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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

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O que esperar do 9 de Março?

Aguaceiros e vento moderado em Portugal Continental, diz a metereologia. Algo mais? O José Adelino Maltez, bem mais sabedor do que eu, parece não esperar nada do inquilino de Belém no dia em que este iniciar um novo e derradeiro mandato presidencial. Eu, não obstante ser pouco adepto das indefinições do semi-presidencialismo - ou talvez por isso mesmo - consigo imaginar Cavaco a surpreender Maltez. Bastará para isso que o Presidente da República concorde com esta simples premissa: o país precisa de um governo maioritário.

 

Sabemos que um governo minoritário é por natureza um governo na corda-bamba; a experiência actual é mais uma vez a de um governo apostado em dividir a oposição para sobreviver, condenado ao ziguezague, sem rumo. E de um governo ziguezagueante não se pode dizer que seja vítima da instabilidade - ele é, senão fautor, pelo menos factor da instabilidade que vivemos. Independentemente do juízo que se faça sobre a orientação política do governo que está - não há dúvidas sobre a minha posição a este respeito, mas não é essa a questão que cabe ao Presidente ponderar - a situação em que Portugal se encontra não se compadece com governações equilibristas.

 

Nada obriga um Presidente da República - especialmente um Presidente reeleito - a ficar de braços cruzados até que os inconvenientes de ter um sistema político inoperante face a uma gravíssima crise financeira se tornem impossíveis de ignorar. Não espero do Chefe de Estado que promova um governo presidencial - o governo é responsável perante o Parlamento e é bom que assim continue. Não espero sequer do Chefe de Estado que promova a dissolução discricionária da Assembleia a que todos os seus predecessores já recorreram. O que espero do Presidente da República é que a 9 de Março diga o evidente - que o País precisa de um governo maioritário, e precisa dele depressa - colocando todas as forças políticas perante as suas responsabilidades. E se se verificar, num prazo razoável, que o actual quadro parlamentar não comporta alternativas a uma governação de minoria, espero do Presidente da República que assuma as responsabilidades que os seus poderes constitucionais lhe conferem e devolva a palavra aos portugueses.

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