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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

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Qual a diferença entre aliança antes e aliança depois?

O líder do PSD, Pedro Passos Coelho, repetiu ontem claramente que, caso vença as eleições, tenciona formar um Governo abrangente, que inclua vários partidos. Além disso, as listas do PSD terão independentes, a começar pelo cabeça de lista por Lisboa, Fernando Nobre, figura que nas presidenciais atraiu 600 mil votos, sobretudo da esquerda.

Mas qual é a diferença entre fazer uma aliança depois e fazê-la antes das eleições? Sobretudo à direita. Parece difícil de entender por que motivo o PSD e o CDS não se entendem antes de 5 de Junho. Se concorressem juntos, necessitariam de menos votos para conquistar a maioria, e podiam na mesma incluir na aliança independentes como Fernando Nobre, alargando a tal convergência política sem ambiguidades para os eleitores. Seria muito mais transparente, evitando que os dois partidos se envolvessem em críticas mútuas.

 

Julgo que isso não vai acontecer, embora desconheça as razões. Mas a vitória seria muito difícil para os socialistas. Ora, como indicam as sondagens, o PS ainda pode vencer, já que o pedido de ajuda externa não parece ter tido efeito no eleitorado. Pelo contrário, existe uma tendência para a subida dos socialistas, apesar da culpa evidente que têm na situação de descalabro financeiro, apesar do espectáculo deprimente do congresso deste fim-de-semana, apesar de ser necessário um governo forte e capaz de negociar pactos de regime com as forças políticas que forem derrotadas, o que obviamente José Sócrates não vai fazer.

Muitos eleitores ainda não compreenderam a responsabilidade dos socialistas ou aquilo que aí vem. A crise não começou agora, mas resulta de erros monumentais cometidos por vários governos, sobretudo os dois de Sócrates e em particular o último.

Com uma Aliança Democrática seria mais difícil o controlo da comunicação social de que este governo dispõe; a vitória socialista era improvável; e a negociação pós-eleições tornava-se mais fácil. Essa aliança pré-eleitoral também daria maiores garantias aos credores e facilitava a negociação do acordo com a Comissão Europeia/FMI.

O PSD já se entendeu várias vezes com o CDS; são dois partidos sem diferenças ideológicas, embora rivais em muitas regiões. Quanto às declarações já feitas, às estratégias aprovadas, julgo que os dois partidos da direita podiam justificar-se facilmente, lembrando que as circunstâncias mudaram de forma radical nas últimas semanas.

 

O risco que a direita está a correr em não se aliar antes das eleições, a meu ver, é insuportável. Mais quatro anos de Sócrates e destes socialistas?

Desconheço o cálculo dos dirigentes, mas talvez esta situação calamitosa em que o país se encontra recomende algum pragmatismo, ao estilo de Henrique IV de França, cuja famosa frase "Paris vale bem uma missa" ilustra a flexibilidade e até o cinismo na política. (A propósito, este rei, na imagem, pacificou o seu país e reduziu o défice em 30%)

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