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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

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"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

E agora? Diz-me tu.

As folhas recolhidas em todo o país no dia 12 de Março foram entregues a semana passada em audiência com o Exmo. Presidente da Assembleia da República, Dr. Jaime Gama, que tão respeitosamente recebeu alguns organizadores do protesto da Geração à Rasca. Todas essas folhas residem, neste momento, na Biblioteca da Assembleia da República, acessível a todos para consulta.

 

Existem muitas propostas legítimas e todas essas vozes devem ser ouvidas. Foi por esta razão que foi requerido, pela organização, que cópias sejam entregues a cada uma das bancadas parlamentares para que estas se debrucem sobre elas.

 

A organização do Porto criou uma plataforma para as folhas A4 que recolheram (também estas constam no arquivo existente na AR).

 

Porque são vozes como a tua e como a minha. Provavelmente a tua e a minha. E devem ser ouvidas como rasgos de realidade.

 

Desde o protesto, a pergunta que se impôs foi "E agora?" 

 

E agora? Diz-me tu.  

 

Temos tanta coisa para fazer, que podemos fazer, fazer acontecer. Ganhámos fôlego e não o podemos perder.  

 

Eu, sinceramente, quero continuar a lutar para que daqui a 20 anos os meus filhos não conheçam o conceito de precariedade. Se o conhecerem que seja pelos livros de História moderna.  

 

E isto não pode ser, exclusivamente, um problema de esquerda ou de direita ou dos Deolindas da vida. Não. Eu sou precária, com uma orientação partidária de direita. Considero a precariedade um tema urgente e esta questão não apareceu com os Deolinda, muito menos sendo um problema exclusivo dos jovens licenciados. Isso é, aliás, um erro gritante.

 

Trata-se de condições laborais. De direitos laborais. De dignidade. De meritocracia.

 

A maioria de nós, depois do dia 12, continua a trabalhar neste sentido. Abraçamos projectos. Criamos projectos. Falamos de política. Expomos problemas. Criamos soluções. Cada um de nós. Civicamente.

 

A agenda política e mediática não está fácil mas continuamos a lutar pelo que acreditamos. Com ou Sem Governo. Com ou Sem Ratings. 

 

E por isso foi promovida, hoje, uma acção judicial para que o Instituto Nacional de Estatística seja obrigado a proceder à substituição da pergunta 32 dos Censos 2011. Não aceitamos a redacção escolhida para esta pergunta e a consequente tentativa de camuflar a realidade de vastos milhares de trabalhadores do país, a quem é retirado o direito a um contrato.

 

Compreendemos bem a importância da informação que é recolhida pelos censos, nomeadamente no que toca à sua utilidade para a definição de políticas públicas, esta intimação exige que a pergunta “Qual o modo como exerce a profissão indicada?” seja substituída por uma que garanta o rigor e a isenção a que obrigam as leis e as normas que regulam os censos em qualquer país da União Europeia.

 

Esta foi entregue no Campus de Justiça pelas 9 da manhã. Acreditamos que só uma nova redacção permitirá traçar um retrato verdadeiro da realidade em causa. Neste sentido, queremos que a pergunta seja reformulada a fim de se perceberem os falsos recibos verdes.

 

Esperamos do Tribunal uma decisão rápida que reponha a verdade em todo este processo. Até lá, venha então o debate.

 

 

 

 

Nota: Criei uma nova tag "precariedade", porque algo me diz que vai ser um tema que irei reforçar algumas vezes.

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