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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

SCUTs: Só podem estar a brincar. Só podem!

Uma pessoa vê esta notícia da TVI e nem quer acreditar. Só pode ser brincadeira. Eu não quero acreditar que um Governo, repito, um Governo de Portugal e dos Portugueses fosse capaz de fazer semelhante negócio ruinoso. A quem interessa? Como é possível?

 

Agora, temos de pagar portagens e a desculpa era os custos para o Estado e, afinal, colocam portagens e ainda teremos de pagar, reparem bem:

 

Antes: 178 Milhões de euros

 

Agora: 58 vezes mais cara, mais 10 mil milhões de euros.

 

E ninguém vai preso?

 

Ver reportagem AQUI

O Espírito Bovino

Num recente debate sobre os 100 anos da República, um dos autores deste blogue descrevia uma cena tipicamente portuguesa: enquanto os republicanos davam vivas à República na janela da actual Câmara Municipal de Lisboa, ao fundo os populares caminhavam com as suas juntas de bois totalmente abstraídos da situação, quiçá sem saberem que tinham deixado de viver em monarquia.

 

O mesmo se passa hoje. Enquanto o governo se limitava a ameaçar colocar portagens a maralha protestava organizando uns buzinões tímidos (simpatia minha) e aplaudindo os cartazes que um ou outro município lançaram.

 

Mais tarde, já sem Lino e com outro actor de menor tino, começaram a nascer como cogumelos uns pórticos horrendos. A seguir, ficamos a saber que só o Norte seria premiado e mesmo neste, a sorte grande foi atribuída às câmaras municipais lideradas pelos partidos da oposição. Tudo justo e perfeito, como facilmente se viu e vê. Alguns, crentes, acreditaram que a malta não admitiria este verdadeiro cuspir na cara por parte do governo. Fui um dos crentes.

 

No dia em que as ditas portagens começaram a ser cobradas, o que fez a maralha? Foi a correr comprar o chip, em longas filas bovinas e com a suprema lata de praguejarem contra os autores desta vergonha. Sim, lata. Quem se dá ao papel de acatar sem lutar só pode ficar em silêncio. Um silêncio envergonhado mas silêncio, o de quem paga consente.

 

Agora descobriram aquilo que alguns se fartaram de recordar: não existem alternativas. As estradas municipais ficaram entupidas e o trânsito literalmente bloqueado. Não falta muito e vão culpar as câmaras municipais, principalmente aquelas que se fartaram de avisar e que lutaram por todos os meios legais para impedir esta parvoíce.

 

Meus caros repito, quem paga consente e já que não tiveram tomates para a desobediência civil generalizada então limpem-se a este belo guardanapo: continuem a pagar e não bufar. A longa marcha bovina continua. Temos os políticos que merecemos. Ontem como hoje.

Vai uma aposta?

No dia 15 de Outubro as portagens nas SCUTs não vão entrar em vigor. Vai uma aposta?

 

E para a "posteridade" fica que o PS queria colocar portagens APENAS E SÓ nas SCUTS do Grande Porto tratando uns como filhos e outros como enteados e agora viu-se obrigado a aplicar o "castigo" a todos, até Abril de 2011. Igualmente fica outra coisa: uma trapalhada de primeira na questão das isenções, outra em matéria de Chip e Via Verde (será que os utilizadores actuais da Via Verde podem usufruir das tais isenções ou temos que comprar o tal chip?).

 

Continuo sem perceber o motivo que leva Matosinhos e Vila do Conde, por exemplo, a não ter pórticos enquanto a Maia está cercada pelos ditos. Será que o facto de Matosinhos e Vila do Conde serem câmaras PS é factor de discriminação positiva?

 

Mas mantenho a aposta: a 15 de Outubro não vão entrar em vigor.

Isto só lá vai à chapada!

Mas afinal temos portagens ou não?

 

O PCP diz que não: "o decreto-lei que institui as portagens em três SCUT desde 01 de Julho morreu e não pode ser aplicado”; Uma deputada do PS diz que juridicamente se pode mas politicamente não (?!). O PSD diz que a culpa é do governo e o CDS entrou mudo e saiu calado (absteve-se). Uma grande confusão. Eu já não consigo perceber se estão a brincar connosco ou se é tão só incompetência pura.

 

Vou continuar a acompanhar a novela com uma mão na carteira e outra no aparelho da Via Verde, não vá o diabo tecê-las...

Do real para o virtual

Era uma vez...

 

Uma Estrada Nacional 107. Um belo número. Um dia, um governo decidiu que a mesma não servia os interesses da região e que para servir o Aeroporto Internacional, a LIPOR II e a maior zona industrial do Noroeste Peninsular seria necessário e fundamental construir um "itinerário complementar", baptizado de IC24.

 

A velhinha e caprichosa EN107 passava a estrada municipal. Ao longo dos anos o seu trajecto inicial foi alterado: numa parte foi ocupada pela nova linha do Metro que liga o Hospital de S. João ao ISMAI; noutros pedaços passou a ter um só sentido de trânsito e com isso se criaram novos passeios para os peões; por questões de segurança boa parte dos seus perigosos cruzamentos passaram a ter rotundas e outros sinalização luminosa (o número de acidentes baixou drasticamente). Ao longo do seu percurso nasceram casas comerciais, prédios de habitação e outros equipamentos. Ou seja, morreu a EN107 e nasceu uma via interna municipal adaptada às novas exigências da sua função.

 

Num célebre dia, quiçá depois de um lauto jantar, um punhado de governantes de um outro governo, decidiu fazer um negócio não solicitado nem tão pouco desejado pelas gentes da terra: ampliar o itinerário complementar IC24 de duas para quatro faixas (de cada lado), implodindo inúmeras pontes que estavam em excelente estado de conservação e que chegavam e sobravam para a função que lhes estava destinada. A população e o autarca do concelho protestaram. Os primeiros por verem o seu dinheiro, duplamente, a ser mal gasto (com a construção do IC24 passaram a pagar uma taxa especial justificada pela construção do dito itinerário e, ao mesmo tempo, como não são parvos, não compreenderam os motivos para alargar o que não precisava de o ser e ver destruir algo que lhes custou tanto dinheiro sem qualquer justificação plausível) e os segundos por conhecerem a realidade.

 

Depois de morta a EN107, morria o IC24 e nascia a auto-estrada eufemisticamente chamada SCUT A41 (sem custos para o utilizador, vejam a lata). De repente, a economia nacional deu o berro e um outro governo ficou com a menina do Cravinho ao colo. Solução: o povo estúpido que pague a cagada feita pelos seus governantes. Pior, a sensação com que se fica é a de quererem que o povo pague as negociatas milionárias de alguns dos nossos governantes.

 

Ontem, o meu presidente de câmara, disse publicamente o que os seus colegas autarcas da região repetem em privado. Mais, mostrou ao país algo que nós, habitantes da região, já sabemos: as estradas municipais não são alternativa e só quem não as utiliza diariamente pode ter dúvidas. Mais, estamos a falar de vias que em determinados períodos do ano estão cortadas ao trânsito (festas municipais, festas de freguesia, carnaval, S. João, etc.).

 

Ontem, fiquei a saber que a maioria dos deputados da Assembleia da República consideram que as estradas municipais são óptimas alternativas a determinadas auto-estradas. Estamos esclarecidos. Melhor dito, estarrecidos!