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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

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"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

Quem decide é o povo, não é o Renato.

 

Meu caro Renato: direita tudo bem, extrema nem por isso e templário muito menos. Até porque a extrema-direita, como devias saber, até é tendencialmente republicana (basta verificares que o principal partido nacional-socialista espanhol é o MSR - Movimento Social Republicano). Isto para não falar de todas as famílias reais que foram depostas, umas vezes exiladas e outras vezes mortas, pelas ditaduras do último século (de direita e esquerda).

Ditadura e monarquia são coisas que não combinam, principalmente na Europa moderna e no mundo actual (vivemos no século XXI), onde uma grande parte dos países mais desenvolvidos são efectivamente monarquias. Mesmo a tão liberal (do ponto de vista social) Holanda e os tão sociais-democratas estados escandinavos, recorrentemente elogiados pela esquerda, são monarquias.

O rei é o primeiro entre os seus pares e o seu poder emana directamente do povo - se o povo assim o desejar, óbviamente. E não foram raros os casos em que o povo foi chamado a votar para escolher a forma de chefia de estado do seu país, os melhores exemplos são os referendos feitos na Austrália e no Canadá. Em ambos os casos o povo decidiu manter a rainha. Em outros países, o povo optou pela chefia de estado republicana - o povo deve ser soberano.

Fiquei, na mesma, sem resposta à minha pergunta: porque é que os republicanos não permitem um referendo à monarquia?

Monarquia e os gostos exóticos da extrema-esquerda.

 

 

A extrema-esquerda pró-regicida com gostos exóticos, que vão da Albânia à Nicarágua, passando pela Coreia do Norte e Cuba, decidiu voltar a falar da monarquia. Se somos assim tão insignificantes, ignorantes e minoritários, gostava que me respondessem apenas a duas questões:

 

1) Porque é que ficam tão incomodados sempre que alguém fala da monarquia?

 

2) Qual a opinião desta extrema-esquerda sobre o facto do texto constitucional vetar um referendo à forma da chefia de estado? O povo não deveria ser soberano? Porque é que nunca deram a oportunidade ao povo de expressar a sua vontade pelo voto?

 

Aprender a ser democrata não é só aprender a ouvir as outras opiniões, é principalmente permitir ao povo que decida o futuro do seu país, livremente.

Congresso da Causa Real - Os dirigentes de sempre serão os dirigentes do amanhã?

 

 

Sou monárquico até às entranhas, ao ponto de achar que ninguém o deve ser de ânimo leve. Sou monárquico, nos dias de hoje, porque acredito que este é o regime que melhor se adequa ao nosso país, garantindo mais estabilidade política e uma chefia de estado independente dos partidos. Como tal, sou um monárquico que acredita no futuro da monarquia, o que é bastante raro em Portugal.

 

Conheço muitos e bons monárquicos, mas reconheço que como colectivo somos maus. Na maioria, temos uma tendência parva para nos tornarmos saudosistas manhosos, intelectuais de salão e velhos jarretas reaccionários. Achamos que estamos certos e até tenho certeza que o estamos, no entanto, achamos que as nossas opiniões se autolegitimam por obra e graça de S. Nuno de Álvares Pereira. Para nós, monárquicos, não interessa irmos para a rua, não importa comunicarmos os nossos ideais e lutarmos por aquilo em que acreditamos. O mais importante, é estarmos unidos na convicção da nossa verdade, morrendo lentamente enquanto movimento, enroscados na confortável mantinha da resignação republicana.

 

Os últimos tempos têm sido um pouco diferentes. Existiu o 31 da armada e o episódio da bandeira na Câmara Municipal de Lisboa, o IDP cresceu alicerçado na força do Professor Mendo Castro Henriques e as redes sociais serviram de fóruns de discussão sobre a monarquia. Algo mudou, infelizmente muito pouco. As estruturas monárquicas, que nos representam institucionalmente, continuam essencialmente moribundas. Os dirigentes de hoje são os dirigentes de há 30 anos e os filhos e netos dos dirigentes de há 30 anos. Não incomodamos ninguém, não trabalhamos enquanto grupo, não nos renovamos e temos uma tendência confusa de temer tudo o que venha de novo. Somos essencialmente seres politicamente confusos, hesitantes entre seguir em frente ou contentarmo-nos com o passado.

 

Não foi preciso ir ao congresso deste fim-de-semana da Causa Real, para perceber que já era hora dos dirigentes monárquicos de sempre abrirem portas à renovação, ouvirem os monárquicos do amanhã e fazerem algo para deixarmos de ser menos dia após dia.

A rainha de Inglaterra

Nunca percebi muito bem os monárquicos, mas cada um pensa como quer. Agora, este texto é um bocadinho excessivo. Aliás, como este. A ideia da superioridade dinástica de qualquer monarquia é uma questão de fé, por isso nem a vou discutir. A campanha do Corta-Fitas durante a crise tailandesa foi sintomática de como essa crença pode distorcer.

No caso dos textos do meu amigo João Távora, julgo haver vários equívocos. Em primeiro lugar, a rainha de Inglaterra não tem poder, mas é uma das pessoas mais ricas do mundo. Tem um acordo fiscal com o Estado britânico que lhe permite pagar poucos impostos, recebendo verbas do governo para sustentar as despesas da representação do Estado. Ao contrário do que escreve João Távora, estas verbas são sempre polémicas no Reino Unido, havendo despesas que não constam dos valores oficiais, por exemplo, as transferidas pelo ministério da Defesa. A monarquia recebe também dinheiro do orçamento da cultura, tendo a vantagem de preservar património britânico. Tudo isto é matéria que pode ser noticiada, até rebatida com outros factos, sem ser preciso dizer que o autor da notícia é republicano ou hipócrita.

 

O exemplo do Tratado de Lisboa é bizarro. Acontece que o referido tratado foi assinado por 27 Estados, incluindo monarquias e repúblicas. Todos os países europeus gastam dinheiro em cerimónias de carácter oficial, a nível de governos e de chefe de Estado. Se este fosse o tratado de Westminster, as cerimónias teriam sido mais ou menos idênticas, pois são padronizadas, teriam lasers e a parafernália respectiva. E, alargando o raciocínio, porque não criticar as faustosas e dispendiosas cerimónias religiosas católicas? Só as repúblicas europeias gastam dinheiro em faustos?

 

A notícia que irritou o autor de Corta-fitas foi escrita de forma idêntica em muitos jornais do mundo, incluindo espanhóis e britânicos. A monarca inglesa é uma das maiores proprietárias do seu país e uma das maiores beneficiárias das verbas da política agrícola comum da União Europeia. Fazer comparações com orçamentos de presidências da república não tem qualquer sentido. O PR português, para citar um exemplo, não possui iates nem castelos, bibliotecas e propriedades rurais. Não cobra rendas a milhares dos seus súbditos nem produz alimentos. Não tem vaquinhas e cavalos. Não é uma marca que receba direitos de imagens reais em xícaras de chá. O PR é um funcionário público eleito, sujeito a um orçamento votado pelos deputados. As famílias aristocráticas que evoluiram para monarcas constitucionais na Europa são grandes proprietárias, têm investimentos em acções e terras. Um antepassado desses reis, Luís XIV, de França, chegou a dizer, com razão: "O Estado sou eu". Nos países democráticos, a grande diferença entre monarquias e repúblicas costuma ser da conta bancária do chefe de Estado.