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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

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Dezasseis Anos de Prudência Ignorada

"Com o seu arzinho presunçoso e professoral, economistas, financeiros, banqueiros, filósofos e arraia-miúda vieram revelar ao indígena atónito que nada, ou quase nada, se fizera de lógico e sensato de 1990-95 para cá. (...) Infelizmente, esta constatação pede uma pergunta óbvia: em que se ocupavam os sábios que hoje com tanto gosto nos predicam, enquanto os partidos (o PS e o PSD) arruinavam o país?" escreve Vasco Pulido Valente no Público (citado aqui).

 

É muito injusto este parágrafo de VPV: desde os governos de António Guterres que vários economistas (e não só) alertaram para o despesismo e para a necessidade de corrigir os excessos das contas públicas em época de crescimento económico mundial, europeu e nacional. Guterres desaproveitou a última grande oportunidade de implementar as eternamente necessárias e nunca realizadas "reformas estruturais". Aliás, Guterres agravou em muito a situação das contas públicas portuguesas, aumentando despesa, número de funcionários e compromissos futuros do Estado numa época em que até os mais "keynesianos" recomendariam moderação orçamental. António Guterres forçou os governos seguintes - incluindo os de Sócrates - a seguirem políticas contracionistas em época de crise económica.
 
Os erros de Sócrates são sobretudo o resultado de desonestidade e populismo sem quaisquer limites, para além de um vazio absoluto de ideologia e de tino.
 
Já os erros de Guterres foram, pelo menos, a consequência de incompetência técnica pura e dura e de um olímpico desprezo por quem defendia as melhores e mais avisadas opiniões económicas.  (A enorme dose de eleitoralismo travestido do coraçãozinho de manteiga que os respectivos assessores de imagem lhe inventaram também contribuiu e muito para a prodigalização guterrista).
 
Ao contrário do que Vasco Pulido Valente afirma, já vai para dezasseis anos que uma série de economistas, mais ou menos politizados, mais à esquerda ou mais à direita, têm continuadamente alertado para o regabofe das contas públicas que veio a desembocar na presente desgraça nacional.