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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

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"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

Tempos de campanha...de novo, sobre o lombo do mesmo

 

Campanha. Um termo de origem militar que qualifica um empreendimento sistematicamente organizado, visando extirpar um mal para o bem público. Por enquanto ainda estamos na etimologia, com muitos corpos que se movimentam para o assalto a posições inimigas.

 

Presidente mandou que tudo se fizesse pela positiva. Os principais não seguem o conselho. Os secundários dizem que seguem e também aconselham. Vista a coisa de fora, parecemos uns primitivos actuais, copiando o Porto de Pinto da Costa e o Benfica de Vieira, sem árbitros que condicionem as caneladas verbais.

 

Julgo que esta campanha é o último acto de um velho ciclo, onde a luta política parece uma récita de RGA de há pouco menos meio século, segundo o ritmo activista dos MRPumPuns, virados à direita ou fingindo-se do centro. Convinha mudar de guião, nem que voltássemos à velha oratória de republicanos, monárquicos e reviralhistas, antes do megafone e do "agenda setting". Sou saudosista da política.

 

Sou adepto da separação entre a política, a economia e a moral. Logo, nem sequer posso admitir que a política se torne em sucedâneo da futebolítica. Traduzir Carl Schmitt para o calão do futebolês, entre campeões e revindictas é pôr os pés em lugar da cabeça. Sobretudo para os palermas que pagam bilhete à força!

 

Zapatero não se recandidata. Ministro alemão dos estrangeiros demite-se de presidente do FDP. Por cá, a moda dos ódios da futebolítica propaga-se. Por enquanto, tenho vergonha de gostar de futebol. Espero que a política não se divida entre o campeão e o apagão.

 

Quem, sendo político, tendo ocupado e ocupando lugares políticos, diz que a culpa é dos políticos, toma, desde logo, uma posição política: serve os que, estando no poder, os nomearam. Outros há que, continuando a procurar a quem servir, apenas traem os que os nomearam. Ambos, não contem com o meu respeito. Gosto muito mais de adversários onde nunca deve haver inimigos.

 

Por estes dias, quem quiser ser "adesivo" ou "viracasaca" tem lugar assegurado em qualquer primeira página de jornal ou a servir de abertura a telejornal. Aconselho os habituais candidatos a moderação no impulso. Na maior parte dos casos, usam-se e deitam-se fora. Não passam de adereço descartável e nem sequer são aconselháveis para a função.

 

Os habituais filósofos da traição que costumam emoldurar as comissões de honra de qualquer acto de conquista do poder lá vão fazendo discursos de fazer chorar as pedras da calçada. Sugiro que se faça uma adequada antologia de tais vergonhas naturais, com adequadas notas de cunhas e prebendas com que eles foram dando e recebendo de todos os nossos governos que agoram qualificam como desgovernos...

 

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