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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

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"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

Até sempre, camarada

Habituei-me desde o início desta caminhada já longa que levo de profissão a considerar os meus companheiros de ofício como membros de uma família alargada que integro com inteiro gosto. Sucede assim com quem trabalha diariamente comigo, com quem já trabalhei, com quem conheço bem e até com quem só conheço de nome. Somos elementos de uma vasta equipa, unidos por um código deontológico que nos serve de guião e pelo mesmo imperativo de levarmos diariamente informação a quem nos lê ou nos escuta. Não é por acaso que muitos de nós - como eu sempre fiz - nos designamos camaradas: a camaradagem, nas boas e nas más horas, é para nós um posto de que não abdicamos.

As distâncias, físicas e temporais, são irrelevantes neste caso: tanto nos interessa acompanhar o percurso de alguém com quem trabalhámos até há poucos dias como de alguém que não vemos há anos. Podemos por vezes zangar-nos, podemos até deixar de nos falar por algum tempo, mas o sentimento de que fazemos parte de uma tribo muito especial permanece - e este traço de união acaba por prevalecer. Como diz aquele verso da canção, é mais forte o que nos une do que aquilo que nos separa.

Vem tudo isto a propósito da inesperada morte de um companheiro de trabalho do DN, de que tomei conhecimento ontem à noite. O Daniel Lam era um bom repórter, um bom colega, um homem bom. Olhar para o lugar vazio que deixa na Redacção é sentir que cada um de nós partiu um pouco também com ele.

Até sempre, camarada.

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