Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

O Super Ministro?

 

Na imprensa, os sinais sobre o futuro político de Fernando Nobre são distintos: alguns jornais avançam que o CDS continua a barrar o nome de Fernando Nobre para a Presidência da Assembleia da República; Por outro lado, outras publicações, avançam que o fundador da AMI deverá integrar o próximo governo, chefiando o super ministério que terá as pastas dos assuntos sociais e da saúde.

Sobre este tema, estranho bastante a posição de Paulo Portas. Em primeiro lugar, por insistir em barrar o nome de Fernando Nobre para a Presidência da Assembleia da República, mesmo sabendo que esta era uma promessa eleitoral do seu parceiro de coligação, que ganhou as eleições com 38,63% dos votos dos portugueses. Em segundo lugar, por se recusar a ter Fernando Nobre como presidente da A.R., mas aparentemente não se importar de o ter como colega no Conselho de Ministros. Caricato, não?

Entretanto, como votante em Fernando Nobre e ex-apoiante da sua candidatura presidencial, preferia vê-lo como Ministro da Saúde. Tendo por certo que este é o homem ideal para fazer as reformas necessárias no sector, fazendo-se valer das suas amplas provas dadas, ao nível da assistência médica e social, para acalmar a esquerda, que já por aí anda a gritar desesperadamente pela salvação do estado social, da saúde pública e do feriado de todos os santos.

Quinta-Feira, às 18h00, na Rádio Europa-Lisboa. A análise concreta da situação concreta, com dois alberguistas.

 

No Perguntas Proibidas (parceria com o IDP), José Adelino Maltez, Luís Paixão Martins, Mendo Henriques, e João Gomes de Almeida fazem um balanço das eleições. Uma vitória pessoal de Pedro Passos Coelho, sem esqueletos no armário; e uma derrota pessoal de José Socrates que os tinha e que fez o melhor discurso da sua vida. E contudo "Nunca tão poucos celebraram tanto". O objectivo sá carneirista de "Um Presidente, uma Maioria, um Governo" parece um sonho dos anos 80, que já pouco diz no turbulento ano da graça de 2011. A Troika anda por cá, e nenhuma comissão governativa por si só tem resposta aos graves problemas nacionais. A sociedade civil continua expectante e à procura da sua voz ou abstendo-se.

 

Às 18h00, na Rádio Europa-Lisboa, em 90.4FM (Lisboa), ou aqui para ouvir no site.

Legislativas (12)

 

PARA MAIS TARDE RECORDAR

 

Toda a regra tem excepção. Lendo a imprensa de hoje, registo que apenas dois 'analistas' dão a vitória ao secretário-geral socialista no debate de ontem com Pedro Passos Coelho: o jornalista Manuel Tavares, director do diário desportivo O Jogo, e a escritora Inês Pedrosa, directora da Casa Fernando Pessoa.

Vale a pena registar os argumentos de ambos.

Diz Tavares, escrevendo no Diário de Notícias: "Passos Coelho preferiu uma estratégia assente na ideia de explicar por capítulos que toda a crise (em especial os 700 mil desempregados) é da responsabilidade do primeiro-ministro recandidato. E José Sócrates conseguiu colocar em xeque essa estratégia, lendo do relatório e contas de uma empresa assinado por Passos Coelho no ano passado a confisssão de que Portugal set inha portado acima da média de desempenho perante a crise, durante 2009."

Diz Inês, ao Correio da Manhã: "Claramente ganha Sócrates, porque consegue dizer mais em menos tempo. Passos Coelho adoptou uma estratégia de ataque, mas não apresentou programa."

Rendo-me à evidência perante tão poderosos argumentos. De tal maneira que vou guardá-los no meu caderninho de citações. Para mais tarde recordar.

Legislativas (11)

 

 

 

DEBATE JOSÉ SÓCRATES-PEDRO PASSOS COELHO

 

Se este frente-a-frente era "o debate decisivo" das legislativas de 2011, como vinha apregoando a RTP, Pedro Passos Coelho tem motivos para estar satisfeito. Porque foi ele o vencedor deste confronto com José Sócrates. O primeiro-ministro mostrou-se, mais que nunca, esgotado e sem ideias neste embate - o seu primeiro de sempre - com o actual presidente do PSD. Tentou reeditar com Passos a estratégia que montou com eficácia perante Manuela Ferreira Leite no debate televisivo das anteriores legislativas. Objectivo: procurar conduzir a discussão para as propostas sociais-democratas, evitando assim o escrutínio ao seu Governo.

