"Creativity, not money, is used to solve problems" é uma frase que cai que nem uma luva - mas deveria, antes, "adaptar-se que nem um preservativo" - ao choradinho dos que se queixam da falta de subsídios. Também se adapta na perfeição a muito daquilo que o cinema de autor, cinema europeu, arthouse não é mas poderia ser.
Mas, claro está, "creatividade e não dinheiro" será também a fórmula a empregar pelos novos (espero) governantes saídos do cinco de Junho.
Os quase quinze anos de "socialismo" são a demonstração irrefutável de que deitar dinheiro para cima dos problemas só os agrava. Aliás, a própria origem de uma boa parte dos problemas é mesmo essa: demasiado dinheiro gasto para nenhum fim útil, nenhuma rentabilidade positiva, nenhum objectivo de mérito. Só elefantes brancos e monumentos aos queridos líderes.
É bom partilhar blogue com alguém que escreve ISTO. Não é, Pedro?
Quando comecei a ler nem vi quem assinava o texto. No final pensei: "que fabulosa descrição de um dos filmes da minha vida". Nesse momento fui ver quem era o autor. Surpresa. "Será o mesmo Pedro Correia com quem partilho blogue?".
Ela é a minha realizadora favorita (Sofia Copolla) e realizou um dos filmes da minha vida (Lost in Translation) e a banda sonora é assinada pelos "Phoenix", uma das minhas bandas de culto.
Estão reunidas todas as condições para uma ida ao cinema. Com ou sem pipocas.
Porque é que a França acredita ter uma espécie de monopólio da cultura? Que lugar julga aquele país ocupar no panteão da arte mundial? Quem é que os incumbiu da homologação da qualidade artística dos outros países?
Está bem: a França, enquanto pedacinho do mundo, pretende agradecer a quem presta um serviço artístico à humanidade. Afinal, eles também beneficiam. Mas... se é esta a lógica por detrás destas condecorações, quem é que eles pensam que são para se arvorarem em representantes dos interesses culturais e artísticos do mundo? Quem é que lhes deu o carimbozinho da qualidade e elevação intelectual?
Segundo o mesmo jornal, Leonor Silveira, uma das condecoradas, diz que "Ver o Governo francês olhar para a cultura portuguesa desta forma é para mim uma satisfação". Mas porque carga de água é que será para qualquer português uma satisfação que o governo francês olhe para a cultura portuguesa? O que é que nos interessa aquele olhar? Porque é que havemos de ficar "satisfeitos" quando olham para nós de cima para baixo? Porque havemos de nos auto-colocar a nós mesmos por vontade própria nesta posição inferiorzinha, baixinha, pequenina?
Os artistas portugueses deveriam sentir-se satisfeitos quando e se fizerem alguma coisa de qualidade que justifique o reconhecimento NACIONAL. E os portugueses sentir-se-ão satisfeitos quando for o Governo Português a "olhar para a cultura francesa" e a conceder-lhe umas condecorações. Podem começar pelo cê dê da Carla Bruni.
p.s.: é favor não usar o argumento de que o país não os apoia e eles não têm outra opção que não mendigarem o apoio lá fora e etcetera.