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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

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"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

Shame on Greek Police Forces

 

Merece censura a forma como a polícia grega tem actuado perante as manifestações populares de desagrado pelos sucessivos planos de austeridade. A Grécia está a ser vítima da infiltração de extremistas anti-democracia que seguem à risca o princípio do "quanto pior, melhor". Os incêndios provocados e a destruição urbana são na sua maioria da responsabilidade dos extremistas. A polícia, no entanto, contra-ataca sobre todos. Não pode ser. A polícia e os serviços secretos deveriam prevenir e manter o terrorismo debaixo de olho. Em vez disso, reagem excessivamente contra toda a gente.

 

Depois, as opiniões que indignam: ler que os gregos não são, ao contrário dos portugueses, um povo de "brandos costumes" e que, isso sim, são mais violentos e com mais sangue na venta e na guelra. O que se passa na Grécia não é uma questão de "temperamento nacional" mas de infiltração terrorista. E o tipo, orientação política e virulência dos grupos extremistas depende mais da História específica de cada país do que do seu "temperamento".

 

 

[A cienciazinha dos "temperamentos nacionais" faz-me sempre lembrar uma certa antropologia que se praticava no séc. XIX: uma pseudo-ciência que, a maior parte das vezes, acabou muito mal].

Bracara Augusta

 

Pouco passava das duas da manhã. A RTP-N estava em directo do Aeroporto Francisco Sá-Carneiro na Maia. A brava equipa do Braga regressava a casa depois de uma noite de gala em Sevilha. O povo esperava os heróis dos tempos modernos. O jornalista Hugo Gilberto (RTP) descrevia o cenário e entrevistava os diferentes protagonistas – o povo que antecipou o S. João de Braga e os obreiros da alegria. Eu estava em casa a fazer as pazes com Braga, uma velha história estilo “feios, porcos e maus” passada nos idos de oitenta por causa de um jogo de andebol.

 

No exterior do Aeroporto o povo rodeava os jogadores e a respectiva camioneta com a euforia própria destes momentos. Era um mar de gente e muitas, mesmo muitas, crianças. A RTP continuava em directo. De repente, as atenções precipitam-se para uma outra zona onde a polícia rodeava um adepto do Braga. Umas chapadas aqui, outras acolá, uma mulher descontrolada, uma criança a gritar no colo do pai e a nítida sensação, para quem assistia pela televisão, que dois ou três policias tinham perdido a calma. Por sua vez, Hugo Gilberto, em directo, descrevia a situação enquanto o seu operador de imagem é afastada, pela força, por um dos polícias exaltados. Desde já duas notas: a qualidade do trabalho de Hugo Gilberto (só se admira quem o não conhece) e o elevado profissionalismo do seu operador de imagem que mesmo agredido continuou a fazer o seu trabalho.

 

Obviamente, não conheço os pormenores que levaram a polícia a ter de usar a força numa situação como esta. Só sei aquilo que vi em directo e já tenho anos suficientes de futebol e já passei por tantas situações complicadas nestes ambientes que sei bem a complexidade do trabalho das forças de autoridade nestes “apertos”. A forma como actuaram foi bastante arriscada e tiveram muita sorte. A maneira como lidaram com a mulher, com o operador da RTP e com todo o ambiente circundante podia ter transformado a justa festa dos bracarenses numa autêntica batalha campal de proporções graves. Os meios policiais pareciam escassos – pelos relatos dos jornalistas presentes, a polícia chegou mesmo a estar rodeada de adeptos e só não descambou a sério fruto da partida das gentes de Braga rumo à sua cidade para os festejos com a equipa.

 

Por muito que custe ter de escrever isto, a verdade é uma, o Braga e as suas gentes não mereciam um fim de festa destes e mesmo sabendo que as aparências iludem, aparentemente faltou calma e profissionalismo a um ou outro agente da autoridade presente. Mesmo sabendo que uma andorinha não faz a primavera mas reconhecendo que não é a primeira vez. Bem pelo contrário.