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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

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"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

Uma Tragédia Portuguesa

 

 

 

 

O discurso de José Sócrates no primeiro dia do congresso do PS é todo um tratado.

 

Quando terminou fiquei espantado: “Será que acabei de ouvir o ainda Primeiro-ministro que governa Portugal desde 2005?”. Foi nessa altura que me recordei de um filme marcante de 2010, “Fair Game”, cuja história verídica se resume em meia dúzia de linhas: Uma agente da CIA, Valerie Plame, descobre que ao contrário do que Bush e os seus acólitos afirmavam, o Iraque não possuía nenhum programa de armamento nuclear percebendo que tudo não passava de uma falsa desculpa para uma guerra sem sentido mas com evidentes ganhos eleitorais para Bush. Ou seja, uma manipulação justificativa de uma guerra com contornos e objectivos obscuros.

 

Para acalmar os Abrantes e outras almas do mesmo calibre, deixo já o aviso para a salvaguarda das devidas diferenças, mesmo sendo elas ténues em termos de estratégia de comunicação justificativa dos meios para os fins desejados. Como hoje me dizia um amigo, com graça, o discurso de Sócrates teria sido genial se ele fosse o líder da oposição nestes últimos seis anos. Os mais distraídos chegaram mesmo a confundir e juram ter ouvido Sócrates a afirmar que o culpado da trágica situação económica é Pedro Passos Coelho que governa o país desde 2005…

 

O ainda Primeiro-ministro é um homem perigoso senhor de uma máquina de manipulação comunicacional como nunca se viu em Portugal. Ele utiliza a mesma filosofia dos ajudantes de Bush e isso foi bem visível no momento “Ó Luís, fico melhor assim, ou assim?”, não percebendo que estava a transformar uma tragédia numa comédia. Ao contrário do que alguns, inocentemente, pensam ele não está desfasado da realidade. Ele sabe muito bem, melhor do que ninguém, o actual estado do país e por o saber, por ter a perfeita noção da sua responsabilidade, prefere manipular a realidade utilizando todas as técnicas possíveis e até as que se pensava ser impossíveis.  

 

 

 

 

 

Este congresso do PS é o espelho dessa filosofia. Sem olhar a meios, sem pensar nos custos e sem respeitar o estado em que o país se encontra, a sua equipa montou um espectáculo digno dos melhores momentos do Circo Chen, uma espécie de produção estilo “Casa dos Segredos”  ao mais puro estilo “novo-rico” que ainda não sabe como vai pagar mas cujo objectivo é impressionar enganando os incautos através de uma manipulação comunicacional sem remorsos de qualquer espécie.

 

Num país civilizado, Sócrates pediria desculpa pelo que fez. Em Portugal, segue para bingo como se nestes últimos anos ele tivesse sido líder da oposição e não Primeiro-ministro.

Vale a pena apoiar

O PR After Work Norte vai procurar juntar os diferentes "Comunicadores" dispostos a participar num evento informal. Nada como aproveitar este momento especial para divulgar e apoiar três diferentes Instituições/Associações cujo trabalho merece todo o nosso apoio e que melhor local para o fazer do que este?

 

Já foi divulgada a primeira Associação, a "Animais de Rua". Nos próximos dias serão divulgadas as restantes. Não se esqueçam de aparecer por lá.

 

 

 

Fazer o que ainda não foi feito:

Por acaso concordo com esta iniciativa do Rui Calafate. Por acaso até concordo com a sua ideia. Por acaso alguns amigos e colegas de profissão não concordam. Por acaso cheira-me a polémica futura.

 

É assim que nascem as boas ideias. Alguém teria de dar o primeiro passo. Está dado. Agora é caminhar. Fico contente por ter aceite o desafio que lhe coloquei via mail. Aliás, tal como no caso dos Consultores de Comunicação, nunca percebi a demora na criação de uma Ordem dos Jornalistas.

 

Caro Rui, toca a fazer o que ainda não foi feito.

O Assessor de Imprensa e o Emplastro:

Uma coisa é substituirmo-nos aos clientes enquanto protagonistas - quando falamos em nome deles ou quando criamos palcos, argumentos, iniciativas para eles. Outra coisa é sermos nós próprios protagonistas. Ou protagonistazinhos. Dentro da nossa esfera pessoal de influência. – Luis Paixão Martins.