Ferreira Leite, em 2009, caiu na esparrela. Passos - que deve ter visto várias vezes o vídeo desse debate - não se deixou enredar na armadilha do secretário-geral socialista. E disse-lhe algumas das frases mais fortes que Sócrates tem escutado desde sempre. "Este foi um governo incapaz e um governo incompetente", acentuou. Sem se esquecer, desta vez, de aludir aos 700 mil desempregados: "Temos o desemprego mais elevado de sempre em Portugal."

Sócrates ainda ensaiou o habitual número de 'animal feroz'. Mas desta vez sem sucesso. Embrulhou-se, uma vez mais, na questão da taxa social única. Aludiu à crise internacional como tentativa de justificar o estado em que o País se encontra, esquecendo que até a economia grega já está a crescer e Portugal deverá ser o único país do mundo em recessão no próximo ano. E regressou a um tema já morto e enterrado, procurando atirar para cima do PSD a responsabilidade do chumbo do PEC 4. Aqui, Passos interrompeu-o sem meias palavras: "Sabe porque é que o PSD não votou o PEC 4? Porque não servia. E porque o senhor falhou o PEC1 e o 2 e o 3."

A única fase do debate em que o líder socialista conseguiu remeter o social-democrata à defesa foi na questão das posições do PSD sobre a saúde, acusando o partido laranja de pretender acabar com o Serviço Nacional de Saúde "tendencialmente gratuito", como indica a Constituição da República. Mas Passos acabou por reagir com uma contundência de que muitos não o imaginavam capaz antes deste debate: "Porque é que não tem a coragem de discutir a sua responsabilidade à frente do governo de Portugal num país que chegou praticamente à bancarrota?"

O líder socialista, a partir daí, perdeu margem de manobra: talvez se lembrasse daquele tempo, não muito recuado, em que elogiava Passos Coelho como um bom parceiro para "dançar o tango". A certa altura já não conseguia melhores argumentos do que acusar o seu adversário de "dizer mal do País" e de "utilizar expressões como bancarrota" no seu discurso político. "O senhor diz mal de tudo", concluiu.

Era um Sócrates já nitidamente fatigado que se repetia no ecrã - facto que se tornava ainda mais evidente quando era filmado em grande plano. Sem ideias, sem recursos estilísticos, sem o dom da iniciativa, sem capacidade para surpreender. Como, de algum modo, já tivesse interiorizado a derrota eleitoral. A televisão, nesta matéria, pode ser um instrumento cruel. Sócrates, que tantas vezes beneficiou dela, hoje foi sua vítima. O debate terá mesmo sido decisivo. A RTP estava cheia de razão.

 

...................................................................

 

FRASES

Passos - «José Sócrates é o primeiro-ministro que mais maldades e malfeitorias fez ao estado social. Foi o primeiro primeiro-ministro que cortou salários na função pública, que mais reduziu as prestações sociais, que elevou os custos do acesso à saúde, diminuindo as comparticipações de medicamentos, que eliminou milhares de abonos de família...»

Sócrates - «As suas propostas rompem com o consenso social na Europa.»

Passos - «Portugal é o único país da Europa que enfrenta uma recessão séria.»

Sócrates - «O senhor é responsável por ter criado uma crise política no nosso país. Essa crise política foi uma completa irresponsabilidade.»

Passos - «O senhor está agarrado ao lugar de primeiro-ministro.»

Sócrates - «O senhor quer combater o desemprego permitindo mais despedimentos.»

Passos - «O engenheiro Sócrates não gosta de ouvir falar dos resultados do seu governo nem dos 700 mil desempregados.»

Sócrates - «Por amor de Deus! O senhor diz sempre mal de tudo, diz mal do País, utiliza expressões como bancarrota...» 

Passos  - «Não é por amor de Deus. São os factos.»

 

...................................................................

