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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

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"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

Presidenciais (28)

 

 

A campanha de A a Z:

 

ABSTENÇÃO - Palavra-chave. Uma abstenção recorde prejudicará seriamente Cavaco nestas presidenciais. É outra maneira de exprimir um voto de protesto.

BPN - A sigla que dominou a campanha. Num país mergulhado na mais grave crise económica de que há memória devia ter sido outra: FMI.

CAMPANHA - Os portugueses cada vez vibram menos com campanhas eleitorais. Isso nunca foi tão notório como nesta.

DIREITA - Como aconteceu nos últimos 25 anos, Cavaco neutralizou-a e deixou-a refém dele próprio. Em troca de quê? A direita que responda.

ESPERANÇA - Cavaco quer ganhar à primeira, com maior percentagem do que Sampaio quando foi reeleito. Alegre e os outros sonham com a segunda volta.

FRALDAS - "Os políticos, tal como as fraldas, têm de ser mudados de vez em quando. Porque senão cheiram mal." Eça actualizado por Coelho: uma das frases da campanha.

GOVERNO - Sócrates esteve duas vezes em palco com Alegre. Santos Silva picou o ponto. O resto do Governo permaneceu longe da campanha.

HONESTO  - "Para serem mais honestos do que eu têm de nascer duas vezes", disse Cavaco. Deixando bem evidente a imagem pouco lisonjeira que tem dos portugueses.

 

 

IGREJA  - Os tempos são outros, mas quase todos os candidatos a cortejaram - de Cavaco a Nobre. Alegre chegou a ter um padre a seu lado num comício.

JOVENS - Cada vez mais alheados da vida política portuguesa, como ficou bem evidente nesta campanha em que o candidato mais novo tinha 55 anos.

LIBERDADE - Ganhe quem ganhar, a liberdade não está em risco. Pelo menos este argumento absurdo deixou de ser invocado em campanhas eleitorais.

MADEIRA - Veio de lá o mais divertido e desbocado dos candidatos: Coelho, o anti-candidato por excelência.

NULO - Atenção, eleitores: o voto branco ou nulo não conta rigorosamente para nada nesta eleição.

OVOS - Mário Soares dizia que "os portugueses não gostam de pôr os ovos todos no mesmo cesto." Uma teoria que já se provou ser falsa. E Soares desta vez nem se (ou)viu.

PARTIDOS - PSD e CDS alinham com Cavaco, que se referiu a Passos Coelho como "presidente da Assembleia Municipal de Vila Real". PCP tem Lopes. BE apoia Alegre. Parte do PS também.

 

 

QUEDA - As últimas sondagens dão um Alegre em queda. E Nobre em terceiro, com tendência para subir. Surpresa - mas só para alguns.

REI - Se houvesse um por cá, seríamos poupados aos custos de uma campanha eleitoral, na lamentável lógica de Cavaco, preocupado com as despesas da democracia.

SEIS - Desta vez houve seis candidatos à Presidência da República: Cavaco Silva, Defensor Moura, Fernando Nobre, Francisco Lopes, José Manuel Coelho e Manuel Alegre.

TIRO - Nobre assegura que só a tiro o impedirão de chegar a Belém. Portugal é um país de brandos costumes. Mas certas bravatas só servem para estimular pirómanos.

UM - Só um candidato terá motivos para sorrir na noite eleitoral? Talvez não apenas um, mas dois ou mesmo três.

VOTO - "O voto é a arma do povo. Não votes senão ficas desarmado", diziam os anarquistas em 1975. Há cada vez mais portugueses a pensar assim.

XIS - A grande incógnita: haverá segunda volta? Tudo depende, em última análise, do valor da abstenção.

ZIGUEZAGUE - Ao lado de Sócrates, adversário do Bloco. Com Louçã, firme opositor do Governo. Não admira que a campanha de Alegre tenha sido ziguezagueante. Logo ele, que não tem vocação para o ziguezague.

 

 

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