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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

De antologia:

Este post de Rui A. no Blasfémias. Todo um tratado sobre o CDS:

 

É compreensível a desilusão aqui patente de Henrique Raposo, que resulta, todavia, de um equívoco: o CDS nunca foi, nem quis ser, um «partido de direita sem complexos», mas, apenas e só, um partido de direita com complexos. Teve complexos de esquerda com o fundador, o sempre «rigorosamente ao centro» Diogo Freitas do Amaral, com o ministro da cultura da segunda AD, Francisco Lucas Pires, que era incensado pelas trupes «culturais» da esquerda, por quem distribuira subsídios e benesses, com o ex-ministro de Salazar, Adriano Moreira, homem que ideologicamente se fazia sempre questão de situar, não fosse o diabo tecê-las, na «democracia-cristã» e na «doutrina social da Igreja», e com toda a matilha de «democratas-cristãos» e «centristas», de Rui Pena a Luís Beiroco, que cairam nos braços do Partido Socialista na primeira oportunidade que lhes foi dada. Quando o jornalista Paulo Portas inventou, no estertor do cavaquismo, o Partido Popular e Manuel Monteiro, parecia que, mais de duas décadas após o 25 de Abril, a direita popular, liberal e conservadora poderia ter finalmente um partido que a representasse. Novo engano: Monteiro assumiu a pior tradição da direita portuguesa anti-liberal, paternalista e caudilhista, enquanto o Dr. Portas anunciou, mal chegou à liderança, em 1998, que o PP seria enterrado e o CDS ressuscitado. Nada de novo, portanto, nas recentes afirmações «esquerdistas» de Paulo Portas. É só mais do mesmo e é pena, mas não foge à rotina dos últimos trinta e sete anos.

Viva o luxo!

O insuspeito (de ser ou ter "laranjas") 5Dias publicou estes dados sobre a campanha do PS e José Sócrates neste momento de grave crise económica no país:

Ao lado da extraordinária máquina de propaganda eleitoral do PS, todos os outros Partidos, incluindo o PSD, são quase amadores. Senão vejamos:
- 5 autocarros de 55 lugares em permanência
- 20 monovolumes em permanência
- um camião tir com palco, régie e ecrã gigante e 3 técnicos
- duas estruturas independentes com equipas de 10 elementos cada uma para montagem e desmontagem de palco, dotado de sistema de som profissional estilo concerto de média dimensão
- 3 bancadas (duas laterais e uma frontal) com capacidade total para 250 pessoas sentadas
- t-shirts, sacos de pano, canetas, calendários, chapéus, edição de 6 jornais de campanha, flyers de todo o tipo e feitio, múltiplos adereços para oferta, autocolantes, etc.
- mobilização constante de dezenas de autocarros – foram pelo menos 20 no comício da Afurada, 25 no de Braga (todos da Transdev) e um número incalculável no comício do Porto de ontem.

No meio disto tudo, expliquem-me por favor como é que o PS só prevê gastar 2 milhões de euros na presente campanha eleitoral. E, já agora, quem é que vai pagar o resto…

 

O Pecado Original de Pedro Passos Coelho

O pecado original de Pedro Passos Coelho foi, há coisa de meses atrás, ter ameçado que José Sócrates teria de se demitir se decidisse recorrer à ajuda financeira externa. Se Sócrates o tivesse feito, teria tomado a decisão correcta. Se Portugal tivesse recebido a ajuda mais cedo, não teria contraído novas dívidas a taxas da ordem dos dez por cento (em quase todas as maturidades!).

 

A diferença entre essas taxas e aquelas que teriam sido oferecidas a Portugal pela tróica nessa altura são os milhares de milhões de euros de puro desperdício que os contribuintes portugueses terão de pagar por causa da casmurrice de José Sócrates. Esses milhares de milhões de euros são bem superiores ao custo reputacional de que falava Passos Coelho no caso do país pedir ajuda.

 

É verdade que o que levou Sócrates a não recorrer mais cedo à ajuda externa não foi a pressão imposta por Passos Coelho. Também é verdade que Passos Coelho estava certíssimo ao afirmar que a necessidade de ajuda externa era a prova definitiva da incompetência do governo socialista (ele não usou estas palavras mas a ideia foi essa). Mas foi um erro dar a Sócrates os incentivos errados: segundo Passos Coelho, Sócrates deveria demitir-se mal tomasse a decisão correcta e necessária.

 

Talvez que se os primeiros três PECs, aprovados com a anuência do PSD, tivessem sido integralmente cumpridos nunca se tornaria necessário o auxílio internacional. Mas já era claro, nos finais de 2010, que os PECs não estavam a ser aplicados e que, portanto, Portugal se dirigia velozmente para a ruptura financeira. A própria sequência dos PECs era sintoma da sua não implementação ou da sua insuficiência. Era notório que Portugal precisava da ajuda externa.

 

José Sócrates e o Partido Socialista merecem ser responsabilizados duramente (entre muitíssimas outras coisas...) pela riqueza nacional que será perdida sem razão nem racionalidade nem proveito nenhuns em juros daquelas dívidas, a pagar agora e no futuro. E a punição eleitoral, apenas e só, é castigo demasiado leve!

 

Porém, este é um argumento que Pedro Passos Coelho já não pode, com legitimidade, utilizar na presente campanha eleitoral. Isto porque defendeu a demissão de Sócrates no caso de este tomar a medida que já se havia tornado inevitável: financiar a despesa pública não através do mercado mas por via das agências internacionais o mais cedo possível.