 

ADENDA

Por curiosidade, recordo o que escrevi sobre o debate José Sócrates-Manuela Ferreira Leite da campanha legislativa de 2009.

Legislativas (9)

               

 

DEBATE PEDRO PASSOS COELHO-FRANCISCO LOUÇÃ

 

Foi um bom debate: Francisco Louçã e Pedro Passos Coelho olharam-se de frente, ouviram com atenção o que o outro dizia sem atropelarem discursos, evitaram o recurso a frases feitas. Respeitaram-se mutuamente, o que tem muito a ver com as expectativas geradas pelas últimas sondagens aos partidos que ambos lideram. A Passos Coelho interessava dar algum palco a Louçã, que segundo os mais recentes estudos de opinião tem visto fugir votos para o PS. O coordenador do BE tinha uma preocupação simétrica: interessa-lhe progredir eleitoralmente à custa dos socialistas, o que o inibe de transformar o PSD em adversário principal.

Neste aspecto, a estratégia de ambos foi bem sucedida. Louçã evitou acantonar-se na esquerda mais radical: um socialista da ala esquerda poderia subscrever sem reserva tudo quanto disse neste debate travado na TVI, sob moderação de Judite Sousa. Por seu turno, o presidente do PSD - apostado em pescar votos à sua esquerda - mostrou-se, algo surpreendentemente, de acordo com os bloquistas em pelo menos cinco matérias: na possibilidade de renegociação da taxa de juro do empréstimo da Comissão Europeia a Portugal, na necessidade de evitar que os reformados sejam penalizados por este acordo, nas críticas à banca por ter concedido demasiado crédito à habitação na última década, nas vantagens de haver um orçamento de Estado de base zero e na urgência de pôr o País a crescer.

Louçã esteve, no entanto, mais acutilante e objectivo do que o seu interlocutor. Passos Coelho continua a revelar alguns defeitos centrais nestes debates: gasta demasiadas palavras para dizer coisas que deviam ser ditas de forma mais simples (hoje lá voltou ao jargão tecnocrático, falando em spread e benchmark) e falta conteúdo social ao seu discurso. Diminuir a dívida do Estado é um objectivo fundamental, mas o voto dos eleitores joga-se em questões relacionadas com o quotidiano directo e concreto. Num país com 700 mil desempregados, a omissão deste tema no discurso do líder do principal partido da oposição é quase inexplicável. Tal como é o combate que hoje decidiu fazer ao programa Novas Oportunidades: ao abrir tantas frentes de ataque, acaba por não se concentrar no essencial.

O coordenador do Bloco de Esquerda marcou pontos ao confrontar Passos com o caso da Madeira, onde o PSD governa desde sempre com maioria absoluta: o Jornal da Madeira, "uma folha de propaganda do Governo" de Alberto João Jardim, "tem um défice acumulado de 50 milhões de euros". Por outro lado, acentuou, o Governo Regional "atribuiu a uma empresa do secretário-geral do PSD Madeira o aterro da baía do Funchal, obra de 40 milhões de euros" . As questões da Madeira perturbam sempre os líderes nacionais do partido laranja. Passos virou a agulha de imediato: "José Sócrates, em seis anos, duplicou o passivo das despesas públicas, que representa praticamente dois terços do dinheiro que pedimos emprestado ao exterior."

Louçã também marcou pontos ao invocar, em socorro do combate ao memorando assinado com a Comissão Europeia e o FMI, a opinião de Bagão Félix, um homem situado num quadrante político muito diferente do Bloco. O seu ponto fraco, tal como ocorreu em anteriores debates, relaciona-se com a dificuldade em explicar com precisão como renegociaria a dívida pública portuguesa.

Do lado de Passos, os melhores momentos ocorreram na primeira metade deste frente-a-frente, quando utilizou palavras duras para caracterizar o desempenho do Executivo socialista: "O Governo conduziu o País a uma penúria absoluta." Palavras que muitos portugueses certamente subscrevem. Resta-lhe recorrer com mais frequência a esta linguagem sem rodeios para concretizar o objectivo que enunciou: "O PSD tem a obrigação de ganhar estas eleições."

 

...................................................................

