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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

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"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

Responsabilidade política.

 

Há uns anos, mais precisamente em 1994, ocorreu a penhora do Estádio das Antas. Confrontado com os protestos populares surgidos no Porto relativamente a essa situação, o Governo da altura respondeu que nada tinha a ver com o assunto, uma vez que a penhora era decisão do Chefe de Repartição de Finanças. Então Pinto da Costa deu uma resposta demolidora: é que se era assim, para que é servia estar a eleger governantes que afinal não mandavam em nada? O que era preciso eleger era Chefes de Repartições de Finanças, pois na verdade eram eles que mandavam em Portugal.

 

Lembrei-me deste episódio a propósito do escândalo da alteração do número de eleitor através do cartão do cidadão, que afinal acaba com a demissão de um Director-Geral no Ministério da Administração Interna. Já o respectivo Ministro, que é quem deveria assumir a responsabilidade política pelo que se passa no seu Ministério, parece que se encontra num limbo, não sendo responsável por nada, e sempre que o navio que dirige mete água — o que, diga-se de passagem, acontece com imensa frequência — basta-lhe lançar ao mar algum Director-Geral, rapidamente substituído por outro,  para seguir em frente como nada se tivesse passado. De facto, os cidadãos podem começar a perguntar-se para que é que precisamos de Ministros no Governo. Se é aos Directores-Gerais que compete assumir a responsabilidade política pelo que se passa no Ministério, talvez devessem ser eles também a governar.