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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

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"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

Assim não!

As declarações de Ana Gomes, hoje, sobre Paulo Portas são um perigo.

 

Todos conhecem as minhas opiniões e posições críticas sobre Paulo Portas. É com esse cartão de visita que tenho, entendo, moral para criticar o que Ana Gomes fez. As acusações da eurodeputada socialista fundamentam-se em quê? Existem provas do que afirma? Foi Paulo Portas condenado judicialmente? Caso contrário, estamos perante um ataque pessoal de uma gravidade sem paralelo.

 

Ou Ana Gomes prova o que afirma ou, espero, Paulo Portas e o CDS terão de agir judicialmente. E já.

 

O novo Governo ainda nem foi feito e já começam os ataques pessoais. Assim não!

Legislativas (21)

A SUBIR

 

Pedro Passos Coelho. Venceu as legislativas suplantando todos os vaticínios e contrariando até o que alguns companheiros de partido antecipavam. A sua clara vitória no frente-a-frente com José Sócrates, como aqui logo se sublinhou, foi vital para que os portugueses acreditassem nele. O seu discurso de vitória, contido e sóbrio, contribuiu ainda mais para se perceber que entrámos num novo ciclo.

 

Paulo Portas. O CDS cresceu em número de votos e número de deputados, consolidando-se em áreas urbanas como Lisboa e Setúbal. Mais importante que isso: fará parte da próxima solução governativa. Um momento alto na carreira política de Portas.

 

Jerónimo de Sousa. A CDU ganha apenas um deputado mas é a única força de esquerda que resiste nestas legislativas. E alcança sobretudo um saboroso triunfo sobre um rival de estimação: o Bloco de Esquerda. A personalidade do secretário-geral comunista desempenhou um papel importante neste resultado.

 

Debates. Não há campanha sem debates. Esteve mal, portanto, um jornal que titulava recentemente em manchete "O povo não vai em debates". Pelo contrário, nestas legislativas os debates televisivos tiveram nível, substância e uma influência determinante. Com destaque natural para aquele que opôs Sócrates a Passos Coelho. Porque o povo vai mesmo em debates.

 

Fernando Nobre. Foi uma aposta arriscada de Passos Coelho para encabeçar o distrito de Lisboa. Aposta ganha: Nobre contribuiu para reforçar a votação social-democrata no principal círculo eleitoral do País (mais cinco deputados e mais 9% dos sufrágios), onde o PSD obtém o melhor resultado desde 1991, depois de ter vencido claramente um debate televisivo na TVI 24 com o cabeça-de-lista do PS em Lisboa, Ferro Rodrigues.

 

Cavaco Silva. Estaria agora a ser alvo de todas as críticas se o PS voltasse a ganhar as legislativas. A clara derrota eleitoral dos socialistas, menos de dois anos após o anterior escrutínio, confirmou que a maioria parlamentar já não correspondia à maioria sociológica do País. A dissolução do Parlamento foi, portanto, a melhor decisão que havia a tomar.

O Pecado Original de Paulo Portas

O pecado original de Paulo Portas foi ter escolhido a moralização do rendimento social de inserção como uma das bandeiras principais do partido durante uma das piores crises económicas de que há memória. Num período destes, a preocupação pelos mais pobres deveria ser ainda mais prioritária do que em tempos normais. Portas optou por acossá-los precisamente na pior altura.

 

A crise das finanças públicas era o ensejo perfeito para criticar, entre outros exemplos, o despesismo do Estado, a evasão fiscal, sobretudo a das empresas, e as grandes obras públicas. Paulo Portas optou por uma ninharia, ainda por cima uma das poucas ninharias que ajudam de modo directo e imediato aqueles que verdadeiramente mais precisam. Portas não poderia ter optado por pior política em pior momento. Depois tem ainda o desplante de afirmar que em matérias sociais está à esquerda do PSD! Em matérias sociais!

 

Quantos por cento do PIB é que ele julga que vão parar imerecidamente às mãos das famílias mais pobres? Será que Paulo Portas é capaz de responder a isto?