 

Ainda sobre os assessores, a questão das agências é um pouco diferente (segundo creio). No caso que conheço melhor - assessoria directa de uma figura político-institucional - a relação do assessor com o assessorado é de natureza mais pessoal e, em geral, quando as coisas correm mal o assessor dá a cara assumindo as responsabilidades, quando correm bem o mérito é do assessorado – Estrela Serrano.

 

 

No Facebook está a decorrer uma discussão muito boa sobre o papel do Assessor de Imprensa (dei por ela graças ao blog Lugares Comuns que está cada vez melhor, por sinal).

 

Mesmo considerando, como considero, que o assessor de imprensa (pelo menos o tradicional) já morreu não posso deixar de “meter a colher” na discussão. O assessor de imprensa não deve, salvo raras excepções e sempre que tal seja o melhor para o cliente, substituir-se a este ou, pior, procurar partilhar palco com este – sempre me meteu uma certa confusão ver um determinado cliente a falar e o seu assessor de imprensa, qual emplastro, a seu lado ou ligeiramente atrás e estrategicamente colocado de molde a aparecer no boneco. Fica-lhe mal a ele e, por tabela, ao cliente. Ou seja, uma coisa é o assessor dar a cara quando algo não corre pelo melhor outra, bem diferente, é dar a cara por tudo e mais alguma coisa. Por isso, subscrevo: “quando as coisas correm mal o assessor dá a cara assumindo as responsabilidades, quando correm bem o mérito é do assessorado” - Estrela Serrano.

 

Diferente, bem diferente, é o assessor de imprensa enquanto profissional e fora da esfera de interesses do seu(s) cliente(s) procurar fazer “marketing” da sua actividade e das suas qualidades enquanto tal. É o mercado a ditar as suas regras.

Não é diferente, ou não deve ser, o trabalho de uma agência e o trabalho de um assessor “directo”. A relação pessoal de proximidade é a chave para o sucesso tanto num caso como no outro. Ou seja, o trabalho da agência junto do cliente deverá assentar numa relação de proximidade equivalente, caso contrário, será um fracasso. Por isso defendo que o assessor de imprensa tradicional “morreu”. Hoje, é impossível exercer um bom papel de assessor de imprensa sem um conjunto de valências em áreas conexas e isso é praticamente impossível a solo. Mas essa é outra discussão.

Upload Lisboa 2010:

 

 

 

 

Foi com um largo sorriso que reagi quando ao chegar ao Porto, vindo do Upload Lisboa 2010, deparo com as luzes do Dragão, bancada a bancada, a apagar. Um final perfeito de viagem no dia em que troquei mais um espectáculo de gala no Dragão por uma palestra no muito bem organizado Upload Lisboa.

 

Uma espécie de mensagem subliminar do Dragão, estilo “Estás perdoado, pá” e no fundo até estou: sempre fui explicar, a propósito da morte do assessor de imprensa, que o consultor de comunicação é um maestro e socorri-me do exemplo de Jorge Nuno Pinto da Costa para exemplificar o que é o maestro dos maestros: Aquele que, como Pinto da Costa, pode até nem ser “grande espiga” a chutar numa bola mas sabe mais de futebol que o Mourinho e o Cristiano Ronaldo juntos.

 

Tal como aqueles jogadores que já em férias são convocados de repente para substituir um colega lesionado, eu fui chamado a comparecer no Upload Lisboa (Reitoria da Universidade Nova de Lisboa) para encerrar o mesmo com uma intervenção subordinada ao tema “A Morte do Assessor de Imprensa”. Foi uma espécie de visita de médico e dei por muito bem empregue o meu tempo: estive com o Rodrigo (o culpado), finalmente conheci pessoalmente a Jonas (já estou desculpado?) que não sei se é uma mulher do norte mas a fibra está lá toda; conheci a Ana (responsável do Facebook do Sapo) que é uma simpatia assim como a encantadora Alda Telles. Tive a oportunidade de assistir às intervenções da Maria João “Jonas” Nogueira (Sapo), do Carlos Merigo (Brainstorm#9) e do Alexandre Maron (Editora Globo). Só lamento não ter tido hipótese de ouvir o Brian Solis. A minha comunicação foi moderada pelo Armando Alves e o Nuno Ramos de Almeida esteve quase a perguntar pela fruta quando viu um determinado slide…

 

Uma nota final para destacar a Virgínia Coutinho: é fantástico verificar que ainda existe gente jovem disposta a arriscar e com muita carolice conseguir organizar eventos desta envergadura. Os meus parabéns para ela e toda a sua equipa.