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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

Finalmente, a verdade

 Vêm aí anos de chumbo. Após quase 20 anos de incontinência despesista do Estado central, das indescritíveis satrapias regionais, das autarquias, das empresas públicas de toda a sorte, das fundações “políticas”, das parcerias-público privadas e das famílias e empresas, o modelo de alienação colectiva em que vivemos chegou ao fim.  Foi preciso o fim do crédito externo para pararmos o paroxismo despesista em que vivemos.

 

Como já escrevi muitas vezes os principais instigadores deste caminho suicidário foram muitos, incluindo vários que os fãs, contrariando toda a evidência factual, ainda hoje consideram exemplos de rigor. Senão vejamos: o sistema remuneratório da função pública de 1991, a subsidiação pelo Estado do crédito à compra de habitação, a insistência em operações extraordinárias de cobertura de défices excessivos, os quase 30 anos em que os problemas do sector empresarial do estado foram empurrados para fora do tapete, etc., etc.. Infelizmente o rol é infindável e toca a todos os governos desde 1991 e, aceleradamente, desde 1996.

 

A necessidade de apoio externo extraordinário de emergência vai ser o fim do caminho. O que me preocupa é  que não fomos nós que decidimos mudar de vida. São os credores que o vão impor. Chegou a hora de olhar para o passado com verdade. Aprender com os erros de uns e de outros e não apenas com os dos nossos adversários.

 

hoje, no CM

 

vale-me recordar o grande Fernando António Nogueira Pessoa (sem relação):

 

Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
...Que é Portugal a entristecer -
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...

É a Hora!