs não estavam a ser aplicados e que, portanto, Portugal se dirigia velozmente para a ruptura financeira. A própria sequência dos PECs era sintoma da sua não implementação ou da sua insuficiência. Era notório que Portugal precisava da ajuda externa.

 

José Sócrates e o Partido Socialista merecem ser responsabilizados duramente (entre muitíssimas outras coisas...) pela riqueza nacional que será perdida sem razão nem racionalidade nem proveito nenhuns em juros daquelas dívidas, a pagar agora e no futuro. E a punição eleitoral, apenas e só, é castigo demasiado leve!

 

Porém, este é um argumento que Pedro Passos Coelho já não pode, com legitimidade, utilizar na presente campanha eleitoral. Isto porque defendeu a demissão de Sócrates no caso de este tomar a medida que já se havia tornado inevitável: financiar a despesa pública não através do mercado mas por via das agências internacionais o mais cedo possível.

 

A História Secreta dos Amigalhaços da Construção Civil

Luís M. Jorge está interessado em compreender um pouco melhor o relacionamento entre o grupo Espírito Santo, ou outros grupos económicos, e os governos da república. Estou interessado em aceder a notícias que nos permitam avaliar a influência política destas organizações: casos, esclarecidos ou por esclarecer, zonas de sobreposição entre os interesses dos grupos e as decisões de titulares de cargos públicos, contratações e nomeações — enfim, tudo o que, legitimamente, e dentro dos limites do interesse público, nos permita iluminar uma zona ainda opaca da nossa vida democrática [aqui]. Eu também estou.

 

O leitor está convidado a participar nesta tarefa, enviando notícias publicadas em jornais de referência, documentos oficiais ou reflexões originais (não rumores) para o email luismjorge@yahoo.com. (...) Nada me move contra qualquer grupo económico português. Mas, à falta de um jornalismo de investigação independente e corajoso, resta-nos confiar em recursos próprios para vigiarmos o destino dos nossos impostos.

 

O post da semana da blogosfera nacional é este: A história secreta: grupos económicos, construção civil, partidos políticos e, claro, muitos milhares de milhões de euros de prejuízo puro para o erário público que são, as usual, lucro imerecido e garantido para os amigalhaços do costume. Ler também este texto.

 

Um Serôdio Relatório de Reacções

 

O vídeo com mensagem aos finlandeses era, de facto, um vídeo com mensagem aos portugueses: é possível que tenha tido um efeito na auto-estima lusitana, duvido que tenha atingido os corações daqueles fino-úgricos.

 

Todos os finlandeses (e não só) com quem falei e que viram atentamente o vídeo tiveram a mesma reacção: este vídeo é um exercício de exagero e uma lição de que os países pequenos também podem ser ridiculamente nacionalistas.

 

O vídeo não caíu nada bem, sobretudo porque os finlandeses são um povo moderado (exceptuando o consumo de vodka e outros etceteras com mais de quarenta e dois graus de álcool) e humilde.

 

Em última análise, o que os finlandeses aprenderam com o vídeo foi que se os portugueses são tão megalómanos (cfr. tb. isto) e pouco credíveis (para não dizer... mentirosos) como o vídeo sugere - então não é difícil perceber como é que Portugal chegou assim (novamente) à beira da bancarrota.

 

E têm razão: uma boa parte do descalabro geral do país deve-se à megalomania das obras públicas, tê gê vês, pê pê pês e demais "grandes projectos da construção civil" e à facilidade com que os portugueses se enganam a si mesmos, comprando toda a sorte de mentiras abundantemente fornecidas pelos socialistas.

Um Partido que se Comporta Assim É Afinal o Quê?

A propósito do post anterior.

 

Os socialistas instrumentalizam as pessoas e tratam-nas como lixo. Aproveitam-se da sua probreza e falta de escolarização.

É também por isto que interessa aos socialistas rebaixar sistematicamente a qualidade da escola pública e reduzir os apoios sociais aos mais pobres, como têm vindo a fazer de modo tão activo ao longo dos úlitmos anos (e, no caso da educação, desde 1995).

Quanto menos escola e mais pobreza, mais barata se torna a instrumentalização das pessoas. Os socialistas activamente agravam a pobreza material e cultural do país de forma a deixar as pessoas cada vez mais miseráveis e dependentes e, assim, poder explorá-las eleitoralmente.

 

Toda a estratégia do Partido Socialista dos últimos dezasseis anos tem sido esta chantagem fraudulenta: primeiro tornar as pessoas mais pobres e munidas de uma instrução formal cada vez mais rebaixada; depois acenar-lhes com os fantasmas da direita, do neo-liberalismo, da globalização e/ou da crise internacional e ameaçá-las com a ideia de que se não votam nos socialistas vai ser o fim do Estado social e da democracia e de tudo.

 

Portugal, em especial os mais desfavorecidos, têm sido abusados pelos socialistas durante os últimos dezasseis anos. Este abuso tem de acabar.