 

Legislativas (10)

  

 

DEBATE PAULO PORTAS-FRANCISCO LOUÇÃ

 

Francisco Louçã e Paulo Portas protagonizaram esta noite, na SIC, o mais equilibrado dos debates televisivos desta campanha. Foi um debate em que ficaram evidentes as clivagens ideológicas mas sem crispações pessoais. O presidente do CDS-PP e o coordenador do Bloco de Esquerda, ambos com longa experiência em televisão, souberam dirigir-se aos seus eleitorados específicos - jovens, desempregados e pensionistas sociais, no caso de Louçã; idosos, agricultores e portugueses da classe média-baixa, no caso de Portas. Louçã foi hábil ao associar por duas vezes o seu antagonista ao primeiro-ministro. "O seu programa é hoje o do engenheiro Sócrates", acusou o bloquista, lembrando que Portas apoiou o memorando assinado entre o Governo e o triunvirato composto por membros da Comissão Europeia, FMI e Banco Central Europeu. "O responsável pela situação a que Portugal chegou chama-se José Sócrates", demarcou-se Portas, acentuando que aprovou o memorando por absoluta falta de alternativa: "Uma declaração de insolvência do Estado português significava que Portugal era posto fora do euro e que o dinheiro das pessoas ficava a valer metade."

Portas aproveitou o início do frente-a-frente para detalhar algumas das medidas que propõe aos eleitores. Nomeadamente a concessão de um crédito fiscal às empresas que contratem novos trabalhadores neste tempo de recessão e a obrigação de as universidades avisarem os alunos para os índices de emprego dos seus cursos. Louçã também foi capaz de descer ao concreto, advogando a "criação de emprego com o impulso do Estado" na ferrovia de proximidade, em novas redes de lares de terceira idade e na reabilitação urbana. Trocaram argumentos fortes em questões como o emprego, o rendimento mínimo e a renegociação da dívida externa portuguesa. Portas aproveitou para criticar Louçã por ter recusado uma audiência com os membros do triunvirato que se deslocaram a Lisboa: "As suas ideias, deixou-as nas mãos de José Sócrates. Porque teve medo de perder votos para o Partido Comunista." Louçã deu-lhe o troco, acusando-o de "conseguir votos" à custa da diabolização dos beneficiários do rendimento mínimo, "degradando a cultura da solidariedade". E, tal como fizera no debate com Paulo Portas, voltou a mencionar o ex-ministro democrata-cristão Bagão Félix entre os que defendem a renegociação da dívida. Sem esquecer outras personalidades distantes da sua área ideológica que já exprimiram a mesma tese, como Pedro Ferraz da Costa e "o seu antigo primeiro-ministro, Santana Lopes". Palavras ditas olhando Portas com um sorriso irónico.

O presidente do CDS, mais contido do que é habitual, não hesitou em mencionar áreas de convergência com o Bloco: "Ambos votámos a favor da prescrição da unidose", acentuou. Também ele defende a "Caixa Geral de Depósitos pública", estando nesta matéria mais próximo de Louçã do que do PSD. Não deixou, aliás, de marcar distâncias em relação a Passos Coelho num cenário de uma coligação pós-eleitoral PSD-CDS. Passos só a aceita se os sociais-democratas forem os mais votados, Portas defende-a mesmo que o PS fique em primeiro nas urnas mas os dois partidos mais à direita consigam formar maioria aritmética no Parlamento.

"Os indecisos têm que votar. Eles farão a força da democracia", concluiu Louçã. Portas pareceu de acordo. Não restavam dúvidas: este debate serviu aos dois.

 

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FRASES

Louçã - «A criação de emprego tem que puxar pela economia no seu todo.»

Portas - «O primeiro-ministro que ainda nos governa tinha prometido criar 150 mil postos de trabalho.»

Louçã - «Todas as medidas que afundam a economia criam desemprego.»

Portas - «O senhor não pode enganar-se com quem está aqui. Não está aqui ninguém que congelou pensões.»

Louçã - «Paulo Portas é o único português, junto com o engenheiro Sócrates, que acha razoável pagar 30 milhões em juros.»

Portas - «O doutor Francisco Louçã não foi capaz de falar nem com o FMI, nem com o BCE, nem com a UE. Quando o meu país está à beira da insolvência, eu não fico quieto.»

Louçã - «O doutor Paulo Portas tem muito pouco respeito pelos adversários. Não me acuse de ficar quieto.»

Portas - «A renegociação da dívida não é solução.» 

