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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

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As crises

A nossa crise é, de facto, uma combinação fatal de várias crises. Em primeiro lugar, é uma crise nacional, resultando da nossa debilidade estrutural reflectida na muito baixa produtividade e posição concorrencial fragilizada nos mercados internacionais, resultando numa muito elevada dívida externa, num contexto em que a poupança é baixa e a pressão sobre o futuro próximo e o médio e longo prazos é ainda fortemente acentuada pelo peso crescente da Dívida Pública função do desequilíbrio permanente das contas do Estado .

 

É também o resultado da consequência sobre os emissores soberanos da resposta à crise financeira de 2007/2008 e da enorme concorrência pelos fundos disponíveis para financiamento desses emissores (os Tesouros dos diferentes países).

 

É, finalmente, uma crise do euro, do seu modelo de governo, da forma como as suas normas foram aplicadas e dos diferentes interesses dos vários Estados-membros. A inexistência de um verdadeiro orçamento federal (aqui a questão é essencialmente política) pressupunha uma verdadeira supervisão multilateral, consagrada nos tratados e regulamentos, mas que não funcionou adequadamente. A necessidade de enfrentar soluções individuais extremas põe stress adicional num modelo que se revelou imperfeito e cuja evolução está refém de interesses divergentes entre o Norte e o Sul, no curto e no longo prazo.

 

É, todavia, a nossa crise estrutural que amplifica os efeitos, para nós, devastadores, das crises internacionais.

 

Amanhã no Correio da Manhã

 

Post Scriptum: Esta crise do euro estava nos astros desde o início. Nomeadamente o Eurogrupo, o CEF e o ECOFIN falharam na tarefa de assegurar as condições para que o euro (baby euro nas palavras de Jean-Claude Junker em 2000) crescesse robusto. Demitiram-se de pressionar a concretização das reformas estruturais e fizeram vista grossa aos problemas orçamentais dos Estados-membros quando os mal-comportados eram, entre outros, a França e a Alemanha. Quanto a Portugal, ainda mostraram algum músculo. Como escrevi na altura e explico em Uma Tragédia Portuguesa, Manuela Ferreira Leite fez praticamente tudo o que um ministro das finanças podia fazer dentro das competências que tinha e que hoje se mantêm. Não chegou. Tivessem os nossos parceiros tomado as medidas adequadas e à contenção seguida (complementada por medidas puramente financeiras e estruturalmente perigosas) teria sido obrigatória a apresentação de verdadeiras medidas estruturais de emagrecimento do Estado e agilização dos constrangimentos microeconómicos. Em vez disso, o ECOFIN conviveu e aplaudiu uma convergência fictícia e, não satisfeito, criou um novo pacto muito mais permissivo. Agora falam em agir para corrigir os erros. Não só duvido que se chegue a algum bom acordo como temo que seja tarde demais.

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