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Albergue Espanhol

"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

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"-Já alguma vez estiveste apaixonado? - Não, fui barman toda a minha vida." My Darling Clementine, John Ford.

Yes you could (but we won’t let you) Part I

 

Barack Obama passou por Lisboa e mais uma vez não deixou de impressionar pela sua mediática simpatia, genuína, fotogênica, como se se tratasse de um actor a fazer o papel de um presidente simpático e mediático e fotogênico.  Para trás ficou a má impressão que Bush tinha deixado, um homem que por ser pouco culto, servia como lupa ao contrário na forma como o povo americano em geral era visto na Europa. Tacanho, provinciano, ignorante. Com Obama a Europa voltou a acreditar numa America que pode produzir pessoas capazes e inteligentes. Porque, para parafrasear os Monty Pithon, à pregunta “O que é que os Americanos alguma vez fizeram de bom?”, segue-se uma enorme lista de atuais coisas boas feitas pelos ditos, que chateia (alguns) ainda mais por ser longa. E como, contrariamente a algumas opiniões,  não são todos nem parvos nem gordos, de vez em quando lá põem alguém na Casa Branca que reflecte essa mesma realidade.

 

 

Mas quando falei da popularidade do Obama na Europa a um americano conservador amigo meu, a resposta foi emblemática do que muitos teriam dito: “se gostam tanto dele, fiquem com ele!” É que no caso do Obama, até ser popular na Europa é visto como uma coisa negativa entre os milhões que querem ver o Presidente a fazer as malas e a mudar de emprego em 2012. A lógica é assim: os Europeus são todos uns socialistas, assim que se gostam o Obama, é porque ele é um deles! Nem mais, nem menos. Sim, porque menos não era possível.

 

Há quem diga nos Estados Unidos que Obama é culpado essencialmente de suas coisas: daquilo que fez e daquilo que não fez. Eu juntaria um terceiro elemento, que, na minha opinião, é talvez aquele que mais contribuiu para o que aconteceu ao Presidente e ao seu partido nas recentes eleições:  Obama é culpado de tudo o que vai de mais negro no profundo imaginário fantástico dos Americanos,  a personificação mesma do que de mais assustador se arrasta debaixo da cultural cama Americana.  De herói de rasgos messiânicos passou para Anti-Cristo político. Crucificação iminente, a julgar pelos cartazes dos Tea Party.

 

Creio que já vos contei a história da corrida às munições e às armas depois da eleição de Obama. Da Flórida à Califórnia, do Nebraska ao novo México, os Americanos, sempre muito agarrados à Segunda Emenda da Constituição, convenceram-se de que o Obama lhes ia tirar as armas. Era o apocalipse que se aproximava, os Zombies que se iam apoderar das cidades, o colapso do mundo civilizado.  De um dia para o outro armeiros e lojas de desporto por todo o país viram as prateleiras das munições esvaziarem-se, do humilde  .22 ao popular .223 Remington para as M16,  desapareceu tudo. Havia pessoas que compravam munições às dezenas de milhares.

 

Isto durou uns dez meses, quando finalmente se foram dando conta que nada tinha mudado, que o presidente afinal não passou nenhuma lei contra o uso de armas, que o status quo continuava como em 1865... Mas ainda hoje, se perguntarem a muita gente, a culpa é do Obama. Quando se lhes diz que o Obama não fez nada, que foi tudo um boato, a resposta é quase sempre: “não fez mas podia ter feito – um gajo como aquele só não o faz porque não lho deixam fazer!” Culpado de poder ter sido culpado.

 

E é este “não fez mas podia ter feito”, este morto por ter cão e por não ter, que tem acossado um Presidente que todos pensavam estar destinado aos Olímpicos cumes. Isto e outras coisas, com menos pólvora, mas igualmente muito explosivas... já vos conto mais umas...

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