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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

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"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

O ESTADO FEBRIL A QUE CHEGÁMOS

Encurrulados pela turbulência, todos confirmámos, a partir do episódio parlamentar de hoje, como o presente modelo de decisões não consegue rimar com a teledemocracia e o videopoder e, muito menos, com o ritmo europeu.

 

Até Sócrates acabou de clarificar o respectivo conceito de diálogo, quando não quis ouvir a oposição na casa da democracia. Preferiu a Razão de Estado, a declaração directa aos portugueses, através do monólogo ou da conversa em família e acabou por aliar-se a todos os que querem que o presente estado febril entre em convulsões verbais.

 

Logo, importa que se elimine a linguagem de guerra que faz da política uma tensão entre o amigo e o inimigo, voltando-se ao consenso mínimo, sem precipitações, isto é, com eleições condicionadas a metas comuns entre os principais partidos do arco constitucional, numa espécie de coligação negativa, não contra Napoleão, Hitler ou outros fantasmas e preconceitos, mas pela boa esperança que dê nova mobilização às tormentas da politiqueirice.

 

O curto-circuito da solidão no poder, de um só lider, de um só órgão de soberania, ou de um só partido chegou ao fim. E o Presidente da República tem um urgente espaço de decisão e de criação de condições para o regresso à confiança pública.  Cabe-lhe um intervencionismo selectivo, mas pode assumir a plenitude da autoridade, pelo menos para evitar que a governabilidade continue reduzida a mera oposição à própria oposição.

 

(No DN de hoje)