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ADENDA

Por curiosidade, recordo o que escrevi sobre o debate Paulo Portas-Francisco Louçã da campanha legislativa de 2009.

Legislativas (6)

 

 

DEBATE PAULO PORTAS-PEDRO PASSOS COELHO

 

O presidente do PSD perdeu esta noite uma excelente oportunidade de invocar algumas bandeiras sociais do seu partido perante os eleitores indecisos que o escutavam. E a ocasião era até propícia para o efeito: Pedro Passos Coelho tinha pela frente, no estúdio da SIC, o líder do partido situado mais à direita no hemiciclo de São Bento. Passos preferiu, no entanto, falar de temas macro-económicos: poupança do Estado, receita adicional dos cofres públicos, taxa social única, crescimento económico, criação de emprego, um "esforço adicional" dos portugueses para a diminuição do défice das nossas contas. Questões importantes, sem dúvida. Mas insuficientes para quem esperaria do principal partido da oposição uma olhar menos economicista sobre os problemas que afligem o País. Paulo Portas, que recentemente se gabou de liderar um partido situado "à esquerda" do PSD em preocupações sociais, tinha razões para estar satisfeito quando Clara de Sousa deu por concluído o debate.

Portas e Passos mostraram-se cautelosos ao longo deste frente-a-frente. Sabendo que existem fortes probabilidades de coexistirem num governo a empossar por Cavaco Silva após as legislativas de 5 de Junho, mostraram uma notável contenção verbal que em certos momentos roçou a monotonia. José Sócrates, adversário de ambos, esteve mais ausente deste debate do que se esperava. E nos escassos minutos de real despique político a iniciativa coube quase sempre ao presidente do CDS-PP, certamente animado pelas sondagens. "Temos visto o PSD variar em muitos assuntos muito depressa", afirmou Portas, ironizando acerca da "enésima versão do PSD sobre a taxa social única" ou as posições erráticas que os sociais-democratas têm assumido em matéria fiscal. "O senhor já uma vez teve que se desdizer quando disse que não aumentava impostos", lembrou. E foi ainda mais incisivo ao apontar o dedo crítico ao partido laranja em questões agrícolas: "A política do PSD para a agricultura, nos últimos anos, foi um deserto."

Passos, aparentando mais calma do que o seu interlocutor, aludiu a uma maioria absoluta em que nem sequer no PSD já ninguém parece acreditar: na sua opinião, "não é irrealista" que os eleitores dêem aos sociais-democratas "as mesmas condições que deram ao PS no passado". Nenhum estudo de opinião sustenta tal tese. O presidente laranja sabe, portanto, que uma coligação com os democratas-cristãos constitui o maior seguro de vida política pós-eleitoral para o partido que lidera. Daí talvez a excessiva bonomia com que tratou Portas. Noutros tempos, com outros líderes, este jamais teria sido um debate entre iguais. Mas o PSD já não é o que era. E o CDS também não. Algo se vai movendo no aparente imobilismo da política portuguesa.

 

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FRASES

Portas - «As pessoas estão preocupadas em soluções para o País e não em tricas entre os políticos.»

Passos - «Um governo PS-CDS-PSD seria uma salada russa.»

Portas - «O PSD não fez o suficiente para ser premiado com o voto.»

Passos - «O programa desenhado pela troika é o preço da incompetência que tivemos durante seis anos a governar Portugal.»

Portas - «O senhor foi muleta de José Sócrates.»

Passos - «O PSD não é muleta de ninguém.»

 

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ADENDA

Por curiosidade, recordo o que escrevi sobre o debate Manuela Ferreira Leite-Paulo Portas da campanha legislativa de 2009

Legislativas (2)

 

 

DEBATE JOSÉ SÓCRATES-PAULO PORTAS

 

Pela primeira vez, que eu me lembre, José Sócrates perdeu um debate eleitoral. Foi esta noite, nos estúdios da TVI, perante um Paulo Portas em boa forma que lhe disse o essencial, olhos nos olhos: este primeiro-ministro "vive na estratosfera". Vive num país só dele, que nega a realidade quotidiana dos portugueses: a dívida pública duplicou em seis anos, há hoje quase 700 mil pessoas sem emprego, o "estado social" tornou-se uma figura de retórica, Portugal viu-se forçado a estender a mão à caridade internacional.