 

FRASES

Passos - «O País precisa de se livrar de um governo que foi incompetente e irresponsável.»

Louçã - «Este ano e no próximo ano Portugal será o único país do mundo a empobrecer.»

Passos - «Precisamos de pôr a economia a crescer.»

Louçã - «O PSD é o campeão das despesas do Estado gordo.»

Passos - «[Louçã] dá a sensação que gostaria de mudar de sociedade. Eu esforço-me por mudar a sociedade.»

Louçã - «Nas questões que afectam a vida das pessoas, não podemos viver no toca-e-foge.»

 

...................................................................

 

ADENDA

Por curiosidade, recordo o que escrevi sobre o debate Manuela Ferreira Leite-Francisco Louçã da campanha legislativa de 2009.

Legislativas (6)

 

 

DEBATE PAULO PORTAS-PEDRO PASSOS COELHO

 

O presidente do PSD perdeu esta noite uma excelente oportunidade de invocar algumas bandeiras sociais do seu partido perante os eleitores indecisos que o escutavam. E a ocasião era até propícia para o efeito: Pedro Passos Coelho tinha pela frente, no estúdio da SIC, o líder do partido situado mais à direita no hemiciclo de São Bento. Passos preferiu, no entanto, falar de temas macro-económicos: poupança do Estado, receita adicional dos cofres públicos, taxa social única, crescimento económico, criação de emprego, um "esforço adicional" dos portugueses para a diminuição do défice das nossas contas. Questões importantes, sem dúvida. Mas insuficientes para quem esperaria do principal partido da oposição uma olhar menos economicista sobre os problemas que afligem o País. Paulo Portas, que recentemente se gabou de liderar um partido situado "à esquerda" do PSD em preocupações sociais, tinha razões para estar satisfeito quando Clara de Sousa deu por concluído o debate.

Portas e Passos mostraram-se cautelosos ao longo deste frente-a-frente. Sabendo que existem fortes probabilidades de coexistirem num governo a empossar por Cavaco Silva após as legislativas de 5 de Junho, mostraram uma notável contenção verbal que em certos momentos roçou a monotonia. José Sócrates, adversário de ambos, esteve mais ausente deste debate do que se esperava. E nos escassos minutos de real despique político a iniciativa coube quase sempre ao presidente do CDS-PP, certamente animado pelas sondagens. "Temos visto o PSD variar em muitos assuntos muito depressa", afirmou Portas, ironizando acerca da "enésima versão do PSD sobre a taxa social única" ou as posições erráticas que os sociais-democratas têm assumido em matéria fiscal. "O senhor já uma vez teve que se desdizer quando disse que não aumentava impostos", lembrou. E foi ainda mais incisivo ao apontar o dedo crítico ao partido laranja em questões agrícolas: "A política do PSD para a agricultura, nos últimos anos, foi um deserto."

Passos, aparentando mais calma do que o seu interlocutor, aludiu a uma maioria absoluta em que nem sequer no PSD já ninguém parece acreditar: na sua opinião, "não é irrealista" que os eleitores dêem aos sociais-democratas "as mesmas condições que deram ao PS no passado". Nenhum estudo de opinião sustenta tal tese. O presidente laranja sabe, portanto, que uma coligação com os democratas-cristãos constitui o maior seguro de vida política pós-eleitoral para o partido que lidera. Daí talvez a excessiva bonomia com que tratou Portas. Noutros tempos, com outros líderes, este jamais teria sido um debate entre iguais. Mas o PSD já não é o que era. E o CDS também não. Algo se vai movendo no aparente imobilismo da política portuguesa.

 

...................................................................

 

FRASES

Portas - «As pessoas estão preocupadas em soluções para o País e não em tricas entre os políticos.»

Passos - «Um governo PS-CDS-PSD seria uma salada russa.»

Portas - «O PSD não fez o suficiente para ser premiado com o voto.»

Passos - «O programa desenhado pela troika é o preço da incompetência que tivemos durante seis anos a governar Portugal.»

Portas - «O senhor foi muleta de José Sócrates.»

Passos - «O PSD não é muleta de ninguém.»

 

...................................................................

