O testamento dos amanhãs que cantam. Hoje, apenas me condenam a pagá-lo a contado...
Por dever de ofício, estive hoje directamente ligado à telefonia. Comecei por sua excelência o senhor ministro das finanças, que falou do alto da sua soberania técnica, não para a planície dos súbditos, mas para o circuito fechado dos banqueiros e comentaristas que querem dar confiança aos mercados. O povo é alienígena e auditório. Apenas está sujeito ao tradicional imposto de palhota, inscrito no estatuto do indigenato do império colonial do euro.
Finalmente, atrasei o almoço, e segui Sócrates, assim a falar para os mercados, através do seminário Reuters/TSF. Vou enumerar o silogismo.
(1) A crise da dívida soberana é apenas uma consequência da crise financeira, por causa da falta de Estado e não por causa de excesso de Estado.
(2) A Europa, depois desta crise, ou avança ou recua, não vai ficar na mesma, tendo que haver uma resposta sistémica.
(3) Somos os melhores da Europa na resposta à crise: crescemos 1,4 e reduzimos o défice em 2, são factos, não são opiniões.
(4) Qual década perdida? Fomos o melhor governo de Portugal de todas as eras. E aí vão números da campanha para as directas no PS. Quem os negar está enganado. O bom e velho Estado é que decreta os números e tira o retrato.
O quase testamento foi assim reduzido a esta frase: "Manter o rumo e não tirar o pé do acelerador, é o que eu recomendo para o meu país".
Não vou comentar esta magnífica peça de oratória. Apenas gloso o seguinte:
(1) Convidem imediatamente o nosso primeiro ministro para presidente da urgente governação económica da Europa
(2) Em alternativa, coloquem-no como governador mundial do conhecimento e da inovação
(3) Nunca reduzi-lo a Reitor da restaurada Universidade Independente
(4) Por nós, míseros impostados, basta uma simples maioria absoluta, mesmo no actual quadro parlamentar. Ou a convocação imediata um referendo eleitoral para estas maravilhas. Julgo que 99% dos cidadãos com direito a número de eleitor da inovação e do conhecimento o reelegeriam para grande líder. Menos eu...