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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

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"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

A Pronúncia do Norte:

 


 

 

 

 

 

Nos últimos anos a “N” melhorou imenso e jornalistas como o Daniel Catalão, Carlos Daniel, Hugo Gilberto, João Adelino Faria, entre muitos outros e em especial, a equipa de jovens jornalistas que apresentam os diferentes blocos de notícias, marcaram a diferença pela positiva. Acresce um conjunto de programas que se afirmaram no panorama televisivo da cabo – um bom exemplo veio do “A Liga dos últimos”. Em suma, a RTP-N está no bom caminho.

 

Porém, diz-me a experiência, que quando assim é, quando as coisas começam a resultar a Norte, surge uma decisão superior, vinda das profundas do inferno, que decide acabar com os projectos e deitar tudo a perder. Uma espécie de castigo divino. Por isso já estou a temer pelo futuro da “N”. Está a ficar demasiado boa para agradar a certas almas.

 

 

Isto foi escrito por mim no passado dia 27 de Março...

 

Nos últimos dias ficamos a saber que a RTP-N foi decapitada. Pois. Embora concorde com parte do que o Carlos disse hoje ao Público não posso deixar de lhe dar um ligeiro puxão de orelhas (ligeiro só pela amizade que nos une): É verdade que o Norte está a perder voz na comunicação social? É e não é. É verdade quando se olha para os casos RTP-N ao para o Público mas deixa de o ser quando se vê nascer o semanário Grande Porto ou o reforço do JN (com o JN Cidades, com os novos comentadores como o Prof. Marcelo - e o próprio Carlos ) e, sobretudo, com o Porto Canal.

 

Eu sei, bem sei, se sei, que a perda de influência do Norte na RTP (e restantes televisões) é nítida e grave. Como se combate? Simples. Em vez de estarmos sempre a bramir contra o centralismo, investimos criando os nossos próprios meios e o Porto Canal é disso o melhor exemplo. Todo o cão e gato o criticavam mas vejam bem, agora todos o querem e todos o desejam. Paulatinamente, afirmou-se como importante meio de comunicação. Na minha profissão, aqui no Norte, sempre que o Porto Canal não aparece num evento já se dá pela sua falta e dá direito a puxão de orelhas à equipa de comunicação que o organizou. É a melhor prova da sua importância.

 

Por isso, caro Carlos, eu compreendo as tuas palavras mas não posso perdoar a omissão. O Porto Canal, os nossos media na região, são a solução para o problema. Se não formos nós a tratar dos nossos problemas, ninguém o fará. Essencial é continuarmos a lutar para o seu crescimento e para o surgir de novos projectos filhos da nossa pronúncia, a pronúncia do Norte.

E de repente...

…tudo parece estar a mudar.

 

 

 

 

 

Primeiro foi a notícia da compra do Porto Canal pelo F.C. Porto e pelo LPM. Pelo que já surgiu na imprensa temos uma aposta clara neste canal de televisão aproveitando as sinergias óbvias de uma associação com o F.C.Porto (em audiências e em massa crítica) e a experiência de Luís Paixão Martins.

 

Agora é a hipótese do Prof. Marcelo Rebelo de Sousa se transferir para o Jornal de Notícias e numa página de enorme relevância. O Norte precisa de um Jornal de Notícias forte e uma aquisição como esta é muito importante para a afirmação do JN. A estas duas novidades podemos somar a recente criação da Rádio 5, uma rádio regional fruto da união entre várias rádios locais e cujas respectivas frequências já chegam a boa parte do Norte (de Aveiro a Viana do Castelo, toda a Grande Área Metropolitana do Porto, boa parte do Minho e ainda Viseu).

 

O Porto Canal na televisão, a 5 na rádio e o Jornal de Notícias na imprensa escrita são fundamentais para toda a Região Norte. São boas notícias e uma aparente mudança estratégica no panorama da comunicação social em Portugal.

 

Finalmente.

A notícia do dia:

 

 

 

 

Numa altura em que o Sporting procura uma nova liderança e se multiplicam as promessas de milhões nada como olhar para um exemplo sem igual de gestão desportiva: o F.C. Porto e Jorge Nuno Pinto da Costa.

 

Ao longo das últimas décadas, ao contrário dos seus adversários, a estabilidade directiva e de filosofia de gestão desportiva do F.C. Porto, pela mão de Jorge Nuno Pinto da Costa, permitiu ao clube atingir a liderança nacional e afirmar-se internacionalmente. Poucas marcas em Portugal podem, hoje, gabar-se de tal.

 

A notícia de hoje, no Diário Económico, da compra do Porto Canal pelo F.C. Porto e pelo Luís Paixão Martins é mais um passo firme numa estratégia de gestão exemplar. Quando a MEO lançou a Benfica TV (e queria, igualmente, uma Sporting TV e uma F.C. Porto TV), o SLB preferiu um canal mono, ou seja, para os adeptos e, entre estes, os mais ferrenhos dos ferrenhos. É uma estratégia possível mas redutora.

