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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

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"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

Quem fiscaliza o fiscalizador? Quem audita o auditor? Quem mede o medidor?

 

Imaginem que trabalham na área de comunicação e que a vossa esfera de influência é o Grande Porto. Ora façam só um esforço.

 

Os dados são claros: em praticamente todos os cafés existe um Jornal de Notícias, um diário desportivo “O Jogo”, as respectivas revistas de um e do outro sem esquecer os casos em que o Rádio está ligado, invariavelmente, a Festival, a Renascença ou RFM, a Nova Era nos casos de clientela mais jovem e a nova Rádio 5 (em substituição da Lidador, Mar, Trofa, Voz de Santo Tirso) nos concelhos vizinhos a norte do Porto. Depois, como são pessoas atentas, escutam histórias magníficas no Metro sobre a D. Maria da Conceição da padaria que foi ao canal do Porto e ficou com uns dentes novos. Ou a D. Lurdes que esteve ao telefone com a Rosa Bella no final da noite, naquele canal do Norte. Mais atrás, um grupo de estudantes fala sobre o aquário e não é de peixinhos que fala mas de música. Os senhores de chapéu e de idade avançada falam no Fados Vadios e naquele historiador que é um “sinhor”, o Joel, do canal do Porto. Entretanto, ao tomar um cimbalino, mesmo ao seu lado, uns “entas” engravatados falam num programa qualquer de debate político onde apareceu o Vereador lá da Câmara. Mais atrevidotes, falam do vestido curto da Rosa Carvalho, no programa de ontem. “Qual era mesmo o tema?”, pergunta o de gravata vermelha. Na mesa mais ao fundo um trintão com o “Jogo” na mão considera que o Serrão é o maior e ninguém defende o FCP como ele. Na feira de Pedras Rubras duas vendedoras disputam o título de fã número um do Ricardo Couto e no Bolhão criticam aqueles jovens mal acabados que fazem o programa Bolhão Rouge enquanto o homem do talho avisa que a filha vai ser entrevistada no Porto Alive. Nas sedes dos diferentes partidos discute-se quem defendeu melhor a sua dama no telediário.

 

Pois é, meus caros, estou a falar do Porto Canal, a única televisão que se preocupa com o que se passa no Grande Porto, em Braga, em Vila Real e em todo o Interior Norte. A mesma que hoje bateu com a porta fartinha do sistema de audiometria da Marktest numa região onde menos de 50 aparelhos medem a audiência do canal mas onde tudo quanto é cão e gato se pela por lá aparecer – deve ser por ninguém ver. A mesma Marktest que consegue fenómenos como este: quando o Porto Canal apenas estava na ZON tinha 2% de share mas quando a Marktest, por pressão dos grandes canais generalistas mudou o painel de espectadores, o share caiu, da noite para o dia, para 1% (metade) e não satisfeitos com este facto ao mais puro estilo fantasioso, quando além da ZON o Porto Canal surgiu igualmente no MEO a audiência baixou para 0,6% tendo aumentado o número de potenciais clientes em 30%. Ele há coisas fantásticas, não há?

 

Por isso, o Porto Canal fez hoje o que lhe competia. Quem não se sente…Agora só espero que os líderes de opinião do Norte façam o seu papel e não se limitam a meter uma cunha ou fazer um telefonema para aparecer no Porto Canal. Se ninguém o vê, não percebo tanta vontade de nele aparecerem…

 

Nota: Pois, para perceberem o que escrevi no início ficam a saber que o JN é líder de vendas na região e o Jogo é mais lido no Grande Porto e Norte que no resto do país e as rádios citadas idem. Com uma diferença, o JN e o Jogo provam através das vendas. As rádios dependem do mesmo sistema da televisão mas ainda mais estranho com constantes e inexplicáveis flutuações. Estilo "ao gosto do freguês"...