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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

A chamada para o 112

 

O que a deputada Joana Barata Lopes fez (ou alguém do Grupo Parlamentar do PSD por ela) é exactamente aquilo para o qual foi eleita: fiscalizar os mecanismos do estado, principalmente na área da saúde, visto que integra essa comissão. É legal, é ilegal? Pouco me importa, porque o interesse público que está em causa é superior a esta suposta ilegalidade. Ilegal, meu amigos, é andar a ser subornado por sucateiros.

Uma grande Mulher

Um certo dia, era eu um puto, tive o grato privilégio de partilhar o palco do Fórum da Maia com uma das mulheres que mais admirava. Vi-a nela a futura líder de um verdadeiro Governo da Nação.

 

Sendo eu neto de uma das primeiras mulheres farmacêuticas deste país (e filho e irmão de farmacêuticos) o tema da saúde pública era recorrente em casa. A admiração que todos nutriam por ela contagiou-me e fez-me estar sempre atento ao seu percurso. O meu Pai, assim como a minha irmã, nunca perdoaram ao Independente e a Paulo Portas a forma como destruíram esta grande portuguesa. Nunca os culpei por tal pois nunca achei grande piada ao assassinato do mensageiro.

 

Regressando a esse dia. Por dever de ofício tinha de discursar para cerca de 600/700 almas, boa parte das quais gostavam tanto de mim como eu do Benfica. Mas tinham que me gramar pois assim ordenara o “árbitro”. Eu, um puto reguila e inconsciente, estava absolutamente tranquilo. Só quando vi entrar Leonor Beleza e dirigir-se a mim para me cumprimentar fiquei todo a tremer e lembro-me que fui arranjar “lata”, sei lá onde, para lhe dizer o quanto a admirava e o desejo de a ver, um dia, a liderar o destino do país. Nunca mais nos voltamos a cruzar. Ao longe, continuei a observar o seu percurso e a admirar a sua coragem.

 

Hoje, ao ler este texto de Fernanda Câncio, recordei esse dia. Não escondo, fiquei emocionado. Um elogio destes vindo de alguém ideologicamente tão distante de Leonor Beleza não apenas engrandece Leonor como igualmente a autora da prosa. A minha vénia.

Revisão Constitucional do PSD:

O Projecto de revisão constitucional diz, de forma a não deixar quaisquer dúvidas, que o acesso à educação e à saúde não pode, em caso algum, ser recusado por insuficiência de meios económicos.

 

No actual sistema, a gratuitidade é ilusória. Na verdade, no total de despesas no consumo das famílias Portuguesas, em média, 8% é destinado a saúde, a taxa mais alta da Europa. Então, o Serviço Nacional de Saúde não é gratuito ou tendencialmente gratuito? Como explicar , então, que os Portugueses são aqueles que mais dinheiro gastam em saúde?

 

Este projecto em nada afecta os direitos dos portugueses ao acesso à saúde. Antes pelo contrário, disciplina-o a favor de quem mais precisa. Quem pode paga para quem não pode não pagar.

 

Artigo da proposta:

 

Artigo 64º (Saúde)

1. ...

2. O direito à protecção da saúde é realizado:

Através de um serviço nacional de saúde universal e geral que tenha em conta as condições económicas

e sociais dos cidadãos, não podendo, em caso algum, o acesso ser recusado por insuficiência de meios económicos;

Pela criação de condições económicas, sociais, culturais e ambientais que garantam, designadamente, a protecção da infância, da juventude e da velhice, e pela melhoria sistemática das condições de vida e de trabalho, bem como pela promoção da cultura desportiva, escolar e popular, e ainda pelo desenvolvimento de práticas de vida saudável.

3. ...

a)...

b) Garantir uma racional e eficiente cobertura de todo o país em recursos humanos e unidades de saúde e promovendo a efectiva liberdade de escolha;

c)...

d)...

e)...

f)...

4. ...

Serviço Público - Um blog:

A raríssimas é uma associação sem fins lucrativos que se destina a apoiar doentes com patologias raras. O que quer dizer que é uma associação que apoia doentes aos quais o SNS normalmente não consegue dar resposta.


É um projecto da Paula Brito e Costa (mãe de uma criança que veio a morrer com uma doença rara). A madrinha da associação é a Maria Cavaco Silva e a raríssimas tem ainda o apoio da Leonor Beleza e da SIC Esperança, entre outros.

 

Visitem o blog desta Associação.

O valor da vida humana:

 

O muito portuense espírito de tertúlia ainda resiste. Um grupo de três dezenas de portuenses reúne-se, mensalmente, à mesa da “Cafeína Wine & Tapas”. A última tertúlia teve como tema “O Caos”.

 

A este grupo pertencem vários médicos, alguns advogados e economistas, inúmeros professores universitários, empresários, jornalistas e magistrados.

 

Nessa tertúlia, cujo último encontro foi esta semana, fiquei a conhecer um caso verídico (do qual omito alguns pormenores por deveres, óbvios, de reserva de privacidade) paradigmático da problemática dos custos do Serviço Nacional de Saúde.

 

Sucintamente: Um doente esteve ligado a uma máquina durante cerca de seis meses enquanto esperava por um transplante. Findo esse período surgiu o esperado órgão. A taxa de sucesso deste tipo de transplante é deveras reduzida. Sem contar com a operação de transplante, este caso custou ao SNS 1,5 milhões de euros (trezentos mil contos em moeda antiga). Mais de 70% do orçamento para 2010 desse departamento foi consumido num único caso.

 

Explicava-me um médico: se fosse em Inglaterra, a máquina teria sido desligada ao fim de 10 dias e o paciente teria morrido. Motivo: ser financeiramente incomportável. Já um outro explicava: este custo terá como implicação, por motivos orçamentais, o não tratamento de outros doentes.

 

Ora aqui está um bom tema para discussão. Como resolver estas questões num país remediado e que vive numa crise profunda não existindo dinheiro para tudo? Qual o melhor sistema, o nosso ou, por exemplo, o inglês?