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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

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"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

Um Trinta e Um pouco politicamente incorrecto...

 

E lá se foi o Trinta e Um. Cavaco fez o discurso politicamente correcto do "estadista", procurando fugir retoricamente das estreitezas tecnocráticas. Alegre, citando Guerra Junqueiro contra os jacobinos, quis ser o "político"  em ritmo poético. Nenhum se sentiu incomodado com a circunstância de tal golpe ter sido contra uma democracia representativa, enredada nas teias de uma decadência partidocrática. Foram dois dos símbolos de um situacionismo rotativista instalado que não conseguiram ser do reviralho politicamente incorrecto. Até o presidente comemorativo é banqueiro pouco anarquista, enreadado na genealogia bem fidalga...

 

Dizem que são comemorações, mas a comemorada é, muitas vezes, esquecida pela literatura de justificação do presente poder instalado. Poucos falam no patriotismo imperial daquele à nacionalismo místico republicano que nos levou ao milagre de Tancos e à Flandres... 

 

Pena também que muitos ex-comunistas reduzam a generosa I República a uma espécie de jacobinismo serôdio, em nome de uma nostalgia de leninismo mal reciclado por certa geração da tradução em calão de certo Maio 68 que nem repara que nos unidimensionaliza a partir do ministerialismo situacionista...

 

Sem Norton de Matos não haveria a actual Angola. Sem Álvaro de Castro não se escreveria hoje Moçambique. Os velhos combatentes de Naulila e de La Lys, esses avós que serviram, são de todos...

 

A primeira República também é o saudosismo de Teixeira de Pascoaes, o criacionismo de Leonardo, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva, para não falarmos de Álvaro Ribeiro e da Filosofia Portuguesa...

 

Mataram o rei (1908), mas também mataram o presidente Sidónio (1918), o chefe do governo António Granjo (1921) e o fundador da própria República, Machado Santos (1921). Nós, os respectivos bisnetos e tetranetos, temos o dever de respeitar tais mártires e heróis, não os instrumentalizando retroactivamente, para uso de governos e candidaturas presidenciais!

 

O essencial do legado da Primeira República chama-se patriotismo. Não pode haver republicano ou monárquico que dele não comungue! E até da geraçao do 31  do Janeiro de 1891 nos podemos orgulhar. Sobretudo, o rasgo criativo de ideias lançado por Basílio Teles e Sampaio Bruno, tão menosprezados pelos situacionismo do partido-sistema a partir de 1911... Valia mais unir o que anda disperso, fazendo com que a armilar abrace o verde-rubro e o azul-e-branco!

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