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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

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Justiça: O Outro Monstro

Espero que Marinho Pinto tenha conseguido ontem a sua reeleição para bastonário dos advogados portugueses. Porque nunca antes alguém conseguiu, como ele, incomodar a paz podre da justiça e da advocacia dos interesses e ser, nesta sociedade gravemente doente, uma voz livre, desalinhada, sem medo. – Miguel Sousa Tavares, Expresso, 27 de Novembro.

 

A vitória de Marinho e Pinto foi tão expressiva e clara que eu até fiquei espantado. Neste país da “bolinha baixa” e do jogo rendilhado a meio campo, raramente as vozes livres e desalinhadas conseguem vencer o que quer que seja. O reeleito bastonário não manda dizer, diz. Não foge ao confronto, luta.

 

Por vezes não concordo com ele mas nunca fico indiferente. O seu combate por uma justiça verdadeiramente justa, pela defesa intransigente da vítima e as suas batalhas em prol daqueles cuja voz nunca é ouvida fazem dele um bastonário diferente.

 

Teve um primeiro mandato muito, mas mesmo muito, complicado e em constante guerra com uma parte importante da sua classe, sobretudo os chamados “grandes escritórios” que o trataram abaixo de cão e utilizaram todo o tipo de estratagemas, incluindo momentos de uma baixeza nunca antes vista na ordem dos advogados. Como se constata pelos resultados obtidos na passada sexta-feira, fizeram dele uma vítima e foram humilhados nas urnas.

 

Para este segundo mandato parte reforçado. A grandeza da vitória e a expressão clara da vontade da maioria dos advogados portugueses permite acreditar que terá a paz interna necessária para cumprir o seu programa e fazer o que ainda não foi feito. Assim sendo, não haverá espaço para desculpas (nem ele as costuma utilizar, verdade seja dita) e a Ordem dos Advogados pode ser fundamental como alavanca para a mudança necessária na justiça portuguesa que se tornou, nas últimas décadas, um dos principais factores para o nosso atraso económico e social. Nenhuma democracia sobrevive com uma justiça como a que temos. Nenhum.

 

Os actores de todo o nosso sistema de justiça são culpados pela criação deste outro monstro que está a minar os alicerces da democracia portuguesa. É imperativo mudar.

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