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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

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"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

O "New Deal" para a Europa.

 

Como não poderia deixar de ser, um conjunto de ex-Chefes de Estado, onde não poderia faltar Jorge Sampaio, continua a achar que há mais vida para além do défice, perdão orçamento, e vem agora apelar a um "New Deal" para a Europa, composto por um ambicioso plano de investimentos públicos em ordem a gerar emprego. À inevitável pergunta sobre quem vai pagar esses investimentos públicos, respondem que os mesmos serão financiados através de Eurobonds, o que naturalmente significará pôr os contribuintes alemães a pagar as dívidas dos outros Estados. Eu tenho achado que há um grande egoísmo na forma como a Grécia tem sido tratada, mas há limites para o que se pode pedir. Insistir no virtuosismo da contracção de dívidas num quadro de desconfiança global demonstra um sentido da realidade extraordinário.

 

Entretanto, para se ver no que darão estas propostas, já se levantam vozes na Alemanha a defender que esta abandone o euro. De facto estamos a atingir o enquadramento ideal para o surgimento de um Deutsch Mark Partei, com resultados fabulosos nas eleições alemãs. E depois da saída da Alemanha ver-se-á o que vale o euro sem ela. Pouco mais que zero. Será que ninguém tem um mínimo de bom senso?

As declarações de Jorge Sampaio.

É claríssima a estratégia que está a ser lançada de impedir a mudança deste estado de coisas, mudança essa pela qual o País há muito anseia. Agora surgem as declarações de Jorge Sampaio a apelar à "capacidade das principais forças partidárias para criarem uma plataforma de entendimento e concertação para a próxima década", excluindo que a solução esteja "em actos eleitorais". Naturalmente, para Jorge Sampaio, a solução passa pela eternização do PS no poder, sendo o PSD transformado numa sua mera muleta de apoio parlamentar. A questão é que não fizemos outra coisa nos últimos tempos e a situação do País não parou de piorar.

 

Um exemplo da plataforma de entendimento e concertação tão ao gosto de Jorge Sampaio foi o pacto para a justiça entre PS e PSD. Os seus efeitos estão à vista no descalabro do sistema judiciário do nosso país e na desmoralização total dos operadores judiciários. Haverá mais triste exemplo do que significa fazer política com base em pactos sem sentido em lugar de enveredar por reformas bem pensadas e estruturadas?

 

Diz Jorge Sampaio que Portugal "está em apuros". Faltou-lhe foi falar da sua responsabilidade como Presidente da República nessa situação. Na altura em que o Governo de Durão Barroso estava a ensaiar uma dura e necessária política de consolidação orçamental, o Presidente tirou-lhe completamente o tapete com o seu célebre discurso a dizer que "há mais vida para além do orçamento". Como acabou essa estória, é por todos conhecido: Durão Barroso foi para Bruxelas, a consolidação orçamental foi adiada para as calendas gregas, e estamos hoje no estado em que estamos. Não ficaria por isso mal a Jorge Sampaio terminar discursos como o que agora fez com as palavras cristãs: "Mea culpa, mea maxima culpa". Mas os actos de contrição são muito raros nos nossos políticos.

 

A meu ver, a questão não se resolve com "plataformas de entendimento e concertação". Resolve-se com uma mudança de política, para o que é essencial uma mudança de Governo. E ao contrário do que outros julgam, as alternativas não podem estar em construção: ou existem ou não existem. A situação como está não pode continuar. Porque um País que obriga os seus jovens a ir para a rua em protesto, porque o Parlamento anda entretido com revisões constitucionais esotéricas ou com inquéritos para saber o que se passou há trinta anos em Camarate, é um país sem futuro.