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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

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Retroactividade

José Sócrates anda a tentar convencer-nos de que a crise não é culpa dele, de que o desgoverno do país nada tem a haver com o PS e de que a culpa de tudo isto não é de quem decide mal, mas sim da oposição que basicamente se opôs a tudo aquilo que Sócrates decidiu para o país. Decisões estas que nos conduziram a este pântano. 

 

Confuso? Nem por isso, Miguel Relvas falou da "política do retrovisor" levada acabo pelo PS nesta pré-campanha. Eu concordo, mas vou mais longe. Gostava era que a política do próximo governo fosse retroactiva, ou seja, servisse para responsabilizar judicialmente aqueles que nos trouxeram até aqui. A culpa, na política, não pode continuar a morrer solteira.

Ok, vamos lá então falar do Editorial

O Pedro Santos Guerreiro escreveu hoje um editorial no JNegócios muito duro. Admiro imenso os seus escritos e costumo concordar com quase todos. Independentemente de concordar ou não, considero-o um excelente director e jornalista com uma carreira fantástica e digna de registo. Feito o aviso prévio, vamos ao texto de hoje.

 

O PSG (Pedro Santos Guerreiro) foi injusto e duro. Injusto para com Pedro Passos Coelho: quando o PSD avançou com o projecto de Revisão Constitucional eram mais as vozes internas a procurar que nada fosse feito do que os defensores da estratégia do Presidente. Enquanto muitos, nos quais me incluo, procuram “influenciar” o PSD a seguir, rapidamente e em força, pelo caminho da Regionalização, o Presidente do PSD continua a considerar que esse não é tema para discutir agora nem tão pouco sem um referendo que valide (ou não) a opção. Quando muitos autarcas do partido se revoltaram contra as portagens nas SCUT, Pedro Passos Coelho caminhou pelo lado agreste afirmando a sua necessidade e a sua universalidade. Ou seja, exemplos não faltam que comprovam a sua consistência e o facto de “ser guiado pela própria cabeça”.

 

O PSG foi duro na apreciação que fez de Miguel Relvas e Marco António Costa (para referir os dois casos que conheço). Tanto um como outro já foram membros de governo e com provas dadas. Se no caso de Marco António Costa o seu passado e presente como autarca responde por si e deve ser, na minha opinião, motivo de orgulho para ele e é reconhecido pela respectiva população, no caso de Miguel Relvas a sua experiência e trabalho profissional em termos empresariais coloca-o, igualmente, num patamar superior. Ora, bem sei, que estas minhas palavras não são do agrado do “politicamente correcto” mas representam aquilo que penso e aquilo que vi e vejo em cada um deles.

 

Qualquer um deles poderia, perfeitamente, exercer os cargos que PSG aponta e qualquer um deles é senhor de um currículo profissional e político bem superior aos actuais detentores das respectivas pastas. A pergunta é outra, será que o desejam? Ora, Marco António Costa já deu, recentemente, sinais que Vila Nova de Gaia é o seu principal desafio e Miguel Relvas, de igual forma, sinalizou que o seu futuro passa pelo sector empresarial privado onde está e com reconhecido sucesso.

 

Se Pedro Passos Coelho vencer as próximas eleições sendo eleito Primeiro-ministro e sendo ele, como sei que é, um homem que pensa pela sua cabeça, é livre de convidar quem entender para o seu governo. O Pedro Santos Guerreiro, mesmo sem intenção, procura neste seu editorial fazer exactamente aquilo que critica a outros: condicionar a vontade de PPC e esse é o seu erro que leva à minha discordância com o teor do dito.

 

Porque nós, caro PSG, tal como você, o que queremos “é que quem o for interrompa esta infinita tristeza de não gerar um governo de jeito em décadas” e eu acredito que com Pedro Passos Coelho isso vai acontecer e estou certo que, para tal, ele saberá escolher a equipa certa e sei que se nela incluir o MAC e o MR estará muito bem servido.

 

Mas também sei outra coisa: que aquilo que admiro em PSG é a sua frontalidade, a mesma que gosto de ter e por isso mesmo, no fundo, ambos sabemos que estes nossos escritos representam aquilo que cada um de nós pensa sobre a matéria e a ambos trará uma valente dor de cabeça por força das críticas que cada um, a seu modo e por diferentes motivos, sofrerá. Mas com isso posso eu bem e, estou certo, o Pedro Santos Guerreiro também.