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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

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No mundo inimputável da opinião à portuguesa encontramos textos como este, dedicado a trapalhadas no norte de África.

Claro que era muito melhor termos o Kadhafi a matar líbios. Muito melhor Mubarak a governar o Egipto, em vez da perspectiva de eleições minimamente livres. (Mendonça da Cruz já consultou a sua bola de cristal e decidiu que as eleições egípcias serão uma farsa orientada pela Irmandade Muçulmana).

Acho interessante a defesa dos ditadores, sobretudo quando são citados exemplos como este: parece que os americanos e os europeus se dedicaram "a criar um estado muçulmano" na Europa "contra a Sérvia".

Mas não foi só um, foram dois: julgo que o autor estará a falar da Bósnia-Herzegovina, que pelos vistos nunca fez parte do império otomano e não é de maioria muçulmana. E estará também a falar do Kosovo, que tinha, à data da sua criação, 90% de albaneses muçulmanos.

Na Bósnia, foi claramente errada a intervenção ocidental. Sarajevo devia ter sido transformada numa gigantesca Srebrenica.

E, em relação ao Kosovo, como é que se resolvia a questão de um país que de facto era independente e que a Sérvia já não controlava? A solução era simples: o Ocidente devia ter desarmado os albaneses e dito aos sérvios para regressarem em força, pois o território era sérvio e tal...

 

Autores como Mendonça da Cruz gastam as palavras dos seus textos a vociferar contra a hipocrisia do Ocidente, mas para eles os árabes não têm direito de tentar construir democracias e muito menos o direito à protecção internacional em relação aos tiranos mais loucos. A população devia ser massacrada, para estes autores poderem depois derramar uma furtiva lágrima em memória das vítimas.

 

Sobretudo, neste tipo de abordagem existe anti-americanismo primário e uma boa dose de relativismo cultural. Os americanos (e os aliados europeus) são todos maus e estúpidos. Kadhafi, Mubarak e Milosevic, esses são ou eram patriotas inteligentes e, acima de tudo, lutadores da liberdade.  

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