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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

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Uma excelente escolha.

Congratulo-me pessoalmente com a escolha e subsequente eleição de Assunção Esteves para Presidente da Assembleia da República. Assunção Esteves tem um currículo profissional impressionante, tendo sido ainda muito jovem eleita Juíza do Tribunal Constitucional onde produziu excelentes acórdãos. É a escolha ideal para Presidente da Assembleia da República na altura mais difícil do nosso sistema democrático onde o quadro constitucional irá seguramente ser posto à prova.

 

O país devia ter sido por isso poupado ao episódio Fernando Nobre, cuja candidatura se pretendeu justificar apenas com o facto de ser independente. Mas se o PSD tem militantes com as qualidades de Assunção Esteves, cabe perguntar para que é que precisa de andar em busca de independentes.

O falhanço da eleição de Fernando Nobre

Conforme várias vezes escrevi nestre blogue, a candidatura de Fernando Nobre pelo PSD era um erro político colossal. Conforme se viu pela comparação dos resultados do distrito de Lisboa com o total nacional, Fernando Nobre não trouxe um único voto ao PSD e provavelmente até fez perder alguns votos em Lisboa. E era um erro ainda maior apresentá-lo desde o início como candidato a Presidente do Parlamento. Era evidente a falta de perfil político de Nobre para o cargo e sabendo-se que a votação era feita por escrutínio secreto dos deputados, era muito provável que Nobre não fosse eleito, conforme se verificou. Nobre nem sequer conseguiu ter os votos de todos os deputados do PSD. E esse resultado é péssimo, porque vem estragar completamente algum estado de graça que tinha sido conseguido depois das boas escolhas efectuadas para o Governo e a rapidez com que foi constituído.
O que também é fonte de perplexidade é que o PSD e o CDS não se tenham entendido para apresentar um nome consensual para o cargo. É evidente que o cargo de Presidente da Assembleia é fundamental para o bom funcionamento da coligação. Historicamente o colapso da AD começou a evidenciar-se em 1981 precisamente pelas dificuldades que Oliveira Dias teve em ser eleito Presidente da Assembleia da República à primeira volta. Deveria ter-se evitado a repetição dessa experiência histórica, tanto mais que as declarações desastradas de Nobre sobre a sua renúncia ao cargo, caso não fosse eleito Presidente da Assembleia da República, indiciava um sentimento de rejeição por parte dos restantes deputados.
Por outro lado, esta imagem de um Parlamento em que se insiste em sucessivas eleições para fazer passar um nome que os deputados sucessivalmente rejeitam é péssima numa época de crise do regime e descrédito das instituições. Fernando Nobre deveria perceber isso, cumprir a sua palavra e renunciar de imediato.