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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

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"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

Porque é que o Mourinho é Importante?


 

Motown artists were advised that their breakthrough into the white popular music market made them ambassadors for other African American artists seeking broad market acceptance, and that they should think, act, walk and talk like royalty, so as to alter the less-than-dignified image commonly held by white Americans in that era of black musicians. [Aqui].


O Mourinho é importante porque dignifica os portugueses. Como é óbvio (espero) os portugueses, como qualquer nação, têm dignidade inata. Mas o Mourinho ajuda ao reconhecimento dessa dignidade.


O futebol? É um jogo divertido para praticar... jogando. E também para assistir (bebendo).

São Três da Tarde: Mourinho e Cristiano Ronaldo e Pandiani e Povo

São três da tarde: estou na dentista.

 

rvicent

 

É um lugar comum: "o José Mourinho é arrogante" é dito e ouvido por toda a parte. Já este Pandiani queixa-se que o Cristiano Ronaldo deveria ser mais humilde e, qual Sarkozy a lembrar a pequenês do Luxemburgo à comissária Redding, diz que o Cristiano deveria lembrar-se que veio de uma "pequena ilha".

 

Povo e Pandiani estão errados. Quem pelo talento, mérito, disciplina e trabalho, muito trabalho, com brio e profissionalismo atinge aqueles níveis tem todo o direito ao orgulho, um conceito cada vez mais deteriorado pela negativa (e inveja) em Portugal, país em que as pessoas gostam muito de ser e de se fazer pequeninas (excepto quando se fazem ao premiozinho afrancesado...).

Povo e Pandiani deveriam escutar ingleses, franceses, italianos e outros falar de si mesmos, das suas glórias e de serem os melhores do mundo nisto e naquilo. Ao pé desses, coitadinha da arrogância do "Special One" e coitadinho do orgulho do Cristiano Ronaldo...

É Uma da Tarde: Publicidade do Mourinho

É uma da tarde: o almoço é carne vermelha e batatas fritas.

 

rvicent

 

A última publicidade em que o José Mourinho participa é péssima. Não se percebe qual a razão que levou aqueles publicitários não só a explorarem mas sobretudo a exagerarem os sinais de avanço da idade de Mourinho. A idade, em princípio, traz experiência; e a experiência, em média, gera conhecimento. Mas para se acreditar que alguém é experiente e sapiente não é preciso forçar uma velhice que nem sequer é real. Por outro lado, nunca tinha visto olheiras assim num reclame. Já se sabe, nem todos podemos ser a Sophia Loren (ou a Ornella Muti...) mas umas olheiras daquelas nem no tempo em que os jornalistas andavam à cata das piores fotografias de Ferreira Leite... Só faltou fazerem-lhe um grande plano dos pêlos a saírem-lhe dos ouvidos!

FMI? Não, temos outra solução: Mourinho

 

 

 

 

O Presidente da República convoca uma conferência de imprensa e anuncia a demissão do governo. Enquanto não temos eleições antecipadas ele desloca-se a Madrid e tenta convencer o Florentino a emprestar o Mourinho até o novo governo tomar posse. Os mercados ficavam calmos e o FMI já não precisava de se incomodar.

 

Assunto resolvido!

 

 

 

(se a ideia não é original, não faz mal, quantos mais melhor...)

Mourinho: A Ave Rara

Antes da Final escrevi que Mourinho era um génio. Não precisei de esperar por Sábado pois tinha a certeza absoluta que o Inter a venceria. Depois da vitória brinquei com a sua ida para o Real Madrid e julgava ter terminado a prosa sobre o tema. Até ver este clip no You Tube (via Aventar).

 

 

Ao vê-lo festejar e chorar lembrei-me do Arena Aufschalke. Reparei como com ele a história se repete, apanágio dos predestinados. Hoje, como ontem, vemo-lo partir com alguma polémica à mistura. Algo só possível no estranho mundo do futebol onde é necessário para acalentar as massas criar um inimigo como sucedâneo do erro.

 

Obviamente, Mourinho teria que partir agora do Inter como no passado partiu do Porto. Evidentemente, tal como em 2004, também em 2010 era fundamental justificar a sua partida com uma qualquer traição. No meu Porto criaram o mito da amante e fizeram-lhe a vida negra nos últimos dias. No Inter falam no momento escolhido para a saída. É para o lado que Mourinho se deita melhor. O mesmo se diga quanto aos dois presidentes. Assim ele parte. Desta forma ambos se justificam perante os seus. E estes, por sua vez, criado o mito, sentem-se aliviados (“não fomos nós, foi ele”). Seja.

 

Eu admiro aqueles que sabem sair no momento certo. O meu F.C. Porto foi muito feliz com Mourinho mas depois de Gelsenkirchen era impossível fazer melhor. Sabia-o ele como o sabiam os portistas lúcidos. Infelizmente, no desporto e na política, como na vida, são raros os que sabem sair no momento certo.

 

Mourinho é uma ave rara.

Quem me ama segue-me, quem me odeia persegue-me.

É um prazer ver um líder. Um daqueles, verdadeiros. Os génios são raros e quando nascidos na nossa terra até dói de tanto orgulho.

 

Quando aterrou aqui na minha terra senti que estava perante o início de uma grande história, daquelas que nos deixam presos à narrativa do início ao fim e cujo fôlego é tal que vamos sempre, sempre atrás da próxima página, do capítulo seguinte. Foi assim que com ele chorei que nem um menino ao olhar aterrado para aquele monumento do Costinha em Old Trafford. Por ele peguei na minha Maria e num dos meus melhores amigos e rumamos, juntos, sem sombra de dúvida ao Riazor onde um misto de euforia e tristeza invadiram os meus pensamentos. Eu queria chegar lá mas sem causar dor ao irmão mais velho galego.

 

Depois foi a loucura, a total insanidade de partir com destino marcado e sem regresso aprazado, sempre a correr, estrada fora até Gelsenkirchen e voltar a chorar copiosamente. Vergonhosamente. Uma euforia, um sentimento de conquista do Mundo. De sermos verdadeiramente os maiores “carago”. Nada é racional nestas coisas, nestes momentos, nestes sentimentos.

 

Eu gosto de líderes assim, de gajos sem medo de afirmarem que são mesmo os melhores e o provarem no dia-a-dia. Aqueles que chegam a um lugar e nos dizem: Eu sou o special one e vou ganhar e tu vais ficar aí a ver ou vens comigo conquistar o Mundo? Mas vamos contra tudo e contra todos e contando apenas com os nossos. Sem tibiezas, com a coragem dos predestinados. Aqueles a quem se perdoa quase tudo. Quase.

 

Por isso lhe perdoei o facto de ter seguido outro caminho, de trocar as tripas pelos bifes. Até lhe perdoei as zangas que o levaram a fugir do banho, da festa na arena de outro azul, o do Schalke. Continuei atento, a seguir os seus passos, a vê-lo triunfar perante a mediocridade, afirmando-se sempre como o maior, o melhor, o mais capaz.

 

“Quem me ama, segue-me; quem me odeia, persegue-me” é a sua frase e como eu gostava que fosse a frase de outros líderes noutros campos. Perante a situação económica e política em que nos enredamos, precisamos de um líder, de alguém que assuma o risco, pegue o touro pelos cornos. É de um tipo assim que nós estamos, urgentemente, necessitados. Que olhe para a crise como uma oportunidade e afaste os incompetentes, os líderes de plástico actuais.

 

Um messias? Não, meus caros, algo mais terreno: precisamos de um Mourinho.