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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

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"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

Hoje vi o futuro numa borbulha

 

 

 

 

Celebrava-se hoje, na escola da minha rapaziada, o dia do seu Santo Patrono.

Por aquelas bandas, já se sabe que, em dia de festa, é suposto a malta apresentar-se compostinha.

 

De maneira que comecei a manhã numa luta titânica a tentar enfiar braços de rapazes em camisas engomadas e pés irrequietos em qualquer tipo de calçado que se afastasse da categoria “chuteiras de futebol”.

 

Muito embora contrariados, lá seguiram todos pipoca mas um bocadinho atrasados, que a batalha não foi fácil e eu já não vou para nova nem sou prima do Bruce Lee.

 

De maneira que, em vez de os largar no local habitual, tive de os acompanhar ao gigantesco pavilhão onde, neste dia, se celebra uma missa assistida por todos os alunos, incluíndo os do secundário.

 

Não me importei muito. Lembrava-me de, em anos anteriores, ter ficado impressionada com a majestosidade do evento. Ao fundo do pavilhão, um coro do tamanho de Santo Amaro de Oeiras (e aqui não me refiro à dimensão do coro de Santo Amaro,  refiro-me mesmo à da localidade), lá fora, prontos para entrar, cerca de quarenta acólitos em vestes brancas de capuz atadas com uma corda e, à porta, magotes e magotes de rapazes e raparigas a cruzarem a ombreira para se irem sentar nas bancadas.

 

Como tenho dois sobrinhos no secundário e toda aquele aparato me começava a comover, resolvi aninhar-me a um canto e esperar pela entrada dos alunos mais velhos para lhes dar um abraço de tia velha.

 

Foi aqui que entrei em estado de epifania. À medida que os adolescentes borbulhentos começaram entrar, fui invadida por uma ininterrupta sucessão de visões. Por detrás daquelas borbulhas, vestidas de blaser e gravata, vislumbrei os grandes homens de amanhã. Os grandes médicos investigadores, os advogados tubarões, os CEO’s das 100 maiores empresas, um ou outro deputado e até, quiça, um ministro.

 

A indumentária conferia-lhes um estatuto de pré-pessoa-importante e quase os consegui imaginar com mais vinte anos, com uma respeitável meia dúzia de cabelos grisalhos a discutir assuntos com toda a propriedade.

 

Depois voltei para casa a sorrir e a tentar imaginar o Marcelo Rebelo de Sousa ou o António Mexia, na idade Clerasil, a fazer gala em pôr a fralda da camisa de fora,  numa pífia tentativa de rebeldia.

 

 

 

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