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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

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"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

O homem que errou constantemente

 

 

Vítor Constâncio, n.º 2 do BCE, é um dos principais responsáveis pela euforia ignorante com que sucessivos governantes e promotores privados conduziram Portugal à lamentável situação a que chegamos. António Bagão Felix relembrou hoje várias excertos dos sucessivos discrusos, sempre tão aplaudidos pela nossa elite financeira e pela créme de la créme do jornalismo económico e que hoje são a maior evidência de que os sucessivamente fustigados nas colunas de um famoso semanário de referência por discordarem de Sua Sumidade, afinal estavam certos.

 

Paradigmático o na altura tão elogiado discurso da tomada de posse. A 23.02.2000, Constâncio disse: "Isto prende-se, aliás, com alguns equívocos sobre o significado da balança externa corrente para uma região de uma união monetária como é actualmente Portugal. Sem moeda própria não voltaremos a ter problemas de balança de pagamentos iguais aos do passado. Não existe um problema monetário macroeconómico e não há que tomar medidas restritivas por causa da balança de pagamentos. Ninguém analisa a dimensão macro da balança externa do Mississípi ou de qualquer outra região de uma grande união monetária. Isto não significa que não exista uma restrição externa à economia.

 

Simplesmente esta é o resultado da mera agregação da capacidade de endividamento dos vários agentes económicos [...] O equilíbrio restabelece-se espontaneamente, por um mecanismo de deflação das despesas, e não têm que se aplicar políticas de ajustamento. A ressaca após um forte endividamento pode ter consequências recessivas, mas não é um problema macroeconómico de balança de pagamentos."

 

E fez escola. Ainda me lembro de ter sido rebatido com alguma severidade no Conselho Económico e Financeiro da União Europeia, precisamente em Fevereiro de 2000, pelo meu querido amigo Campos e Cunha, ao tempo Vice-Governador do Banco de Portugal. Após a minha expressão de preocupação pelo que significavam os défices da (então chamada) Balança de Transacções Correntes em Portugal em 1998 e 1999, o representante do Banco de Portugal veio explicar que nada havia a temer (certamente por superiores razões institucionais de defesa da tese oficial). A única diferença face à argumentação de Constâncio passou por se ter dado o exemplo de Trás-os-Montes em vez do Mississipi.  Perante a surpresa geral alguém (alemão e hoje muito importante) ainda gracejou que em Portugal os papéis estavam trocados e que o Governo parecia o Banco Central e o Banco Central o Governo....

 

Felizmente, para mim, Guterres não tinha a educação ou a estatura política do actual Prémier e nada fez contra a minha (ao tempo tão) exótica opinião. E nada foi encomendado aos abrantes da altura quando cheguei a Lisboa, apesar da "circulação" que a estória teve nas "alcatifas" de Bruxelas e de Lisboa.

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