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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

Por Santiago, o do Albergue. Primeiro, como peregrino. Depois, como piloto.

 
Não passo de uma pequena minoria constituída apenas por mim mesmo e pelos que me honram ao ouvir-me ou ler-me, incluindo os que discordam do que penso ou digo. Mas sinto que, por estes dias, se jogam destinos comunitários de séculos, isto é, das sucessivas refundações do Portugal político, coisas bem superiores a orgulhos individuais ou opções ideológicas de grupos.
 
Sou dos que sempre discordou politicamente de Cavaco Silva. Apenas me lembro de ter votado PPD com primeiro Sá Carneiro. Nunca fui de esquerda. Não odeio o Partido Socialista, onde tenho dos melhores amigos. Já votei PCP, algumas vezes. E não tenho condições de saúde para poder voltar a ser actor político, mesmo secundário, como sempre fui. Mas não desisto do civismo. Daí persistir como homem revoltado.


Diferentemente de Passos Coelho e de Fernando Nobre, sou um liberal assumido e, se houvesse um partido que como tal pensasse e actuasse, estava condenado a nele me inscrever como soldado. E nem sequer tenho de inventar nada: alinho perfeitamente naquele que é o terceiro maior grupo político europeu, o que não está tão está tão à direita como o PPE, nem tão à esquerda como os socialistas europeus.


Infelizmente, sendo do contra face aos bonzos dominantes do PSD e do PS, não alinho nos endireitas e nos canhotos que os têm perpetuado. E como tal tenho pensado e tenho dito. Especialmente quando os resultados da nossa economia e das nossas finanças conduziram ao presente desastre e os resultados políticos previsíveis ameaçam a cereja do impasse nas próximas eleições.


Os actores políticos portugueses, entre presidentes e ex-presidentes, e partidos, têm tanta culpa quanto os chamados fazedores de opinião e comentadores chamados ao microfone, à escrita e ao écran, entre os quais me incluo. Todos tememos ultrapassar o conservadorismo do que está, porque todos temos medo. Por outras palavras, ainda estamos no dia 24 de Abril de 1974. Estupidamente sós.
 
Espero que também neste Albergue se volte ao Caminho de Santiago, a missão que nos uniu.
 
O santo padroeiro dos médicos e dos alquimistas é um dos Apóstolos cujo corpo, segundo a lenda, foi dar às costas da Galiza. Desde os tempos medievais que o lugar do respectivo túmulo, em Compostela (de compos, posse, mais estella, estrela) se tornou alvo de peregrinações, seguindo caminhos que reproduziam a Via Láctea, o célebre caminho de Santiago.
 
Num hino alemão de 1533, canta-se: Estreito e escorregadio é o caminho, rodeado de água e de fogo. Daí que tenha surgido o símbolo da concha de Santiago que representa o símbolo do viajante, ou do peregrino. No século XV, Nicolas Flamel observa: É por aqui que se devia começar. Com o bordão de peregrino como apoio e a concha como símbolo, deve empreender esta longa e perigosa caminhada, por terra e por mar. Primeiro como peregrino, depois como piloto.

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