 

O F.C. Porto preferiu seguir outro caminho. Esperar e na melhor oportunidade juntar o melhor de dois mundos: ter um espaço próprio televisivo mas como “acrescento” de audiência a um espaço mais generalista e vocacionado para uma região, a sua região. O Porto (clube) é mais do que a sua região? É. Mas estas são as suas raízes. O Barcelona é mais do que a Catalunha? É. Mas essas são as suas raízes e por isso a sua relação especial com a CTV3.

 

Ao escolher adquirir o Porto Canal mantendo a sua linha regional o FCP escolheu o caminho certo. Em vez de criar um canal de raiz dedicado aos ultras, aproveita o que já existe acrescentando-lhe conteúdos (transmissões das modalidades amadoras, p.e.) potenciadores de audiência. Ao preferir esta estratégia, Jorge Nuno Pinto da Costa demonstra estar, uma vez mais, à frente do seu tempo.

Quem fiscaliza o fiscalizador? Quem audita o auditor? Quem mede o medidor?

 

Imaginem que trabalham na área de comunicação e que a vossa esfera de influência é o Grande Porto. Ora façam só um esforço.

 

Os dados são claros: em praticamente todos os cafés existe um Jornal de Notícias, um diário desportivo “O Jogo”, as respectivas revistas de um e do outro sem esquecer os casos em que o Rádio está ligado, invariavelmente, a Festival, a Renascença ou RFM, a Nova Era nos casos de clientela mais jovem e a nova Rádio 5 (em substituição da Lidador, Mar, Trofa, Voz de Santo Tirso) nos concelhos vizinhos a norte do Porto. Depois, como são pessoas atentas, escutam histórias magníficas no Metro sobre a D. Maria da Conceição da padaria que foi ao canal do Porto e ficou com uns dentes novos. Ou a D. Lurdes que esteve ao telefone com a Rosa Bella no final da noite, naquele canal do Norte. Mais atrás, um grupo de estudantes fala sobre o aquário e não é de peixinhos que fala mas de música. Os senhores de chapéu e de idade avançada falam no Fados Vadios e naquele historiador que é um “sinhor”, o Joel, do canal do Porto. Entretanto, ao tomar um cimbalino, mesmo ao seu lado, uns “entas” engravatados falam num programa qualquer de debate político onde apareceu o Vereador lá da Câmara. Mais atrevidotes, falam do vestido curto da Rosa Carvalho, no programa de ontem. “Qual era mesmo o tema?”, pergunta o de gravata vermelha. Na mesa mais ao fundo um trintão com o “Jogo” na mão considera que o Serrão é o maior e ninguém defende o FCP como ele. Na feira de Pedras Rubras duas vendedoras disputam o título de fã número um do Ricardo Couto e no Bolhão criticam aqueles jovens mal acabados que fazem o programa Bolhão Rouge enquanto o homem do talho avisa que a filha vai ser entrevistada no Porto Alive. Nas sedes dos diferentes partidos discute-se quem defendeu melhor a sua dama no telediário.

 

Pois é, meus caros, estou a falar do Porto Canal, a única televisão que se preocupa com o que se passa no Grande Porto, em Braga, em Vila Real e em todo o Interior Norte. A mesma que hoje bateu com a porta fartinha do sistema de audiometria da Marktest numa região onde menos de 50 aparelhos medem a audiência do canal mas onde tudo quanto é cão e gato se pela por lá aparecer – deve ser por ninguém ver. A mesma Marktest que consegue fenómenos como este: quando o Porto Canal apenas estava na ZON tinha 2% de share mas quando a Marktest, por pressão dos grandes canais generalistas mudou o painel de espectadores, o share caiu, da noite para o dia, para 1% (metade) e não satisfeitos com este facto ao mais puro estilo fantasioso, quando além da ZON o Porto Canal surgiu igualmente no MEO a audiência baixou para 0,6% tendo aumentado o número de potenciais clientes em 30%. Ele há coisas fantásticas, não há?

 

Por isso, o Porto Canal fez hoje o que lhe competia. Quem não se sente…Agora só espero que os líderes de opinião do Norte façam o seu papel e não se limitam a meter uma cunha ou fazer um telefonema para aparecer no Porto Canal. Se ninguém o vê, não percebo tanta vontade de nele aparecerem…

 

Nota: Pois, para perceberem o que escrevi no início ficam a saber que o JN é líder de vendas na região e o Jogo é mais lido no Grande Porto e Norte que no resto do país e as rádios citadas idem. Com uma diferença, o JN e o Jogo provam através das vendas. As rádios dependem do mesmo sistema da televisão mas ainda mais estranho com constantes e inexplicáveis flutuações. Estilo "ao gosto do freguês"...

AVISO:

Hoje, pelas 19h, no Porto Canal, uns tipos vão falar sobre Presidenciais, um perigoso centralista, o Orçamento de Estado e outros temas a evitar.

Fujam!!!