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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

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O Insondável Mistério da Lógica das Greves

 

 

 

 

Nunca percebi a lógica das greves. E, antes de me desatarem a apedrejar e a chamar-me fascista, deixem-me falar, que é como se faz numa democracia.

 

Ora os trabalhadores têm direito à greve. Factus irrefutabilis. E usam a greve como ferramenta de pressão para fazer valer os seus direitos. Factus desejabilis.

 

O que me parece é que a forma de luta anda completamente ao lado e que seria muito mais eficaz se alguém se debruçasse dois minutos sobre o assunto. Factus evidentis.

 

Quando os ferroviários da CP decidem paralisar os comboios, quem é que se desespera? O povo, como é evidente, o tal oprimido que precisa de fazer valer os seus direitos. Quer os próprios grevistas paralisados que não recebem o dia de trabalho, quer os desgraçados dos passageiros que se veem à nora para chegar ao trabalho e que, ainda pagam as favas na condição de contribuintes.

 

Os governantes acham vagamente aborrecida a revolta popular mas convenhamos que, uma vez que andam de carro, não lhes faz grande diferença que a linha de Sintra só tenha uma carruagem a deslizar pelos carris, conduzida por um fura-greves traidor.

 

Gente das CGTPs, das UGTs e afins, puxem pela cabeça e digam-me lá se não se despachava o assunto muito mais rapidamente se cravassem os motoristas dos ministérios para serem eles a liderar a greve?

 

E as empregadas domésticas? Era certinho que se fizessem greve em prol da nação, à primeira falta de meias azuis escuras lavadas na gaveta, o governo concordava logo em aumentar em 10% os salários da função pública.

 

A Fenprof também anda a disparar tiros ao lado. Ponham os professores do Saint Julians, do Colégio Moderno e dos Salesianos do Estoril a fazerem greve e vejam como as condições do ensino público desatam miraculosamente a melhorar em Portugal.

 

O exemplo dos camionistas é, para mim, evidente e vem corroborar esta minha teoria. Porque é que o conflito se resolveu em três ou quatro dias? Pois claro, foi na altura em que a Neide chegou ao Pingo Doce e não encontrou os Iogurtes de que o Sôtor gosta.

 

Portugueses, uni-vos. Convoquem uma greve geral concertada. CP, Carris, Transtejo, Metro, motoristas particulares, batedores, empregadas domésticas, professores do ensino privado.

 

Depois, arranjem maneira de sermos visitados pela rainha Isabel II nesse dia e organizem uma cerimónia oficial algures na IC19 (pode ser no Palácio de Queluz, que já é um clássico).

 

Sempre quero ver como é que a malta VIP se desenvencilha sem ninguém que lhes tome conta dos putos e com vinte quilómetros de fila cerrada pela frente.

 

Andam para aí a tentar a guerra nuclear, mas cá para mim isto é caso de guerrilha.

 

 

 

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