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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

Eu juro!

Que hoje, em pleno edifício da Alfândega do Porto me perguntaram: "Este rio é o Douro, não é?".

 

Eu quase morri. A minha enorme, gigantesca, consideração pela pessoa em causa (uma profissional ímpar) obrigou-me a engolir em seco e responder afirmativamente. Desconfio que foi uma provocação. Além disso, depois de ter tido duas lisboetas super simpáticas a passear maravilhadas com a minha ribeira, já mais nada me restava.

 

Sinceramente, estou a ficar velho...

Crónicas do Demo IX:

 

Um grupo de apaixonados do Douro acompanhados de jornalistas (Lusa, JN, Porto Canal e Escape) percorreram o Douro entre o Pocinho e Barca d´Alva, terminando a viagem com uma visita ao magnífico Museu do Côa.

A convite do Manuel Vaz e na companhia de Ricardo Magalhães (Missão Douro), António Martinho (Turismo Do Douro) e Gustavo Duarte (Presidente da Câmara Municipal de Foz Côa) tive o grato privilégio de passar um dia de Sábado absolutamente maravilhoso. O Douro merece uma visita prolongada e equipamentos como o Museu do Côa são fundamentais para a região. Um território maravilhoso, com paisagens de cortar a respiração e senhor de uma gastronomia excepcional.

 

 

O Douro não é só “Vinho do Porto”. É paisagem natural, é gastronomia, é património e é, cada vez mais, destino turístico de excelência. Apenas precisa, o que não é pouco, de mais e melhores infraestruturas rodoviárias e de apoio ao turismo (hotelaria, restauração, comunicação, cultura e lazer). O trabalho desenvolvido nos últimos anos merece o nosso aplauso e incentivo. A Missão Douro, o Turismo do Douro, algumas autarquias e inúmeros empresários e investidores privados estão a fazer um esforço digno de registo. Não posso deixar de salientar os empresários portugueses e estrangeiros que investem na vinha e no turismo e quero aqui sublinhar homens como o Rui Paula (DOC) e o Mário Ferreira (Douro Azul) cuja paixão pelo Douro os fez investir quando poucos se atreviam a arriscar.

A mesma paixão que vi nas palavras de Ricardo Magalhães, António Martinho e Gustavo Duarte, este último Presidente da CM de Foz Côa e um dos novos  autarcas visionários do Douro que sabem a importância do turismo para o desenvolvimento económico e social da região.

O vinho predomina no Douro mas o olival terá, necessariamente, de ser a aposta dos próximos anos permitindo reduzir a dependência da região de um só produto. Acresce o Turismo e a Cultura (Manuel Vaz e o seu Douro Film Harvest são disso exemplo). O Museu do Douro, o Museu do Côa e os inúmeros eventos culturais das diferentes autarquias da região devem funcionar em rede e a aposta na comunicação, em especial na Comunicação 2.0, permitirá uma rápida afirmação da região como um dos melhores destinos turísticos da Europa.

É necessário e fundamental que as diferentes autarquias da região do Douro se unam, a exemplo da sua região demarcada, e deixem de remar cada uma para o seu lado. Só dessa forma, com o apoio da CCDRN, conseguirão afirmar o Douro.

 

 

Por último, um apontamento gastronómico: Umas soberbas migas de peixe, seguidas de umas memoráveis migas de espargos e um estufado de javali tudo devidamente regado a maduro branco e tinto do Douro e um remate final a cargo de um pudim de amêndoa. O paraíso!

Crónicas do Demo I

 

 

 

Escrevo estas linhas chicoteado por uma "brisa" vinda do Marão. O termómetro marca 10º graus. E pensar que ontem apanhei um escaldão neste mesmo alpendre. O tempo está como a bolsa, incerto. Ou como a crise, pela hora da morte.

 

Mesmo assim, um grilo consegue cantar enquanto ao longe os cães ladram, mesmo não passando nenhuma caravana. Depois de vários dias a contemplar as estrelas e a conseguir ver os contornos nocturnos  da Serra de Sendim hoje apenas consigo verificar que a aldeia de Sendim está a crescer. Quer dizer, pelo menos em número de luzinhas na escuridão. Sinais de um progresso que enriquece a empresa de Mexia.

 

Lá longe, o sino da Igreja de Riodades comunica-nos que são 22h ao som do 13 de Maio. Modernices. A invasão das eólicas continua em marcha, qual manif da CGTP, marcando a paisagem nocturna com piscadelas vermelhas. No alto de Sendim já se marcam novos quadrados de terra remexida, ameaçadores, em linha recta com estas bandas. Dizem-me que são os pontos das novas torres de alta tensão que serão pasto para eólicas a nascer na zona. Só espero que não me passem por cima da cabeça.

 

Sinto as costas geladas e rogo pragas ao maço de Marlboro que me obriga a semelhante desdita. Mas escrever sem nicotina não consigo. Uma rã ou um sapo – não, Jonas, não vou falar mal do teu – que citadino como eu não distingue, junta-se à cantoria da noite gélida. O grilo, o sapo ou rã, os cães e um conjunto de sinfonias animais que não sei nem quem são, nem quantos são (e nem quero imaginar se estão perto de mim) acompanham-me. Isso e o ressonar da minha cadela, o animal mais preguiçoso que conheço.

 

Mais duas passas no Marlboro e um gole de escocês e desisto. Já nem sinto os dedos com tanto frio.

 

 

Vale Penela, Junho 2010