Incapaz de reconhecer um erro, dando continuamente o dito por não dito, sublinhando mais de uma vez que o Governo"deu o seu melhor", Sócrates começou o debate com o ar mais cordato deste mundo: "abertura" e "diálogo" foram as primeiras palavras-chaves do seu discurso. "Portugal precisa de um governo forte", declarou o líder socialista. Nem parecia o mesmo que foi incapaz de esboçar uma coligação pós-eleitoral quando venceu as legislativas de 2009 muito longe da confortável maioria absoluta de que dispôs nos quatro anos anteriores.

Sócrates nunca até hoje tinha ouvido em directo, na televisão, algumas das frases com que Portas o brindou neste frente-a-frente bem moderado por Judite Sousa. Frases que revelam uma realidade elementar: o líder socialista, chefe do Governo desde Março de 2005, "é o político responsável pelo estado a que chegámos". Mais: "Este primeiro-ministro vai perder as eleições porque as pessoas vão votar com os bolsos quase vazios."

Sócrates não tardou a perder o ar de bonomia: a natureza de "animal feroz" acaba sempre por vir à superfície neste homem incapaz de estabelecer pontes com adversários. E com isto estragou irremediavelmente a imagem de indivíduo dialogante que levara para este debate. Apertado por Portas, não resistiu a um número de fácil demagogia televisiva: exibiu uma pasta vazia dizendo que aquele era o programa eleitoral do CDS, que "ainda não existe". Com isto irritou o líder democrata-cristão e marcou certamente alguns pontos junto dos telespectadores. Mas também confirmou que não está minimamente vocacionado para o diálogo político. Sendo aliás ele o campeão dos programas eleitorais por cumprir, esta deveria ser a última das suas opções argumentativas. Lembram-se ainda daquele socialista que prometia criar 150 mil empregos, inaugurar as linhas ferroviárias de alta velocidade e pôr Portugal a crescer 3% ao ano?

 

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FRASES

Sócrates - «Da parte do PS, os portugueses não esperarão nenhuma atitude de radicalismo e sectarismo. Não deixaremos de colaborar, de definir espaços de diálogo e de compromissos com os dois partidos que subscreveram o programa da troika, com o qual o País está comprometido.»

Portas - «Portugal encontra-se numa situação de protectorado.»

Sócrates - «O Governo não pode ser acusado de não ter feito o seu melhor.»

Portas - «Eu nunca disse que não seria primeiro-ministro sem o FMI.»

Sócrates  - «O senhor deputado e o seu partido contribuíram para uma crise política ao chumbarem o PEC IV.»

Portas - «A história não começou há seis semanas: começou há seis anos, com José Sócrates. E começou porque houve uma política irresponsável.»

Sócrates - «Eu invisto no TGV, não invisto nos submarinos.»

Portas  - Para duas pessoas terem uma discussão útil é preciso que habitem a mesma realidade. O candidato José Sócrates não habita a realidade há muito tempo.»

Sócrates - «O acordo [com o triunvirato, vocábulo que Portas prefere a troika, e muito bem] preserva o modelo social em que queremos viver.»

Portas - «O candidato José Sócrates é muito competente a manipular mas não é muito competente a governar.»

Sócrates - «Paulo Portas nunca deu um contributo para que possamos reduzir a dívida, para que possamos reduzir o défice.»

Portas - «Enquanto o senhor dizia que a economia ia crescer, nós víamos a recessão a chegar.»

Sócrates  - «O programa eleitoral do CDS não existe.»

Portas - «O senhor, como candidato, mente mal.»

Sócrates  - «Não lhe admito isso.»

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ADENDA

Por curiosidade, recordo o que escrevi sobre o debate Sócrates-Portas da campanha legislativa de 2009.

Legislativas (1)

 

 

DEBATE JERÓNIMO DE SOUSA-PAULO PORTAS

 

Os debates eleitorais para as legislativas de 5 de Junho arrancaram esta noite, na RTP, opondo o secretário-geral do PCP ao presidente do CDS-PP. Foi um bom frente-a-frente: sem chavões nem retórica, sem tempos mortos. Paulo Portas e Jerónimo de Sousa surgiram em estúdio com tácticas opostas: o democrata-cristão emitiu várias declarações de simpatia em relação ao líder comunista, sem retribuição. Começou logo por lhe chamar "meu caro colega", revelou aos telespectadores que ele e Jerónimo se dão "pessoalmente bem" e chegou a lembrar que o seu grupo parlamentar votou favoravelmente uma resolução do PCP contra a degradação do salário mínimo. Prestou até homenagem ao partido da foice do martelo acentuando que "só há dois partidos que falam a sério sobre agricultura na Assembleia da República - o CDS e o PCP."

