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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

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"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

O Comício da União Nacional:

"O PS em Matosinhos apresentou-se como um partido profundamente exaurido, como um deserto de pensamento político, de consciência crítica, de liberdade e autonomia intelectual - onde José Sócrates reina há seia anos como um eucalipto que tudo seca à sua volta; onde dominam em absoluto os aparelhistas, as clientelas de partido cartelizado, os caciques locais e nacionais e a guarda pretoriana de apoiantes de Sócrates - que transformaram o PS num partido diferente do que foi a vivência democrática a que os socialistas estavam habituados (...)

 

(...) que termina um congresso com uma sala cheia de bandeiras nacionais, onde apenas se vê uma velhinha bandeira vermelha com o punho esquerdo a amarelo. Uma relíquia dos anos 70. Sozinha. Numa sessão de encerramento que quase parecia um comício da velha União Nacional. José Sócrates, líder do PS, por mais que considere que tem condições políticas para se recandidatar a primeiro-ministro, por mais que a sua recente eleição Kim-il-sunguiana lhe dê legitimidade interna, por mais que a irracionalidade e a emoção dominem aparentemente a política, sobretudo em momentos de confronto e crise, surgiu no congresso como um homem cada vez mais só, cada vez mais cansado. Um político gasto. Sem um porjecto, sem uma ideia, sem um pensamento para o país" - São José Almeida, Público.

A cidadania chegou à política

 

Em dia de congresso do Partido Socialista, José Sócrates tentou marcar a agenda com chavões, recorrendo a um discurso eleitoralista e vitimizado, que marca o compasso da música que será utilizada até ao final da campanha. De debate no seio do PS nada se viu neste congresso, os rostos da oposição interna não se levantaram e o discurso de culto do líder mais uma vez feriu de morte um partido moribundo, agarrado a um poder que mais cedo ou mais tarde sabe que terá de largar. É pena ver o partido onde militei (não escondo este facto de ninguém) neste estado.

 

No nosso Portugal, as nossas finanças estão más, a nossa auto-estima ainda mais e a nossa classe política é olhada com desconfiança por parte dos eleitores. Nos últimos seis anos, tivemos um governo socialista que não conseguiu enfrentar os desafios que lhe foram propostos e um PSD que passou por cinco líderes, perdido em guerras internas e incapaz de fazer frente a José Sócrates.


Felizmente surgiu Passos Coelho. Que conseguiu mobilizar o PSD e que enfrenta agora o seu maior desafio: mobilizar a sociedade civil. Chegar às elites descontentes com o estado a que o país chegou e ao povo que não está disposto a fazer sacrifícios a qualquer custo e de qualquer maneira. Para isso, não lhe chega ter o apoio do seu partido. Precisa de novos rostos vindos das universidades, do associativismo, da cultura e da economia.

 

Por este motivo, fiquei contente por saber que Fernando Nobre encabeçará a lista do PSD pelo círculo de Lisboa, sendo muito provavelmente o rosto a apontar pelo PSD à presidência da Assembleia da República.

 

Votei Fernando Nobre e participei tanto quanto pude na sua campanha, muito antes das presidenciais tive o privilégio de trabalhar com ele no Instituto de Democracia Portuguesa e em todos estes momentos aprendi a admirá-lo e a tê-lo como um exemplo de um homem que foi para a política para servir o seu país e não parar servir-se a si e a quem o acompanha. Com este gesto, Pedro Passos Coelho deu um sinal de que quer realmente unir em vez de dividir, chamando a a sociedade civil para junto do seu projecto, com a esperança de governar muito para além do seu partido. Já Fernando Nobre deu um sinal de que o movimento que iniciou nas presidenciais é para continuar e que a cidadania terá finalmente lugar nos órgãos decisórios da política nacional. Bem-haja aos dois!

 

PS - Já agora um obrigado a todos por me acolherem neste Albergue!