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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

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África Eco Race e o Dakar

 

 

 

 

Quando a ASO decidiu mudar o Dakar para a América do Sul, um grupo de "puros" não conformados com os insondáveis mistérios da política externa francesa - sim, a mudança de ares foi motivada por questões políticas, mais precisamente, uma "guerra" comercial entre a França e a Mauritânia, coisas do petróleo – decidiu lançar a África Eco Race seguindo o espírito original do Dakar e terminando, obviamente, em Dakar.

 

O problema foi convencer as principais marcas a trocar o Dakar pelo África Race. Melhor dito, trocarem o falso Dakar pelo verdadeiro Dakar. Para ajudar na confusão: trocar o Dakar versão América pelo Dakar versão África. Mais, trocar o falso Dakar organizado pelos originais pelo Dakar verdadeiro organizado por terceiros. Confuso? Pois.

 

Fui daqueles que acreditou na viabilidade do África Eco Race. As primeiras notícias apontavam para tal: o velho lobo do deserto, Jean Louis Schlesser, afirmou que alinhava e com ele, entre outros, o nosso Carlos Sousa. Este último “desertou” em cima da hora e preferiu a concorrência e só o primeiro manteve a palavra. Nos camiões, a família De Roy (nome forte do Dakar) assim como a nossa Elisabete Jacinto marcaram presença. Nos bastidores os rumores apontavam para, pelo menos, uma marca alinhar com equipa oficial. Não passou de boato. Tudo isto em 2008.

 

O África Eco Race avançou para o deserto sem equipas oficiais, com poucos concorrentes e mediaticamente muito fraco. Em suma, o poderio da ASO veio ao de cima e em 2010 temos este cenário triste: na altura em que escrevo estas linhas temos quatro motas, quatro camiões e 27 automóveis. Já vi passeios organizados por clubes espanhóis a Marrocos com mais participantes…

 

Neste caso, como em tantos outros, o Golias derrotou David.

 

O que correu mal? Simples: querer concorrer directamente com o "Golias/ASO" foi/é um erro. O África Eco Race deveria/deverá procurar uma data diferente (a Páscoa é uma boa altura), arrancar de uma cidade europeia (Paris, Madrid, Lisboa, etc) e procurar alargar aos amadores (competindo, isso sim, com as dezenas/centenas de clubes e empresas espanholas, francesas e até portuguesas que organizam passeios TT a Marrocos/Mauritânia/Senegal nessa altura) com uma filosofia de competição nem que seja mínima. Só dessa forma, paulatinamente, terá massa crítica suficiente para, a médio prazo, se tornar num verdadeiro caso de sucesso e competir, a sério, com a ASO.

"Penso eu de que..."

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