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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

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"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

Onde Ficou o Brasil?

 

Há muitos, muitos anos atrás, o programa de televisão mais visto em Portugal era a telenovela brasileira da Rede Globo que passava por volta das oito e meia da noite. Actualmente, já são poucos os que vêem as telenovelas brasileiras pois as portuguesas tornaram-se as grandes dominantes dos shares e das audiências.

Nesses tempos longínquos, os pais queixavam-se de que os filhos utilizavam cada vez mais expressões e vocábulos brasileiros. Perpassava pelos mais adultos um receio mal definido de que o português se abrasileirava.

Havia uma telenovela em que dois amigos, um dos quais transava com a mãe do outro, se tratavam por "bicho". - Oh bicho! Você está a fim de tomar um chopp com a galera? - Não posso bicho, sua mãe me convidou para um drink.

Havia uma telenovela em que uma personagem de nome Eloá, que vivia aterrorizada pela presença do demónio, chamava "filhotes" aos seus filhos. Nessa altura, em que as famílias portuguesas iam passando de remediadas a classe média à medida que viam os concursos do Carlos Cruz, abriam contas no BCP e compravam casas de férias horrorosas no ainda belo Algarve - nessa altura era chic entre as mães referirem-se aos seus filhos como "filhotes".

Com o predomínio das telenovelas portuguesas, foram-se os filhotes e as transas, foram-se os caras e os drinks. Acho até que já ninguém curte.

As importações linguísticas brasileiras secaram; Portugal ficou menos cosmopolita. É pena.

Como estranha e lamentável compensação, um acordo ortográfico que nem acordo nem vontade nossos recebeu e que de forma tão torpe descaracteriza a escrita do português de Portugal impõe-se-nos agora como facto consumado. Não é nada legal.

Portugal e Brasil: uma Diferença Importante

 
Exemplos de nomes assinados por portugueses: Christiana (e não Cristiana), Ruth (e não Rute).
 
Exemplo de nome registado no Brasil: Ueslei (e não Wesley).
 
 
Os portugueses acham chique ter nomes estrangeirados, mesmo quando o estrangeiramento põe a nu não só o ridículo mas a ignorância deles (deles: dos nomes e dos respectivos assinantes).
 
Os brasileiros pegam no estrangeiro e brasileificam-no (esta palavra ainda não existe).

Quem é que tem razão? Quem tem razão é quem tem orgulho no seu país e na sua língua. Quem não tem razão é quem acha um nome vernacular menos chique ou menos bonito só por ser português. É assim tão simples? É.
 
 
Ah! as Andreias! As Andreias que acham graça a assinarem "Andrea"! Será que desconhecem que "Andrea" é um nome masculino (italiano)? Ou a graça estará nisso mesmo: ter um nome estrangeiro com o género trocado?
 
Whatever!