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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

Nos vamos de tapas...

Fiquei com pena, muita pena pelo Eduardo. Ele não merecia a borrada de Queiroz quando tirou o Hugo Almeida e muito menos para meter o Danny (não lembra nem ao diabo jogar na selecção). A Espanha fez por merecer contra uma equipa que se perdeu após a primeira substituição e não mais se encontrou.

 

Ronaldo é o espelho de um certo Portugal que promete muito mas não cumpre. Depois, e quanto me custa escrever isto, temos um treinador medroso e que não consegue ver o jogo in loco: só quem não conhece o Ricardo Costa, só quem não viu o Ricardo Costa é que pode ficar admirado por ter sido expulso. Uma sanção que só pecou por tardia. Já quando jogava no Porto era um “Deus me livre” para os adeptos o seu estilo grosseiro e caceteiro. Sem classe e sem manha.

 

Enfim, perdeu quem encarou o jogo com medo, quem prefere pensar em empatar em vez de ter a necessária ambição para ganhar. Foi Portugal no seu melhor.

 

 

 

(Foto via Público: Paul Hanna/Reuters)

Portugal/Espanha:

Enviei ao meu amigo Juan uma mensagem pela manhã: "hoje vamos ter um duelo entre regionalistas e centralistas em plena África". Obviamente, Juan mesmo sendo espanhol, ou melhor, galego, vai torcer pela sua selecção. Tal como eu, mesmo sendo regionalista, vou torcer pela vitória dos centralistas. Mal ou bem e sem Scolari, é a minha selecção.

 

O Juan deve ser, conjuntamente com o nosso CAA (que esteve muito bem ontem no prós e prós), o maior regionalista que conheço. Vivendo em Portugal e casado com uma portuguesa e sendo empresário com investimentos em Portugal, ele sabe melhor que ninguém a complexidade deste centralismo asfixiante em que vivemos. Mas deixemos as coisas tristes de lado. Isso e em dia de jogo grande a notícia que conta não é o jogo do Mundial. Enfim, critérios...

 

Hoje é dia de tapas, sangria e iscas de bacalhau. Toca a brindar com um bom Porto!

 

O Golo de Lampard

Depois de saber que uns patuscos andaram na auto-estrada sem pagar portagem na África do Sul (ou seria uma SCUT?), nada como ver as teorias de Rui Santos aplicadas ao caso Lampard.

 

Confesso: depois de meses e meses a ouvir o Rui Santos, já estou com náuseas. Peço à FIFA, à UEFA, à FPF, ao Vaticano, ao Obama e a todos os outros santinhos com poder neste planeta para fazerem a vontade ao Rui Santos pois Portugal não aguenta com mais uma petição!

 

Bem, vamos lá ver o golo do rapaz:

 

 

Adenda: Realmente, isto está a ficar parecido com a nossa arbitragem...

Soufflé de Chocolate:



Uma sugestão palmada AQUI para saborear durante o Portugal - Coreia, sobretudo em caso de resultado amargo...


Ingredientes:

200 g chocolate 50% cacau
8 dl leite
400 g fécula de batata
6 gemas
10 claras
50 g açúcar baunilhado
Raspa de 1 laranja

Preparação:

Numa caçarola colocar o chocolate partido em pedaços e 5 dl de leite. Levar ao lume até ferver, misturando bem.
Dissolver a fécula de batata no leite. Juntar as gemas, mexendo bem.
À parte, bater as claras em castelo. Juntar o açúcar. Deitar este preparado na mistura de chocolate quando esta estiver fria. Adicionar a raspa da casca de laranja.
Deitar numa forma de soufflé (pode ser um pirex fundo redondo) e levar ao forno bem quente, durante uns 20 minutos.
Retirar do forno, polvilhar com açúcar baunilhado e servir ainda quente.

Crónicas do mundial (1)

O declínio europeu

Em Portugal, generalizou-se a tese segundo a qual a Europa vive em extremo declínio. A ideia está tão difundida que é quase heresia tentar a refutação. Aos 25 anos da adesão portuguesa às comunidades europeias, os discursos oficiais apontaram o dedo à falta de liderança, repetiram queixumes em relação à impotência perante as crises, criticaram os Tratados pela respectiva insuficiência e aludiram à sensação de que nada disto correu bem, apesar de ser evidente que 25 anos de adesão europeia mudaram de forma radical a nossa sociedade. E para melhor.