 

ADENDA

Por curiosidade, recordo o que escrevi sobre o debate Manuela Ferreira Leite-Paulo Portas da campanha legislativa de 2009

Legislativas (3)

  

 

DEBATE JERÓNIMO DE SOUSA-PEDRO PASSOS COELHO

 

Foi um debate correcto e civilizado, quase cordial. Os portugueses, sobretudo nesta fase, apreciam os políticos que não transformam um estúdio de televisão num ringue de boxe. Neste aspecto, o secretário-geral do PCP e o presidente do PSD marcaram pontos esta noite na TVI. E Pedro Passos Coelho até surpreendeu ao concordar quatro vezes com o seu antagonista: sobre a dureza das medidas que deverão ser aplicadas, a necessidade de redução dos custos das empresas, as críticas à política "irresponsável" do Governo de José Sócrates e a confiança no veredicto do povo português a 5 de Junho. Pareceu mais preparado neste frente-a-frente, sobretudo nas questões macro-económicas, e refutou com eficácia a acusação de Jerónimo de Sousa sobre as responsabilidades partilhadas entre sociais-democratas e socialistas em matéria de privatizações ao exibir um gráfico colorido que apontava o PS como destacado campeão neste campeonato.

Passos Coelho teve sorte de principiante. Calhou-lhe, neste seu debate inaugural como dirigente político, talvez o adversário mais adequado. PCP e PSD não partilham eleitorado, o que ajudou a amenizar o tom da contenda. O panorama será bem diferente em futuros debates, designadamente com José Sócrates e Paulo Portas. Ainda assim, faltou algum conteúdo político à prestação do líder social-democrata. Passos transmite por vezes a sensação de estar a candidatar-se a ministro da Economia, não ao cargo de primeiro-ministro. Falta-lhe sobretudo conferir um suplemento de esperança ao seu discurso: não basta acertar no diagnóstico, como a sua antecessora, Manuela Ferreira Leite, aprendeu amargamente na campanha de 2009.

A economia constitui precisamente o calcanhar de Aquiles de Jerónimo, que parece sempre um pouco desconfortável neste tema. O secretário-geral dos comunistas manteve-se fiel aos dogmas do seu partido: é contra toda e qualquer privatização das empresas públicas, diaboliza o capital estrangeiro e alude à "renegociação da dívida" sem fornecer soluções credíveis. O ponto mais acutilante da sua mensagem centra-se nos temas sociais: é-lhe fácil colocar-se do ponto de vista dos mais desfavorecidos - um aspecto tanto mais relevante quanto o nível de vida em Portugal tem vindo nos últimos anos a divergir da média europeia. A boa utilização que faz da linguagem popular é outro aspecto interessante do seu discurso. Um exemplo: "Nas críticas ao Governo PS, só se perdem as que caem no chão."

Algumas questões importantes ficaram sem resposta concludente. O secretário-geral comunista rcusou emitir preferência entre um governo socialista e uma coligação PSD/CDS. E Passos foi incapaz de reagir convictamente quando a moderadora, Judite Sousa, o questionou sobre os motivos da sua aparente incapacidade para fazer descolar os sociais-democratas nas sondagens. "Não lhe sei dizer. Não sou analista de sondagens. Não vou deter-me nessa matéria", limitou-se a dizer.

Resposta naturalmente insuficiente, dada a importância da questão. Resta-lhe, como atenuante, ser caloiro em debates políticos. Esperemos para ver como se portará no próximo. 

...................................................................

 

FRASES

Jerónimo - «O PSD é mais troikista do que a troika

Passos - «Vamos ter nos próximos anos um programa bastante duro.»

Jerónimo - «O PSD quer transformar aquilo que é fundamental para o ser humano [água] num negócio.»

Passos - «Estamos desesperados. Não temos dinheiro [em Portugal] para pagar salários.»

Jerónimo - «Há dinheiro. Onde é que ele está? É preciso ir buscá-lo.»

Passos - «Quando um país tem que reestruturar a dívida, paga um preço elevado por isso.»

Jerónimo - «O PSD esteve sempre com esta política [do PS]. Sempre invocando o interesse nacional. O interesse nacional tem as costas largas.»

Passos - «O Estado deve meter-se cada vez menos nos negócios para ganhar força na regulação.»

