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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

O Jantar do Albergue a Par e Passo(s):

Ao longo dos últimos dias estranhei a insistência: “sempre vens?” ou “não te esqueças do jantar na quinta-feira”. Depois de várias polémicas sobre a Pontinha, essa terra ostracizada da capital do império, ficou decidido que seria em Sete Rios e mesmo assim a insistência persistia: “É já na quinta-feira”. Até certo ponto é compreensível: insistimos sempre com aqueles que residem em paragens longínquas e eu venho do “estrangeiro”. Nada que se compare com o José Valente, que veio dos Estados Unidos para este jantar.

 

Era um jantar triplamente especial: era o primeiro de uma série de jantares em que o Albergue convida uma personalidade da vida pública; era o primeiro jantar de Natal do blogue e, finalmente, por óbvios motivos de agenda, o jantar de antecipação do primeiro aniversário do blogue (o aniversário é a 1 de Janeiro, o que não dá grande jeito).

 

Para início de conversa: o José Aguiar é o maior!

 

A responsabilidade da organização e respectiva ementa do repasto é uma tarefa hercúlea e o José Aguiar, o nosso José Quitério, nunca falha. Desta vez foi um restaurante italiano, o Casa Mia. Muito bom. Segundo os comensais, o risoto estava divinal, a pizza no ponto, o bife cumpria e os canelones eram de estalo. Sem esquecer o tinto alentejano ao nível das paisagens da origem: magnífico. O Pedro Correia não perdeu a oportunidade para uma primeira alfinetada ao facto deste “anarco/regionalista/tripeiro” estar a beber Sagres. Engasguei-me. O Luís Naves trazia uma proposta para a expulsão dos perigosos portistas do Albergue. Valeu a presença do Rudolfo Rebêlo e do Vasco Campilho para acalmar as hostes dos Diabos Vermelhos e evitar a rebelião. Já o Carlos Sá Carneiro, com ar trocista, estava com cara de quem se preparava para uma abstenção. A Filipa Martins, com as angústias de um Orçamento de Estado assustador, veio da Assembleia da República.

 

O João Villalobos não brinca em serviço e, pé ante pé, conseguiu sentar-se entre as “Alberguistas” Marta Elias e Francisca Prieto.  A Catarina Fonseca escapou-lhe mas por muito pouco. Para despistar levou com ele o Alexandre Guerra. Já o Rodrigo Saraiva e o José Adelino Maltez primaram pela pontualidade britânica. O Francisco Almeida Leite chegou com as novidades do PREC (Processo de Remodelação em Curso) e com o convidado.

 

A esta altura os leitores já começam a desesperar: avança lá com o nome do convidado, pá!

 

É preciso ter calma. A Maria Inês Almeida, o Luís Menezes Leitão, o José Fialho Gouveia, o Carlos Abreu Amorim, o Afonso Azevedo Neves, o António Figueira, a Alexandra Carreira, o Nuno Saraiva e o António Nogueira Leite justificaram a falta.

 

 

 

 

O primeiro convidado dos jantares do Albergue Espanhol era um segredo muito bem guardado e foi uma enorme surpresa para muitos. Quando pouco passava das 20h30, hora marcada para o início das hostilidades gastronómicas, surge o presidente do PSD, Pedro Passos Coelho.

 

Após as apresentações, e já sentados, a conversa avançou por inúmeros temas: o Orçamento do Estado, o futuro da economia, a importância da Blogosfera e restantes Redes Sociais, apontamentos da história recente de Portugal, Sá Carneiro, a Alemanha, o FMI e o BCE, o Poder Local, o jornalismo e a política.

 

O convidado não se furtou a nenhuma questão e foi de uma amabilidade, naturalidade e simpatia dignas de registo. Não está optimista e lançou várias pistas sobre os próximos tempos – recorrer ao BCE ou a entrada do FMI não depende da vontade ou de um qualquer capricho governamental mas das pressões e decisões externas; em caso de eleições antecipadas mesmo que as ganhe com maioria absoluta quer chamar terceiros para um amplo acordo e esforço nacional. Não estando tão optimista como o José Adelino Maltez, notou-se que sabe o que quer e como quer levar Portugal a uma mudança tranquila. Sublinhou o contributo do PSD neste acordo orçamental: “ Se não fosse o PSD a evitar os cortes sociais, em 2011 seria certa uma enorme revolta popular”.

 

No final, o João Villalobos agradeceu a presença do convidado, deu os parabéns ao mestre de cerimónias José Aguiar e lembrou o recente falecimento do nosso companheiro de blogue Pedro Beça Múrias, naquele que foi o momento mais comovente do encontro. Já o presidente do PSD agradeceu o convite e transmitiu palavras de incentivo e esperança, enquanto o Francisco Almeida Leite saudou o regresso em grande forma do José Adelino Maltez e anunciou mais convidados surpresa, de diferentes quadrantes, para os próximos jantares

 

Pouco tempo antes surgiu, qual D. Sebastião, o Nilton e alguém, de língua afiada, lembrou estarmos perante o célebre elemento que escreve no blogue raramente escrevendo e que foi ao jantar sem ter jantado.

 

Este vosso escriba sofreu como castigo, pelas constantes diatribes sobre o Benfica, ter de elaborar a acta deste jantar do Albergue Espanhol não sem antes exigir a realização do próximo na Nação - à qual regressou, madrugada fora, espantado com a forma como o nosso convidado encarou este encontro, sem peneiras e de uma naturalidade desarmante.

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