Depois, quando olhamos para assuntos menos triviais, como o campeonato do mundo de futebol, vemos que o declínio da Europa não existe de todo. Pelo contrário, o jogo gira em torno dos clubes e campeonatos europeus. Toda a cultura futebolística da actualidade é europeia: as tácticas, os estilos. Os jogadores são dos países, mas mesmo os sul-americanos jogam à europeia.

 

A inexistência da Europa não passa de mais um mito, como podemos constatar se olharmos para outras actividades: em todas as áreas da cultura, na ciência e tecnologia, na economia, os europeus dominam pelo menos em igualdade com os EUA. A nível político, diplomático e militar são menos fortes, mas têm a vantagem de evitar muitos problemas que a superpotência assumiu como sua responsabilidade. No entanto, nas análises dá-se primazia aos escassos factos que confirmam o mito. Está até muito difundida a ideia de que a China nos pode ultrapassar, como se a China não tivesse gigantescos problemas. 

No futebol, pelo contrário, os analistas reconhecem o esmagador domínio europeu, apesar do campeonato do mundo se realizar em África e a melhor equipa ser provavelmente a Argentina (veremos hoje). As selecções nacionais parecem viver em ciclos de estilos de jogo, tal como acontece com o capitalismo, em que não existe um único modelo, mas vários, alguns dos quais parecem estar à beira de rebentar na actual crise, como é o caso do europeu do sul e do japonês. Vivemos numa época de mudança. No futebol, acabou um período de esquemas mais defensivos e agora parece que há mais espectáculo e velocidade.

 

E como isto é uma crónica sobre futebol, queria aqui falar da estranha crise da França, apurada para este torneio com um golo ilegal. Sendo uma das potências mundiais, com jogadores criativos nos melhores campeonatos, alguns deles ausentes, a selecção francesa reúne talentos fantásticos. No entanto, a avaliar pelo primeiro jogo com o Uruguai (equipa apenas sofrível) o estilo de jogo imposto pelo seleccionador conseguiu banalizar os craques. Chato, confuso, sem chama nem invenção, o team francês arrastou-se pelo campo, inconsistente e cansado.

O jogo acabou num inglório zero a zero, apesar do frenesim das insuportáveis vuvuzelas, praga que veio tornar quase insuportável a visão de um jogo pela TV. Incomodado, desliguei o som do aparelho. E no jogo mudo apreciei melhor a coreografia inesperada dos jogadores em campo. Não percebo nada de futebol (pelo menos, não sei ver o que detectam alguns comentadores) mas julgo que as tácticas e as rotinas estão sobrevalorizadas e que a França prova isso mesmo. Às tantas, o futebol torna-se uma burocracia, quando o lado mais importante é talvez o da vontade, da superação que leva à vitória, do momento decisivo e mágico que ninguém antecipou.

 

O futebol é um microcosmos que imita muitas coisas da vida, em escala reduzida. Funciona bem como metáfora. E, neste aspecto, acho que a equipa francesa imita defeitos da mentalidade da organização da União Europeia. A selecção parece construída com base numa teia de tácticas e de equilíbrios entre prima donnas que impede a fantasia, no excesso de prudência que inviabiliza o arrojo, na debilidade de vistas curtas que favorece os tímidos. A equipa francesa tem a mesma grande ilusão da UE: o mínimo denominador comum nunca fez uma equipa grande.

 

Mas no campeonato do mundo, o declínio de um país como a França não é misturado com a ideia absurda de um declínio europeu. Na política, as fraquezas da UE são vistas como sintoma de um mal geral, em vez de se tentar perceber que a UE tem limitações, pois representa apenas 1% do PIB europeu. Por outro lado, olha-se pouco para a uniformização crescente dos europeus, que é a verdadeira medida de uma integração que acelera: o modelo do sul parece condenado e estes países terão de adoptar outro modelo, talvez o alemão; no leste, acaba o pós-comunismo e estes países serão mais parecidos com a Alemanha.

Na Europa não existe declínio, mas mudança de ciclo. Alemanha e França ganharam poderes com o Tratado de Lisboa e estão a aproveitar a crise financeira grega para aumentar esses poderes. Aliás, isso também acontece no futebol, com o triunfo de alguns campeonatos onde circula mais dinheiro e que atraem os talentos mundiais, enquanto os campeonatos de segundo patamar ficam com a função limitada de fornecer matéria-prima de jogadores menos talentosos mas mais disciplinados, que completam o onze das equipas ricas.

Os melhores campeonatos tornam-se cada vez mais interessantes e o desequilíbrio tende a acentuar-se.