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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

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Putativos Presidentes, Só um Permanente

Cavaco Silva aumentou a percentagem de votos relativamente às presidenciais anteriores e isso é uma vitória (pequena). O efeito da abstenção foi muito pesado em termos absolutos mas parece não ter sido significativo para efeitos da percentagem de votos. Os 52,94 sabem a pouco, sobretudo para quem no passado conseguiu duas maiorias absolutas consecutivas [sendo claro que a medida percentual de sucesso de umas legislativas não é a mesma da de umas presidenciais, muitos etceteras aqui]. De qualquer forma e contra algumas expectativas, a abstenção indiferente e a detestação católica não tiveram impacto determinante.

Alegre não esteve mesmo nada mal. Perdeu exactamente 1 por cento dos votos. Em valores absolutos, foi, tal como Cavaco Silva, penalizado pela abstenção. Levou a cabo uma campanha impossível, ao ser apoiado por dois partidos com práticas e discursos políticos tão opostos e, mesmo assim, conseguiu praticamente a mesma percentagem de votos de há cinco anos atrás. A diferença agora é saber: de quem é que são os votos? Do próprio Alegre e alegristas, do PS ou do BE? Sendo tão difusa a propriedade dos votos, será nula a sua gestão. Mas para Alegre, a questão essencial não é a gestão dos votos, é a gestão de si mesmo: que lugar, agora, para Alegre? Qual o "onde" de Alegre?

 

Os seiscentos mil votos de Fernando Nobre valerão tanto como o milhão de Alegre há cinco anos atrás: pouco ou nada, tudo depende da forma de gerir e de honrar essa massa de intenções. A votação foi expressiva mas não lhe deu nenhum segundo lugar nem pouco mais ou menos. É politicamente mais relevante ter ficado à frente do candidato do PCP do que ter ficado a uma relativa pouca distância do candidato do PS mais Bloco. A gestão dos votos agora recebidos adivinha-se mais difícil para quem não é político profissional nem pela experiência nem pela vocação. Se o objectivo era humilhar Alegre puxando-o para o terceiro lugar, os soaristas voltaram a receber uma boa lição. Há males que parecem vir por bem... ou não.

Como se repartem os prejuízos da abstenção? É possível investigar o assunto mas não é fácil responder pela intuição. Parece-me que abstenção não interferiu muito nas percentagens dos candidatos. A indiferença dos eleitores reparte-se na mesma proporção dos votos e acaba ela mesma por ser irrelevante na prática. Não o deveria ser politicamente: 53,37% de abstenção deveriam dar que pensar, falar e agir à classe política toda.

José Manuel Coelho ficou em segundo lugar na Madeira. Será que os madeirenses estão finalmente a acordar para a realidade ao votarem no Anti-Jardim? Será que já sentem menos medo? 39,01% dos votos na Madeira e venceu no Funchal! Por entre disparates e coisas sérias, Coelho revelou-se um sucesso de popularidade.

Francisco Lopes: nada de novo, não aquece nem arrefece, a modorra costumeira. Logo, um futuro bom secretário-geral do PCP.

Defensor Moura: mesmo para candidato de contestação, supostamente inconformista e fora do sistema (que obviamente não é) o resultado foi aquém do esperado - e ainda bem. Mas isso não se deveu à estratégia agressiva ad hominem, que também foi seguida por Alegre sem que o prejudicasse, mas sim à essencial nulidade daquele candidato.