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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

Creativity, Not Money, is Used to Solve Problems

 

"Creativity, not money, is used to solve problems" é uma frase que cai que nem uma luva  - mas deveria, antes, "adaptar-se que nem um preservativo" - ao choradinho dos que se queixam da falta de subsídios. Também se adapta na perfeição a muito daquilo que o cinema de autor, cinema europeu, arthouse não é mas poderia ser.

 

Mas, claro está, "creatividade e não dinheiro" será também a fórmula a empregar pelos novos (espero) governantes saídos do cinco de Junho.

 

Os quase quinze anos de "socialismo" são a demonstração irrefutável de que deitar dinheiro para cima dos problemas só os agrava. Aliás, a própria origem de uma boa parte dos problemas é mesmo essa: demasiado dinheiro gasto para nenhum fim útil, nenhuma rentabilidade positiva, nenhum objectivo de mérito. Só elefantes brancos e  monumentos aos queridos líderes.

Lost in Translation

É bom partilhar blogue com alguém que escreve ISTO. Não é, Pedro?

 

Quando comecei a ler nem vi quem assinava o texto. No final pensei: "que fabulosa descrição de um dos filmes da minha vida". Nesse momento fui ver quem era o autor. Surpresa. "Será o mesmo Pedro Correia com quem partilho blogue?".

 

É. Fiquei duplamente satisfeito.

Somewhere

Ela é a minha realizadora favorita (Sofia Copolla) e realizou um dos filmes da minha vida (Lost in Translation) e a banda sonora é assinada pelos "Phoenix", uma das minhas bandas de culto.

 

Estão reunidas todas as condições para uma ida ao cinema. Com ou sem pipocas.

Arrabbiato com a Subservienciazinha

Noticia hoje o Expresso que "as atrizes Leonor Silveira e Maria de Medeiros, o escritor António Lobo Antunes, as fadistas Mísia e Mariza e o encenador Joaquim Benite recebem hoje o grau de Cavaleiro da Ordem das Artes e Letras de França". Esta notícia deixa-me aborrecido. Porque é que a França concede tantos prémios aos artistas portugueses? Quer apropriar-se deles?

 

Porque é que a França acredita ter uma espécie de monopólio da cultura? Que lugar julga aquele país ocupar no panteão da arte mundial? Quem é que os incumbiu da homologação da qualidade artística dos outros países?

 

Está bem: a França, enquanto pedacinho do mundo, pretende agradecer a quem presta um serviço artístico à humanidade. Afinal, eles também beneficiam. Mas... se é esta a lógica por detrás destas condecorações, quem é que eles pensam que são para se arvorarem em representantes dos interesses culturais e artísticos do mundo? Quem é que lhes deu o carimbozinho da qualidade e elevação intelectual?

 

Segundo o mesmo jornal, Leonor Silveira, uma das condecoradas, diz que "Ver o Governo francês olhar para a cultura portuguesa desta forma é para mim uma satisfação". Mas porque carga de água é que será para qualquer português uma satisfação que o governo francês olhe para a cultura portuguesa? O que é que nos interessa aquele olhar? Porque é que havemos de ficar "satisfeitos" quando olham para nós de cima para baixo? Porque havemos de nos auto-colocar a nós mesmos por vontade própria nesta posição inferiorzinha, baixinha, pequenina?

 

"Ser reconhecida desta forma é o meu agradecimento à cinematografia portuguesa e ao cinema português que tem de facto esta força e esta identidade que se faz reconhecer por este mundo fora". Oh minha querida Leonor Silveira! Se o cinema, a cultura, a arte nacionais tivessem de facto alguma força e, já agora, orgulho - nós não pedincharíamos tanto essa coisa do "reconhecimento internacional". O cinema polaco é óptimo e não está à espera de reconhecimento internacional nenhum. Se um Lars von Trier é reconhecido no estrangeiro ou não, isso a ele passa-lhe debaixo das solas.

 

 

Os artistas portugueses deveriam sentir-se satisfeitos quando e se fizerem alguma coisa de qualidade que justifique o reconhecimento NACIONAL. E os portugueses sentir-se-ão satisfeitos quando for o Governo Português a "olhar para a cultura francesa" e a conceder-lhe umas condecorações. Podem começar pelo cê dê da Carla Bruni.

 

 

p.s.: é favor não usar o argumento de que o país não os apoia e eles não têm outra opção que não mendigarem o apoio lá fora e etcetera.