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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

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Pequenos Feitos

 

 

 

 

Ao domingo, cá por casa, é habitual repescar um “60 minutos” dos que a caixa da Meo, por nossa instrução, vai gravando.

 

Hoje demos com a história de um soldado americano que ganhou a mais prestigiada medalha de mérito por um feito heróico no Afeganistão.

Ao longo da entrevista, o rapaz explicou por diversas vezes não se sentir merecedor de tamanha distinção. Em pleno cenário de guerra fez aquilo que tinha de ser feito: não deixou que um compatriota fosse sequestrado pela guerrilha talibã, embora isso tenha significado correr risco de vida.

 

Ao longo da peça fui comentando que percebia exactamente este seu sentimento. Que tinha a certeza não se tratar de falsa modéstia.

 

Às tantas, o meu sobrinho Zé Maria, curioso nato, perguntou-me porque é que tecia tal comentário com tamanha convicção. Dado que nunca tinha estado numa situação de guerra, não era possível saber o que ia na cabeça do soldado.

 

Tive de lhe explicar que sinto exactamente a mesma coisa quando alguém me diz que sou uma mãe excepcional pela forma como acompanho a minha filha número três, com Síndrome de Down. Sinto que o elogio é imerecido porque me limito a fazer o que tem de ser feito.

 

Tal como o soldado americano se considerava mediano, também eu me considero apenas uma mãe regular, pelo que, quando alguém se lembra de me atribuir qualquer tipo de mérito, me sinto uma vergonhosa impostora.

 

Enquanto defendia a minha tese, lembrei-me de casos que conheço, de famílias que adoptaram miúdos com Síndrome de Down. Isso sim, aos meus olhos, um feito que merece condecoração com estrelas de ouro cravejadas a diamantes.

 

Mas depois fiquei a pensar que, se calhar, essas famílias, quando se depararam com a decisão de levar aquela criança para casa, se limitaram a pensar que não podiam deixar de fazer aquilo que tinha de ser feito.

 

 

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