Novas Oportunidades = Muitas Falsidades

Experiência profissional e de vida não substitui formação escolar nem vice-versa: essa é a primeira falsidade do programa Novas Oportunidades. E a experiência não precisa de diploma para se afirmar: a sua demonstração no local de trabalho - trabalhando - é suficiente.

 

A segunda falsidade é que o objectivo daquela política nunca foi o de oferecer às pessoas uma formação com valor mas sim melhorar as estatísticas através de uma trapaça formal. Educação sem exigência vale muito pouco... ou nada. Os números sobem mas a realidade mantém-se ou piora: é esta a natureza fraudulenta das políticas socialistas.

 

A terceira falsidade é que os empregadores não se deixam enganar porque um erro de contratação sai caro (sobretudo no país com o mercado de trabalho mais esclerosado da OCDE: Portugal). Na perspectiva do empregador, um potencial empregado é contratado se demonstrar produtividade e independentemente do diploma que possa apresentar. Se as competências demonstradas forem baixas ou desadequadas, o diploma não chega. Se as competências forem suficientes, o diploma não interessa.

A Cor da Rosa e a Realidade

Se António Guterres não tivesse optado por uma política pró-cíclica e se tivesse colocado as contas públicas em ordem - teria havido margem de manobra financeira para que, qualquer que fosse o governo no poder no período 2007-2011, tivesse sido possível seguir uma política agressiva contra-ciclo sem perigar ou agravar as contas públicas.

 

Na ausência de margem de manobra financeira, Sócrates viu-se forçado a medidas pró-cíclicas em época de crise. A ausência de margem de manobra reporta-se aos tempos de Guterres mas também aos primeiros anos do governo de Sócrates. A responsabilidade de Sócrates pela recessão actual está ainda no mix da resposta à crise: cortar apoios sociais em vez de cortar nos projectos de rentabilidade negativa para o erário público mas de lucratividade garantida para os amigalhaços da contrução civil (a propósito, ler este excelente post de Gabriel Silva no Blasfémias).

 

Desde os inícios dos anos noventa (do século passado) que não faltaram economistas de quase todos os quadrantes políticos a avisar para os problemas futuros que acabariam por decorrer das política despesistas e irresponsáveis de António Guterres. Mas quem está interessado em ouvir os economistas? Não são os discursos dos Guterres, Sócrates, socialistas muito mais cor-de-rosa?

Dishonorable Discharge

É o que merecem Sócrates e os socialistas. Não é só perderem as eleições por uma grande margem: Sócrates e os socialistas merecem mais do que isso: merecem castigo.

 

Daqui por alguns anos, quando as contas públicas estiverem finalmente sanadas (se lá chegarmos) e a economia estiver a crescer (se isso conseguirmos) será a altura de se pensar seriamente em mecanismos de responsabilização dos governantes que estejam para além do mero jogo do perder e ganhar eleições.

 

O Tribunal de Contas não pode continuar a ser uma entidade que se limita a confirmar, ainda por cima só muito a posteriori, as evidências da gestão danosa e dirigida aos amigalhaços dos governantes.

 

É preciso punir.

There are creative ways to make default less painful; trying to pretend it will not happen is not one of them.

 

Li essa frase hoje no Economist, depois de almoço. O artigo era sobre a Grécia mas aplica-se igualmente a Portugal. Ficar à espera que Sarkozy e Merkel sejam reeleitos para só então começar a pensar na reestruturação da dívida portuguesa não é solução. É um erro que prejudica Portugal e toda a Europa. É um erro que serve só para beneficiar os próprios Sarkozy e Merkel mas também Sócrates. Nenhum destes quer que lhe rebente uma bancarrota nas mãos em tempos de campanha ou pré-campanha eleitoral.

 

No caso das legislativas portuguesas de Junho próximo, o que deveria pois ser discutido não é o pacote de ajuda mas sim como deverá ser feita a reestruturação da dívida. Mais uma vez, o tema de debate de uma eleições legislativas portuguesas está desfasado da realidade - e esse desfasamento beneficia sobretudo os principais responsáveis pelo caos em que o país está metido (i.e., os socialistas).

Creativity, Not Money, is Used to Solve Problems

 

"Creativity, not money, is used to solve problems" é uma frase que cai que nem uma luva  - mas deveria, antes, "adaptar-se que nem um preservativo" - ao choradinho dos que se queixam da falta de subsídios. Também se adapta na perfeição a muito daquilo que o cinema de autor, cinema europeu, arthouse não é mas poderia ser.

 

Mas, claro está, "creatividade e não dinheiro" será também a fórmula a empregar pelos novos (espero) governantes saídos do cinco de Junho.

 

Os quase quinze anos de "socialismo" são a demonstração irrefutável de que deitar dinheiro para cima dos problemas só os agrava. Aliás, a própria origem de uma boa parte dos problemas é mesmo essa: demasiado dinheiro gasto para nenhum fim útil, nenhuma rentabilidade positiva, nenhum objectivo de mérito. Só elefantes brancos e  monumentos aos queridos líderes.