O secretário-geral comunista optou, pelo contrário, por marcar distâncias: tratou sempre o seu interlocutor por "doutor Paulo Portas" e não tardou a lembrar que o CDS é um dos partidos signatários do recente memorando de entendimento com o Fundo Monetário Internacional, o Banco Central Europeu e a Comissão Europeia. Um acordo que o PCP considera de lesa-pátria. Portas deu-lhe réplica com uma advertência que repetiu quatro vezes e se tornou a frase central do debate: "Não se engane de adversário, Jerónimo de Sousa."

Ambos veteranos de debates eleitorais, Jerónimo e Portas confirmaram méritos anteriormente revelados em televisão. O líder comunista transmite sempre uma imagem de convicção e sinceridade, apesar de não evitar a repetição de clichés discursivos que soam algo estafados - expressões como "um governo patriótico e de esquerda" e "os que menos têm e menos podem". O presidente democrata-cristão tem uma grande destreza argumentativa, bem patente quando rebateu com eficácia as soluções comunistas alternativas ao resgate financeiro de 78 mil milhões de euros, nomeadamente a venda de fundos públicos para comprar dívida pública: "Isso não excederia cinco mil ou seis mil milhões de euros. Portugal precisa quatro vezes mais que isso."

Jerónimo apela sobretudo à consolidação do seu eleitorado clássico, mais envelhecido: "Quem trabalhou uma vida inteira tem direito à sua reforma." A Portas, obviamente embalado pelas boas sondagens, interessa roubar votos tanto a eleitores irritados com a governação socialista como com a inépcia dos sociais-democratas em assumir-se como oposição credível. Lembrou que o seu grupo parlamentar nunca aprovou PEC algum e só deu luz verde ao acordo com a troika por este motivo muito simples: "Já não havia dinheiro para pagar salários e pensões."

O moderador do frente-a-frente, Vítor Gonçalves, é um bom jornalista mas falta-lhe visivelmente rodagem e rotina para uma missão deste género: em certas ocasiões mais parecia estar ali na qualidade de cronometrista. Não havia necessidade: Jerónimo e Portas são dois políticos bem experientes que nunca deixam de ter a lição estudada. Nenhum deles precisa que alguém lhes indique as horas. O líder comunista sabe que é tempo de ajustar contas nas urnas com um Bloco de Esquerda em queda contínua. O dirigente máximo do CDS não tem dúvida de que chegou o momento de regressar ao Governo, seja com quem for. Está escrito nas estrelas e tem data marcada: 5 de Junho, ao cair da noite.

 

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FRASES

Jerónimo - "Este acordo [com o FMI e o BCE] tem a assinatura do CDS para o congelamento dos salários e pensões, e para o aumento das taxas moderadoras. Não dá a cara com a careta."

Portas - "Não se engane de adversário, Jerónimo de Sousa."

Jerónimo - "Como é que os bancos, com mais lucros, pagam metade dos impostos?"

Portas - "Eu não fico parado quando o meu país fica a semanas de não pagar salários e pensões."

Jerónimo - "Há momentos em que é preciso dizer não. Não quisemos passar credencial nem reconhecer legitimidade a quem quis impor condições leoninas à nossa soberania."

Portas - "Quem manda em Portugal é o povo português que vai votar a 5 de Junho."

Jerónimo - "Ó doutor Paulo Portas, aqueles que muito dificilmente chegarão ao Reino dos Céus continuarão a estar no paraíso deixando o inferno à maioria dos portugueses."

Portas - "Eu não sou pela luta de classes. Sou pelo compromisso entre trabalhadores e empregadores."

Jerónimo - "Muitos portugueses sérios não estão no meu partido."

Portas - "Gente séria há em todos os partidos, Jerónimo de Sousa.

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ADENDA

Por curiosidade, recordo o que escrevi sobre o debate Jerónimo-Portas da campanha legislativa de 2009.