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"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

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Presidenciais (3)

    

 

Debate Cavaco Silva-Fernando Nobre

 

Vivemos hoje melhor ou pior do que em 2006? Esta é uma pergunta crucial que os eleitores devem fazer no próximo dia 23 de Janeiro. Uma pergunta a que Fernando Nobre respondeu esta noite, no frente-a-frente que manteve na SIC com Aníbal Cavaco Silva. "A competência reconhecida do professor Cavaco Silva na economia e finanças não impediu que estejamos muito pior do que há cinco anos. O desemprego quase duplicou. A paz social está explosiva", denunciou o médico independente que concorre a Belém, socorrendo-se para o efeito também do diagnóstico elaborado pelo cardeal-patriarca de Lisboa. Uma piscadela de olho óbvia ao eleitorado católico por parte de quem não tem dúvidas: "O orçamento para 2011 é mau."

Cavaco Silva, muito na defensiva, quase parecia o Presidente escolhido por José Sócrates. Justificou o Orçamento do Estado e algumas das políticas governamentais, disse apostar no sector da exportação e na "inovação tecnológica" (bandeiras do Governo socialista) e sobretudo aproveitou este debate bem conduzido por Clara de Sousa para recordar aos portugueses quais são os poderes do Chefe do Estado previstos na Constituição da República - numa óptica restritiva, aliás em consonância com o seu mandato. O problema, para ele, é que praticamente não conseguiu ir além disto.

Nobre foi claro, incisivo, objectivo e tão contundente quanto é de esperar de um candidato que defronta o favorito numa corrida presidencial: nunca é de mais lembrar a certos "analistas" que uma campanha eleitoral não se compara ao chá das cinco nas vicentinas. "O Presidente da República não é um mero adorno. Não se vai para Presidente da República para se ser um vaso de flores", afirmou o médico, por quem Cavaco afirmou duas vezes ter "todo o respeito". O actual Chefe do Estado criticou o "pessimismo" de Nobre. Mas reconheceu haver "dois grandes problemas na sociedade portuguesa: o flagelo do desemprego e o elevado endividamento externo". Conclusão do rival: "as competências tecnico-científicas" de Cavaco Silva não foram escutadas.

A multidão de desempregados em Portugal reviu-se certamente nas palavras de Nobre, que comparou o ministro das Finanças a um médico que chegasse a um doente em estado grave e lhe dissesse: "O senhor está com essa maleita. Vou dar-lhe um medicamento que não o vai curar, pode agravar o seu estado e até pode matá-lo. Mas tem que o tomar."

Referia-se ao Orçamento de Estado para 2011. O de Sócrates. E o de Cavaco também. No final, dei por mim a perguntar: se houvesse apenas estes dois candidatos na corrida a Belém, em qual deles o actual primeiro-ministro votaria? Não tenho a menor dúvida na resposta.

 

Vencedor: Fernando Nobre

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Frases do debate:

 

Nobre - Cavaco Silva não enviou mensagens específicas à Assembleia da República sobre o cenário dramático para que estamos a caminhar.

Cavaco - É preciso esclarecer qual é o papel do Presidente da República nos termos da Constituição.

Nobre - Este orçamento penaliza de forma trágica centenas de milhares de portugueses ao congelar as reformas sociais, ao cortar no rendimento social de inserção e no complemento social para idosos.

Cavaco - Empenhei-me muito para que fosse aprovado o Orçamento para 2011.

Nobre - Este Orçamento do Estado não interessa aos desempregados de Espinho e de Santo Tirso ou à velha senhora de 80 anos que encontrei no mercado de Ferreira do Zêzere com uma reforma de 60 euros.

Cavaco - Eu sou um presidente muito transparente. Basta ir à página da Internet para ver tudo quanto eu digo e tudo quanto eu faço.

Nobre - Eu conheço o mundo. Neste momento da globalização, precisamos de um presidente que conheça o mundo.

Cavaco - Jurar a Constituição, para mim, é mesmo jurar.

 

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A 'gaffe':

 

"Se não existisse o Orçamento, Portugal encontrava-se hoje numa situação de descalabro económico e financeiro. (...) Eu nunca disse que concordava com este orçamento."

Cavaco Silva

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