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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

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A urgência da mudança

O problema da chantagem é o de não existir nenhum momento ideal para romper com ela, excepto o primeiro. A uma pequena cedência, segue-se outra mais importante, até o alvo estar enredado na ilusão de que um dia se poderá libertar.

A política portuguesa vive o dilema do chantageado, já que José Sócrates exerceu sobre a população e sobre a oposição um jogo destrutivo: se não aceitassem os seus termos, seriam os culpados de terríveis consequências para o País; e antes de que a crise financeira parecesse da sua lavra aos olhos de todos, o primeiro-ministro desencadeou uma crise política.

A estratégia é evidente: culpar o PSD pelo recurso à ajuda externa. Os seis anos de erros que nos levaram a este descalabro serão ocultados pelo discurso da vitimização. Os defensores de José Sócrates já afirmam que se a oposição chumba o PEC IV, a culpa dos problemas será da oposição. E também vão dizer que a execução orçamental foi fabulosa até ao início da crise. Dirão que era tudo negociável, embora não fosse.

 

Concordo com o post anterior, do Ricardo Vicente. Começa agora a parte verdadeiramente difícil de derrotar este PS nas urnas e não se pode subestimar José Sócrates. O voto de protesto vai aumentar e o eleitorado dos dois maiores partidos deve descer ainda mais, face ao nível já baixo de 2009. As mentiras do poder criaram um estado de desânimo nos eleitores. Poucos acreditam na propaganda e nas falsidades descaradas; poucos aceitam a impunidade da incompetência e a irresponsabilidade dos decisores. Por isso, existe um descrédito geral nos partidos e na respectiva capacidade de produzir soluções para o país. Demasiados portugueses esperam mais do mesmo; nos jornais e televisões, um coro de comentadores confirma os piores receios dos cidadãos. São os comentadores do costume, que há 150 anos debitam a monótona oração de que não é oportuno agitar o barco.

 

Discordo da tese da estabilidade a todo o custo, a qual não passa de uma fórmula que garante  a degradação dos valores, a mediocridade, o triste afundamento no pântano. Acredito que todas as mentiras têm um fim. É evidente que o país precisa de um abanão, chamem-lhe sobressalto cívico, o que quiserem. 

O governo não pode continuar a sacudir a água do capote e o PSD, o partido mais importante da oposição, deve tentar romper com uma situação apodrecida. Para isso, precisa de dizer a verdade aos portugueses e dar-lhes esperança de que ainda é possível mudar. A mudança é aliás urgente, tem de existir um sentido para os sacrifícios e não podem ser os privilegiados a beneficiar com a crise. A política deve ser diferente, com justiça e transparência. E os mercados não podem ser um álibi para a suspensão da democracia.

    

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