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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

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"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

O país que não existe

 

O homem do Tratado de Lisboa ("porreiro, pá") eclipsou-se. O homem que proclamava "Espanha! Espanha! Espanha!" regressou ao rectângulo lusitano. O europeísta entusiasta de todas as horas deu lugar ao político grave, que se agarra como náufrago a bóia à expressão "o meu país". José Socrates, na pior fase de sempre da sua vida política, percebe que lhe resta trilhar uma via estreita na mira da caça ao voto: a via nacionalista. Um terço da entrevista concedida hoje pelo primeiro-ministro à RTP foi passado a repetir até à náusea que tudo fará para evitar um auxílio internacional de emergência a Portugal. É fácil detectar a linha argumentativa do PS nesta campanha eleitoral: tudo quanto é patriótico decorre da acção governativa; tudo quanto é mau vem do estrangeiro. Nomeadamente a "grave crise económica e financeira que se desenvolveu a partir de 2008", segundo lembrou Sócrates. Claro que não disse - nem ninguém lhe perguntou - por que motivo depois disso decidiu aumentar os salários da função pública, baixou o IVA e anunciou o cheque-bebé, entre outras medidas ditadas pelo puro cálculo político, destinadas a garantir-lhe a vitória nas legislativas de 2009.

"Fizemos o que podíamos para melhorar a vida das famílias", declarou o primeiro-ministro, sempre incapaz de reconhecer um erro. Como se não fsse ele, que se encontra há seis anos no Governo, o principal responsável pela crise profunda em que vivemos.

Há dois países em Portugal: o país real - o da monumental dívida pública, do desemprego, do défice externo e do crescente afastamento em relação à média europeia - e o país do neo-nacionalista José Sócrates, orgulhosamente só. O único cor-de-rosa é este último. Por azar, também é o único que não existe.

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