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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

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"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

Estava escrito. E não era nas estrelas.

O PS está muito longe de reunir as condições para governar sem maioria absoluta. Desde logo porque não há outro partido disponível para apoiar um governo encabeçado por um José Sócrates em declínio. Se dúvidas houvesse, a moção de censura do CDS tê-las-ia dissipado por completo. O insólito cenário da saída de Sócrates após uma vitória nas legislativas também não facilitaria coligações: um entendimento à direita seria vivido como uma traição pela ala mais à esquerda; mas um entendimento com o Bloco de Esquerda ou a CDU constituiria uma ruptura com a orientação que o PS assumiu desde 1975. Também um governo minoritário constituído pelo mesmo partido que sistematicamente dispensou as oposições enquanto maioria – e liderado pelos mesmos dirigentes que afrontaram claramente o Presidente da República em vários dossiers – dificilmente teria condições para navegar nas águas tormentosas de uma crise cujo fim não se vislumbra.

 

Com José Sócrates, o PS evoluiu de partido-âncora da esquerda para partido-charneira entre uma esquerda radical em forte crescimento e um centro-direita de regresso ao seu nível eleitoral habitual. Essa mutação tornou possível o PS dominador de 2005, mas originou um desenraizamento eleitoral que se está a reflectir, já em 2009, numa considerável quebra do apoio popular aos socialistas. A posição de charneira teve também o efeito de transportar para dentro do partido as grandes clivagens do sistema político português, elevando em muito os riscos de cisão. O centro do sistema partidário português encontra-se portanto ocupado por um partido eleitoralmente enfraquecido, politicamente dividido e organicamente instável. Se porventura ele vier a ser de novo o partido mais votado, iniciar-se-á o ciclo político mais turbulento que Portugal conheceu desde a década de 70. Definitivamente, a governabilidade já não é atributo que o PS possa reivindicar para si.

 

Dito a 27 de Junho de 2009. Comprovado a 23 de Março de 2011.

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