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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

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"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

Deixar os truques para os mágicos

Na capa de uma revista deste fim-de-semana estava um senhor com uma célebre fotografia da autoria de Alfred Eisenstaedt na mão: V-J   Day in Times Square, onde se vê um soldado a beijar uma enfermeira numa parada de celebração no fim da II Guerra Mundial. Curioso. Pensei: como é que uma foto Eisenstaedt dá tema de capa em Portugal assim de repente?

 

Fácil: o senhor que segura a fotografia chama-se George Mendonça e é filho de madeirenses. Diz ser o rapaz da fotografia, aquele que dá o beijo captado pelo homem que também fotografou Einstein ou JFK. Mendonça diz que tem provas. Encomendou um estudo e confirmaram com "razoável grau de de certeza" que era ele.

 

 

 

A história é gira? É. Mas estranha: muito pouco se vê dos dois rostos.

 

Uma pesquisa rápida na internet e surgem mais dois ou três nomes de pessoas que sempre disseram ser o tal soldado e ter também provas disso. O mesmo se passa com algumas senhoras que se apresentam como sendo a enfermeira sortuda que recebeu o beijo apaixonado.

Eu, que gosto da dita foto, não gosto muito destas notícias. Por que é que não me deixam imaginar a história? E se eu quiser pensar que aquelas pessoas não se conheciam de parte nenhuma e a partir daquele momento juntaram-se e viveram felizes para sempre? Ou que, depois do flash (flash talvez não porque Eisenstaedt gostava de iluminação natural)... mas, e se depois do disparo  cada um foi para seu lado e uma tragédia qualquer os separou irremediavelmente? (é lamechas, eu sei, mas estou no meu direito.) Assim, seja ou não verdade, fico com a muito pouco romântica versão de George na cabeça: a enfermeira "era sua acompanhante naquele dia."

 

Que mania de querer explicar tudo, saber tudo, conhecer todas as caras. Eu gosto de saber histórias. Gosto, claro que gosto. As histórias interessam-me. Ou, pelo menos, grande parte das histórias por detrás das pessoas e dos objectos interessam-se. Mas há coisas, especialmente imagens, que valem por si. Que se estragam se forem explicadas.

 

Temos mesmo de andar sempre a tentar perceber como é que o mágico tira o coelho da cartola?

 

(A questão é que, teorias à parte, gosto sempre de ler este género de peças. E também tento perceber como é que o mágico espalma a gaiola sem esmagar a pomba.)

 

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