Jerónimo - «[Passar do governo PS para um governo PSD] é como sair da frigideira para cair no lume.»

Passos  - «As pessoas, quando forem votar, têm que decidir se querem mudar ou não.»

 

...................................................................

 

ADENDA

Por curiosidade, recordo o que escrevi sobre o debate Manuela Ferreira Leite-Jerónimo de Sousa da campanha legislativa de 2009.

O Programa do PSD / Legislativas 2011:

Redução do número de deputados dos actuais 230 para 181;

 

Reduzir o número de entradas na Função Pública: entra um funcionário por cada cinco que saiam;

 

Fim dos Governos Civis;

 

Redução de 50% no número de assessores;

 

Diminuir para máximo de três o número de administradores em empresas do Estado;

 

Redução de quatro pontos percentuais na Taxa Social Única (superior no caso das empresas exportadoras);

 

Obrigatoriedade de o Tribunal de Contas fazer uma avaliação de todos os organismos que recebem dinheiros públicos;

 

Criação um gabinete de apoio junto dos juízes e sentenças simplificadas para crimes menos graves;

 

 

 

Em actualização Aqui, Aqui e Aqui.

Igreja Universal do Reino de Sócrates:

Nas próximas eleições legislativas, os portugueses estão perante duas coisas muito simples: ou querem a continuidade e votam claramente no PS ou querem uma mudança e votam maioritariamente no PSD. Uma coisa é certa desde ontem: a junção destes dois mundos, destas duas visões antagónicas num governo de coligação (bloco central) é impossível. O resto é conversa.

Ontem, em Santa Maria da Feira, Pedro Passos Coelho foi bem claro: “No Governo ou vai estar o PS ou o PSD; não vamos estar os dois e ninguém diga que isto não é democrático porque os portugueses é que vão escolher; Nós não nos adaptamos a tudo, nós não somos de borracha; Ninguém quer ganhar as eleições mais do que eu, mas todos os que gostam de ganhar de qualquer maneira tirem o cavalinho da chuva – eu não quero ser primeiro-ministro de qualquer maneira; Não queremos o poder pelo poder, nem o Governo a qualquer custo, queremos chegar ao Governo para poder ajudar Portugal”.

Para quem pensou que a decisão dos portugueses estava perfeitamente tomada, as últimas sondagens mostram que não é bem assim. Se é certo que em quatro sondagens, três dão a vitória ao PSD, não o é menos que essa vitória é curta. Depois de em apenas seis anos este PS ter conseguido bater recordes considerados impossíveis em tão pouco tempo, a saber: duplicou a dívida pública de 80 para 160 mil milhões de euros, o desemprego atingiu números nunca vistos, a educação está sem rei nem roque, a justiça bateu no fundo e o número diário de empresas a fechar é astronómico, mesmo assim, o PS apresenta valores acima do seu eleitorado natural (que ronda os 25 a 27%).

Uma das críticas que fazem a Passos Coelho é o facto de ele não “comunicar” tão bem como Sócrates. Hoje, em Viana, Miguel Relvas recordou que é verdade, que Sócrates é um profissional em comunicação e essa sua especialização custou-nos, em apenas seis anos, 80 mil milhões de euros.

Se repararem, para onde quer que uma pessoa se vire na comunicação social, em especial nas televisões (RTP à cabeça) ou nas rádios (TSF em destaque), aparece Sócrates com um discurso ao mais puro estilo “evangelista” de serviço. A colocação da voz, o olhar e a expressão corporal assemelha-se, imenso, com aqueles evangelistas americanos. Enganam-se os que pensam que é por acaso.

Muitos comentadores afiançam que estas eleições não vão ser fáceis para o PSD e Passos Coelho. Pois não. Mas serão bem mais difíceis para os portugueses. Nunca, como hoje, os portugueses estiveram perante tão grande desafio:

Ou se deixam levar por este estilo político copiado das estratégias comunicacionais da Igreja Universal do Reino de Deus e votam neste PS; ou preferem pensar muito bem no que se passou nestes últimos seis anos e alinham pela mudança votando PSD e Pedro Passos Coelho.

O resto, meus caros(as), repito, é conversa. Da treta.